Sobre o projeto

cropped-RosileneMiliotti1.jpgRomper as fronteiras, tanto simbólicas quanto geográficas, que separam as diferentes comunidades da Maré. Estimular a autonomia de crianças e adolescentes. Valorizar a memória e a cultura local por meio da mobilidade entre as diferentes comunidades que formam a Maré. Estes são alguns dos objetivos do “Maré sem Fronteiras”, projeto desenvolvido pela Redes da Maré em parceria com o Criança Esperança. A ação, que atende 125 crianças e adolescentes entre 7 e 16 anos, oferece atividades que surpreendem pela inovação e ousadia. Além de oficinas onde são trabalhadas as linguagens escrita, audiovisual, teatro e encontros de transmissão de memória, o Maré sem Fronteiras realiza quinzenalmente passeios ciclísticos – as “bicicletadas” – entre pólos de cultura e pontos de interesse das crianças e jovens da Maré, estimulando a mobilidade dentro da comunidade. O que parece um passeio trivial em diversas partes da cidade pode ser um acontecimento incomum em comunidades populares marcadas pela violência, como é o caso da Maré. O registro das ações, em vídeo e diários de bordo produzidos pelos participantes, perpetua o momento e faz com que as crianças e jovens reflitam sobre o absurdo das fronteiras existentes em sua própria comunidade. Com os passeios, espera-se articular a experiência de crianças e jovens moradores da Maré com a memória das comunidades e da cidade, resgatando acontecimentos e valorizando as micro-histórias que se misturam aos grandes fatos e personagens que formam a cidade. Por que a bicicleta? Apontada como uma das mais viáveis alternativas ao caótico trânsito que toma conta das maiores cidades do mundo, a bicicleta é um transporte lúdico, barato, não poluente, sustentável e saudável. A Maré, bairro predominantemente plano, é propícia ao seu uso. No entanto, por não possuir ciclovias, a circulação das bicicletas torna-se difícil e desigual em relação a motos, carros, caminhões e outros meios de transporte. As bicicletadas, que reúnem entre 20 e 30 participantes por vez, pretendem ir de encontro com esta realidade, chamando a atenção para novos meios de transporte e estimulando o encontro, a comunicação, a interação e a troca entre as pessoas – a partir da compreensão de que a Maré é parte da cidade e não um território cindido. A ideia é que moradores possam transitar livremente, exercendo o direito de ir e vir. Sem fronteiras.