O processo que gerou a criação da Redes da Maré começou em 1997, a partir da iniciativa de moradores e ex-moradores oriundos de algumas das 16 favelas que formam a Maré e de outras partes da cidade do Rio de Janeiro. A maioria desse grupo fazia parte da população de menos de 0,5% que conseguiu ter acesso à universidade na região e que, também, participava de movimentos sociais e comunitários organizados para lutar por determinados direitos básicos, como: educação, saúde, cultura, saneamento, iluminação pública, segurança, dentre outros.

O desejo maior dessas pessoas, desde a gênese da instituição, é produzir uma intervenção, de longo prazo, no espaço da Maré, de forma a identificar as variáveis que limitam o exercício cotidiano da cidadania dos seus moradores.

A primeira iniciativa elaborada pelos fundadores da Redes da Maré foi o projeto de preparação aos exames de acesso à universidade, o Curso Pré-Vestibular Comunitário da Maré. Essa iniciativa tem alcançado, ao longo do tempo, resultados concretos, já que mais de 1200 moradores da Maré conseguiram entrar para uma Universidade. Em 2007, acontece a formalização da instituição com esta denominação de ‘Redes da Maré’, ao partir do entendimento de que o exercício da cidadania dos moradores na cidade deve estar sustentado em um projeto abrangente e processual que valorize o papel social dos cidadãos, suas ações coletivas e que tenha, como pressuposto, o respeito às diferenças e à diversidade, bem como a crítica às desigualdades sociais atualmente existentes no País e no Rio de Janeiro. Dessa forma, foi se construindo e fortalecendo a articulação de um leque de ações no qual diversas experiências positivas locais se entrelaçaram e se afirmaram, numa ideia central de que vivemos numa cidade onde todos devem ter o direito de acessar os recursos nela existentes, independentemente da região onde residam.

Nossa Missão

Promover a consolidação de uma ampla rede de parceiras para garantir o desenvolvimento sustentável no maior conjunto de favelas no Rio de Janeiro, a Maré, a partir da articulação de pessoas e instituições comunitárias, da sociedade civil, de universidades, de órgãos públicos e da iniciativa privada.

Nossa Visão

Ter o reconhecimento dos moradores da Maré, de instituições da sociedade civil, de órgãos do poder público, como uma instituição que trabalha tecendo parcerias que buscam promover o desenvolvimento sustentável da região, a partir do protagonismo dos moradores e experiências relevantes para a cidade.

Nossos Valores

1. Defesa dos direitos básicos dos moradores da Maré;
2. Reconhecimento das potencialidades socioculturais e econômicas no espaço da Maré;
3. Defesa da igualdade étnico-racial e de gênero;
4. Ação contra todas as formas de violência e discriminação;
5. Compromisso com a democracia e a cidadania.

A estratégia fundamental da Redes da Maré é que os próprios moradores sejam estimulados a formular e implementar os projetos propostos, mas não somente.

 

A ideia de encontro e de valorização das diferentes experiências de viver a cidade deve levar a uma troca de experiências constantes. Com efeito, a grande novidade da instituição é a sua característica comunitária, com a forte presença dos moradores na sua construção e desenvolvimento. As crianças, os adolescentes e os jovens da Maré encontram, sem dúvida, a partir desta vivência, exemplos locais positivos que ajudam a construir suas trajetórias sociais e escolares, o que colabora para a ampliação de seus tempos e espaços sociais.

A Redes da Maré vem estabelecendo, ao longo da sua trajetória, uma série de vínculos com instituições da sociedade civil e do poder público: universidades, institutos de pesquisa, órgãos e empresas públicas e privadas, ONGs, e com indivíduos; o que permite produzir iniciativas ampliadas de intervenção no território da Maré. Nesses anos de funcionamento, a instituição tem atuado como um instrumento significativo para a superação de diversos signos das violências presentes nas favelas da Maré e, ainda, contribuído para a mobilização dos moradores e outros agentes para a construção de uma agenda estruturante no campo dos direitos e garantias para a região.