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Foto: Genilson Araújo

MARÉ

Toda a região à margem da Baía de Guanabara caracterizada por vegetação de manguezal e ocupada por pântanos é conhecida como Maré. A região compreendia ainda, as praias de Maria Angu e do Apicu, Praia de Inhaúma e alguns acidentes geográficos como o Saco de Viegas, o Saco de Inhaúma e Ilha dos Pinheiros.

O termo “Maré” tem origem num fenômeno natural, que afligia os moradores das palafitas, trazendo sujeira e lama. Ocupada desde meados do século XX por barracos e palafitas, a Maré se formou sobre os manguezais, que foram progressivamente aterrados, quer pela população e também o poder público.

Dos muitos projetos que visavam a transformação do espaço, com interesse político ou urbanístico, o que mais se destacou foi o Projeto Rio. Idealizado pelo Governo Federal, em 1979; e  executado na década de 1980, o projeto tinha como objetivo “sanear” a orla da Baía da Guanabara.

A Maré recebeu atenção prioritária, pois as favelas da área eram apontadas como as principais responsáveis pela poluição na Baía. O projeto incluía proposta de remoção das famílias residentes em palafitas, para casas populares dotadas de infraestrutura “básica”.

A delimitação do bairro Maré foi instituída pelo decreto nº 7.980, de 12 de agosto de 1988. E a fundação foi em 19 de janeiro de 1994 pelo Projeto de Lei nº 2119, sancionado pelo Prefeito da época, Cesar Maia. O surgimento do novo bairro provocou uma reorganização do espaço. Comunidades, algumas distantes, se agruparam à Maré.  Assim a Maré ganhou representação municipal, com uma Região Administrativa que congrega as dezesseis comunidades, espalhadas por 800 mil metros quadrados, próximos à Avenida Brasil e cortados pela Linha Vermelha e pela Linha Amarela.

A Maré é constituída por uma faixa contígua, que se estende do Conjunto Esperança à Praia de Ramos; ao longo de favelas que faziam parte dos bairros de Manguinhos, Bonsucesso e Ramos. Mas a delimitação não incluiu o território da comunidades de Marcílio Dias, situada em um dos extremos da Maré. No entanto, historicamente, é parte integrante do Conjunto de Favelas da Maré.

Hoje, em toda a Maré há um processo de verticalização, ou seja, a ampliação de casas com o surgimento de novos andares. E o comércio é variado.

Olá Morador da Maré, esse texto poderá sofrer ser acrescido com novas contribuições. Para isso, você vai pode enviar informações que nos ajudem a contar a História da Maré. Para compor a seção também recebemos fotos antigas, que vão ilustrar esse espaço. Então mãos à obra: comunicacao@redesdamare.org.br. Sua opinião e colaboração serão valiosas.

* Abaixo estão listadas as comunidades, em ordem cronológica, a partir de suas constituições. A ideia é construir uma síntese do processo de expansão da Maré, por iniciativa dos moradores ou por meio de ações dos Governos Municipal, Estadual ou Federal.

  • 1940: Morro do Timbau
  • 1947: Baixa do Sapateiro
  • 1948: Conjunto Marcílio Dias
  • 1953: Parque Maré
  • 1954: Parque Rubens Vaz
  • 1955: Parque Roquete Pinto
  • 1961: Parque União
  • 1962: Nova Holanda
  • 1962: Praia de Ramos
  • 1982: Conjunto Esperança
  • 1982: Vila do João
  • 1983: Vila do Pinheiro
  • 1989: Conjunto Pinheiro
  • 1992: Conjunto Bento Ribeiro Dantas
  • 1996: Nova Maré
  • 2000: Salsa e Merengue

MORRO DO TIMBAU

Palavra nascida do tupi-guarani “thybau”, que quer dizer “entre as águas”, originalmente uma área seca entre os manguezais e alagadiços à margem da Baía de Guanabara. A ponta ou Morro do thybau era uma das única localidades em terra firme, constituído de rochas.

Com a abertura da Avenida Brasil, em meados das década de 1940, a ocupação nessa área tomou impulso. Com a instalação, nas proximidades, do antigo Regimento de Carros de Combate do Exército brasileiro, em 1947, hoje (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva), os militares passaram a controlar sistematicamente todo o Morro do Timbau, de propriedade da União. O acesso dos moradores era vigiado, sendo-lhe cobrada uma espécie de “taxa de ocupação”. A arquitetura das habitações também era controlada, sendo vedada a construção de qualquer estrutura permanente na área (paredes de alvenaria, cobertura de telhas), sob pena de demolição. Obras que pudessem trazer melhorias, como as que garantiriam serviços básicos, também eram reprimidas.

Esse controle conduziu à organização da população que, em 1954, fundou uma das primeiras Associações de Moradores de Favela do Rio de Janeiro. Aos poucos, a organização comunitária começou a render frutos, tais como a distribuição de água, eletricidade, esgoto, pavimentação e coleta de lixo.

Finalmente, com o Projeto Rio, os moradores da área conseguiram a propriedade da terra. Em torno do morro ficava a Praia de Inhaúma, que desapareceu com os aterros, hoje só restou a lembrança e uma rua que leva esse nome.

Associação de Moradores – presidente Glauco dos Santos (Caco) – Telefone: 3104-5114

BAIXA DO SAPATEIRO

Ao contrário do Morro do Timbau, cuja ocupação ocorreu em uma área elevada, com alguma organização, a da Baixa do Sapateiro, que lhe é adjacente, desenvolveu-se em uma área de baixada, alagadiça, sem maiores cuidados na organização.

Sua ocupação teve início em 1947, a partir de um pequeno grupo de palafitas de madeira conhecido como Favelinha do Mangue de Bonsucesso. Existem três versões para a origem do atual nome da comunidade:

  1. Haveria realmente um sapateiro na ocupação inicial da área;
  2. Seria uma alusão à Baixa dos Sapateiros em Salvador, na Bahia, uma vez que, na origem, a comunidade era integrada por vários imigrantes nordestinos;
  3. Seria uma referência à vegetação de manguezal, em que predominava a espécie Rhizophora mangle (mangue vermelho), denominada popularmente como sapateiro. Essa espécie era extraída para a produção de tamancos, um calçado popular entre a comunidade de origem portuguesa no Rio de Janeiro.

Iniciada a partir das obras para a abertura da Avenida Brasil, a comunidade tomou impulso com a construção do primeiro grande aterro, promovido dentro do projeto de construção da Cidade Universitária, em torno da Ilha do Fundão. Com a construção da ponte Osvaldo Cruz, a região tornou-se trânsito obrigatório para quem ia e vinha do Fundão. Por essa razão, moradores expulsos das ilhas aterradas e operários da construção iam erguendo os barracos à noite, com sobras de materiais de construção (madeira e latas), sobre palafitas de cerca de dois metros de altura.

A repressão à nascente comunidade era promovida pela Guarda Municipal que, utilizando-se de cabos de aço, puxados por tratores, cortava os esteios das palafitas, demolindo-as. Procurando organizar a luta e conquistar o direito à moradia, fundou-se a Associação de Moradores da Baixa do Sapateiro (1957).

As palafitas desapareceram gradualmente graças aos aterros promovidos pelos próprios moradores ao longo dos anos. As últimas foram demolidas na década de 1980, por iniciativa do Projeto Rio, do Governo Federal, sendo esses moradores transferidos para os novos conjuntos então construídos: a Vila do João e, mais tarde, a Vila do Pinheiro.

Associação de Moradores – presidente Charles Gonçalves – Telefone: 2290-1092.

CONJUNTO MARCÍLIO DIAS

Formada na antiga Praia das Moreninhas, entre os terrenos da Casa do Marinheiro e da fábrica Kelsons, a partir de 1948. O processo de ocupação começou quando oito famílias de pescadores que ali ergueram palafitas. O seu nome é uma homenagem ao marinheiro da Armada Imperial Brasileira, Marcílio Dias.

Apesar da proximidade com o Mercado São Sebastião, atualmente conta com um comércio de pequeno porte. Dentro dessa comunidade alguns moradores denominam uma parte como Kelsons. A comunidade da Marcílio Dias recebeu a visita de madre Teresa de Calcutá, em 1982. Na época, a favela nem de longe parecia o que é hoje. Eram 800 barracos de madeira onde se abrigavam cerca de quatro mil moradores em situações de pobreza extrema.

É a comunidade mais distante do restante da Maré. Marcílio Dias está a, aproximadamente, 2,300 km da Praia de Ramos e entre esses dois territórios existe um conjunto de unidades pertencentes à Marinha do Brasil. O Censo Populacional da Maré 2013 contou 6.709 residentes em Marcílio Dias, ocupando 2.248 domicílios. O Censo Demográfico 2010 do IBGE contou em Marcílio Dias 6.219 moradores, residindo em 1.768 domicílios.

Associação de Moradores – presidente Jupira dos Santos – Telefones: 2584-4534 e 2584-4527.

PARQUE MARÉ

Originalmente uma extensão da Baixa do Sapateiro, distinguia-se por sua proximidade da Avenida Brasil, apresentando, por essa razão, uma densidade demográfica mais elevada. As primeiras palafitas e precários barracos foram erguidos a partir do início da década de 1950, a partir dos mangues existentes no final da Rua Flávia Farnese e 17 de fevereiro. Os moradores pediam aos caminhões de entulho que transitavam pela Avenida Brasil, que despejassem a sua carga na área, promovendo desse modo um aterro coletivo.

O nome tem origem no fenômeno natural das marés que causava grande sofrimento aos moradores da localidade, a maioria vivendo em palafitas. Segundo moradores mais antigos, a maré cheia trazia cobras, ratos e muita lama. O Parque Maré aumentou sua expansão na década de 1960. Nessa mesma época, foi criada a sua Associação de Moradores que, dentre outros objetivos, tinha como missão principal lutar pela permanência da comunidade e pela não-remoção dos moradores, uma vez que as investidas dos governos para a erradicação dessa ocupação foram muitas. Sua ocupação consolidou-se após a atuação do Projeto Rio, do Governo Federal, nas décadas de 1980 e 1990, que demoliu as últimas palafitas, transformando-as em casas de alvenaria. Hoje em dia a comunidade conta com relativa infraestrutura.

Associação de Moradores – presidente Vavá – Telefones: 3105-6930 e 3881-9783.

PARQUE RUBENS VAZ

Formou-se a partir de 1954 e recebia o nome de Areal, uma vez que, devido à drenagem e à canalização do canal da Zona Portuária, a comunidade recebia a areia oriunda dessa obra, causando problemas aos moradores. Também ficou conhecida como Caracol, nome provindo de uma passarela próxima, que ficava na entrada da comunidade e que tinha esse formato. A ocupação surgiu junto ao canal do Rio Ramos, hoje transformado em um canal, chamado de valão.

O aterro foi realizado pelos próprios moradores que utilizaram carvão, serragem e entulhos. Um detalhe importante na demarcação do limite dos lotes era o seguinte: o barraco era construído na frente do terreno e o banheiro nos fundos para aumentar o tamanho do lote. Quando uma família não tinha condição de construir o banheiro, ela utilizava uma ponte de madeira para usar o banheiro do vizinho.

O nome Parque Rubens Vaz foi oficializado em 1965, homenagem do governo ao militar da Força Aérea Brasileira (FAB), o Major Rubens Vaz. O número de habitantes foi crescendo e não tardou a surgir entre eles um líder: João Araújo. Um paraibano que começou a organizar a área, alinhar as construções e formar as ruas. Em homenagem a ele, uma das ruas do local leva o seu nome. Recentemente outro líder foi homenageado, com nome de um Espaço de Desenvolvimento Infantil, o ex-presidente de associação João Crisóstomo.

Associação de Moradores – presidente Vilmar Gomes (Magá) – Telefones: 3105-7146 e 3014-5388.

PARQUE ROQUETE PINTO

Surgiu por meio de uma série de aterros realizados pelos próprios moradores, a partir de 1955, às custas do manguezal, no final da Rua Ouricuri. O processo de urbanização deu lugar a domicílios de alvenaria. O seu nome é uma homenagem a Edgar Roquette Pinto, fundador da primeira rádio do estado do Rio de Janeiro, hoje a Rádio MEC, pois na época da ocupação havia uma antena de transmissão de rádio na comunidade.

A comunidade de Roquete Pinto fica ao lado do terreno do antigo quartel do 24° Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, hoje pertencente a Polícia Militar. E apesar da proximidade com o Piscinão de Ramos, que se tornou um ponto turístico da comunidade, a Roquete Pinto sofre com a ausência de infraestrutura.

Associação de Moradores – presidente Cristiano Anselmo – Telefone: 3104-5069.

PARQUE UNIÃO

Formou-se a partir de um loteamento promovido por um advogado ligado ao Partido Comunista Brasileira – Margarino Torres – que demarcou lotes, vendendo-os por valores acessíveis. Um facilitador desse processo foi o aterro realizado por uma empresa particular que, posteriormente, teve que abandoná-lo por motivos financeiros. Desta maneira, deu-se início à construção dos barracos.

As casas eram construídas primeiramente em madeira. Internamente os moradores levantavam as paredes em alvenaria, isso tudo feito às escondidas, pois, segundo a população, o governo proibia essa forma de construção. A madeira só era retirada quando a casa já estava praticamente pronta.

O projeto inicial era o de criar um bairro popular, com boa infraestrutura urbana. Outras fontes mostram que a comunidade é fruto de uma das primeiras invasões urbanas planejadas de que se tem notícia, em fins da década de 1950. No início da década de 80, ocorreria a desocupação da comunidade organizada pelos militares. Contudo, a moradora Mironeide Rezende Beleza enviou carta ao então presidente João Figueiredo. Depois da resistência, o presidente respondeu com outra carta descartando a ideia. Fica situado junto à Avenida Brigadeiro Trompowski, próxima a entrada da Ilha do Governador. A partir do ano 2000 teve ampliação, a partir da aquisição de antigas fábricas, que foram loteadas legalmente pelos moradores, chamadas de Sem Terra.

Associação de Moradores – presidente Edinaldo dos Santos (Deraldo) – Telefones: 3882-5510 e 3881-9783.

NOVA HOLANDA

A Nova Holanda teve um processo de formação que se distingue dos outros da época. Localizada sobre um aterro realizado ao lado do Parque Maré, no final da Rua Teixeira Ribeiro, ela foi planejada e construída pelo poder público na década de 1960, sob o governo de Carlos Lacerda. Tinha como objetivo ser um abrigo provisório destinado aos moradores de morros do Rio que foram demolidos para a ampliação da cidade. O grande porte desse aterro influenciou a escolha do nome do empreendimento – Nova Holanda – uma vez que aquele país europeu localiza-se, em grande parte, abaixo do nível do mar.

Não se constituía, entretanto, em um Conjunto Habitacional, uma vez que foi concebido como um Centro de Habitação Provisório (CHP). O seu projeto era regular, disposto sobre uma malha ortogonal, com casas em série, idênticas, erguidas em madeira, em duas tipologias:

  1. Unidades individuais, simples; e
  2. Unidades duplas, em dois pavimentos (denominadas como modelo “vagão” ou “duplex”).

Essa característica não permitia, originalmente, que fossem realizadas benfeitorias pelos moradores, registrando-se, em pouco tempo, a rápida degradação das unidades. Os seus primeiros moradores chegaram em 1962, oriundos da remoção da Favela do Esqueleto (atual campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ), da Praia do Pinto, do Morro da Formiga, do Morro do Querosene e das margens do Rio Faria Timbó, sob a coordenação da Fundação Leão XIII, que controlava tanto o processo de remoção quanto o gerenciamento dos CHPs.

Os alojamentos deveriam servir como uma etapa intermediária no assentamento definitivo dessas populações em Conjuntos Habitacionais na periferia da cidade. Entretanto, por falta de continuidade política do projeto, as casas provisórias de madeira acabaram por se tornar definitivas, registrando-se a favelização do conjunto na medida em que cada morador introduziu medicações arquitetônicas conforme as próprias necessidades e segundo próprio critério. A falta de serviços básicos e o rígido controle da Fundação Leão XIII ocasionou o surgimento de conflitos.

Tantos conflitos propiciaram a mobilização popular. Na década de 1970, solidificam-se grupos de apoio à comunidade, sendo eles: grupo das mulheres e o grupo de jovens da Igreja Católica. Em 1979 é instituída a primeira assembleia para a criação da Associação de Moradores de Nova Holanda, e, posteriormente, a Creche e Escola Comunitária de Nova Holanda e a Cooperativa Mista e de Consumo dos Moradores de Nova Holanda.

Em 15 de novembro de 1984, um fato inédito chama a atenção da sociedade para a comunidade. Uma jovem de 22 anos, Eliana Sousa Silva, vencedora da eleição para presidente da associação de moradores, toma posse, superando a discriminação por ser nova e mulher. O ato também inspirou as autoridades a atuarem junto às comunidades sobre a importância da eleição. Eliana continua atuando na comunidade com trabalhos por meio da instituição Redes de Desenvolvimento da Maré. Nova Holanda até hoje é referência de comunidade articulada e militante no cenário dos movimentos sociais oriundos das favelas no Rio de Janeiro.

Associação de Moradores – presidente Gilmar Gomes – Telefone: 3105-7148.

PRAIA DE RAMOS

Originalmente uma comunidade de pescadores que surgiu por volta de 1962. A praia mais famosa do subúrbio carioca aparecia nos mapas antigos como Mariangú, que na linguagem indígena significava mangue. A região era território de criação de caranguejos que serviam de alimentos para animais do entorno da Baía de Guanabara. O nome Maria Angú foi uma adaptação livre dos próprios moradores. Há ainda uma outra versão que fala sobre a existência de uma antiga moradora chamada Maria, conhecida na região por vender angu.

Apesar de fisicamente pertencer ao conjunto de comunidades que formam o Bairro Maré, a região também participa das comemorações anuais da festa do Bairro de Ramos. Pertence a essa comunidade a única praia existente hoje na Zona da Leopoldina. Esse antigo balneário está poluído e proibido para o banho de mar. Em substituição à área de lazer, foi inaugurado em dezembro de 2001 um grande lago artificial, chamado de Piscinão de Ramos. Hoje é administrado pela Prefeitura, e foi rebatizado de Parque da Vizinhança de Ramos.

Associação de Moradores – Cristiano Anselmo – Telefone: 3104-5069.

CONJUNTO ESPERANÇA

Conjunto habitacional erguido em 1982 pelo Projeto Rio, do Governo Federal, com 35 edifícios totalizando 1.400 apartamentos. Recebeu, à época, cerca de 7.000 pessoas. Fica localizado próximo ao prédio de expansão da Fundação Oswaldo Cruz, com acesso pela Avenida Brasil. Foi construído às margens do Canal do Cunha.

Com a ausência de comércio, a comunidade foi improvisando e criando novos espaços, além dos prédios. No fim da comunidade, às margens da Baía de Guanabara, surgiu também um novo espaço formado por casas construídas pelos próprios moradores, denominado Vila Esperança, também conhecido pelo apelido pejorativo de Pata Choca.

Associação de Moradores – presidente Pedro dos Santos – Telefone: 3104-7407.

VILA DO JOÃO

Antes da construção, no terreno funcionou o Aeroclube do Brasil. O conjunto habitacional foi erguido pelo Projeto Rio, do Governo Federal, no início da década de 1980. O Projeto Rio logo gerou grande controvérsia porque o governo se limitou a erradicar as áreas alagadas. Mas o que fazer com a população que era retirada desses espaços? Segundo levantamento inicial, nesta época um terço dos habitantes da Maré morava sobre palafitas, principalmente nas comunidades da Baixa do Sapateiro e Parque Maré. Depois de muita polêmica, os moradores começaram a ser transferidos para o primeiro conjunto habitacional do Projeto Rio.

O objetivo era acabar com moradias construídas precariamente. As casas pré-fabricadas sobre aterros na Baía de Guanabara eram destinadas a abrigar as pessoas que viviam em palafitas na Baixa do Sapateiro. As casas coloridas que caracterizaram a Vila do João foram inauguradas em plena campanha para o governo do Estado. O colorido das casas ficou conhecido preconceituosamente de “Inferno Colorido”, mas na década de 90 esse apelido caiu em desuso.

Essa comunidade representava um símbolo de prosperidade para os militares, que denominaram o nome como uma homenagem dos moradores ao então Presidente da República, General João Baptista de Oliveira Figueiredo (1979-1985). Outros pontos surgiram como a creche Tia Dulce, em alusão à primeira-dama Dulce Figueiredo, hoje rebatizada de Espaço de Educação Infantil. Outra creche também teve esse mesmo propósito, a Creche Municipal Tio Mário, que lembra Mário Andreazza, Ministro do Interior do governo militar.

Associação de Moradores – presidente Valtermir Messias (Índio) – Telefone: 3109-3143.

VILA DO PINHEIRO

Foi a segunda fase do Projeto Rio, uma grande intervenção na região da Maré, para reassentar os moradores das palafitas, em conjuntos habitacionais. Tais conjuntos foram erguidos sobre aterros dos manguezais e tinham o financiamento do extinto Banco Nacional de Habitação (BNH).

A área denominada genericamente como “Pinheiro”, é fruto de um aterro promovido à época do Projeto Rio, do Governo Federal, na década de 1980, que ligou a Ilha do Pinheiro, ao continente, o que resistiu até o aterro da Cidade Universitária. A ilha chegou a ser conhecida como Ilha dos macacos, por ser área de experiência com macacos da Fundação Oswaldo Cruz. O novo aterro destinava-se a assentar os antigos moradores das palafitas removidas da Baixa do Sapateiro e do Parque Maré.

Hoje a Ilha do Pinheiro passou a ser um parque ecológico, conhecido como “Mata”, que fica localizado bem no meio da comunidade. A Vila do Pinheiro foi constituída por casas de pequenas dimensões, geminadas, unifamiliares. Atualmente poucas casas guardam a estrutura original.

Nos anos 90, um projeto federal construiu na comunidade uma escola, o Centro Integrado de Atenção à Criança e ao Adolescente (CIAC), transformado em Centro de Atenção Integral à Criança (CAIC), posteriormente demolido por ter sido construído em área imprópria e apresentar rachaduras. Na mesma época, a Prefeitura usou outro terreno da Vila do Pinheiro para abrigar temporariamente 209 famílias removidas de áreas de risco da cidade.

Essa comunidade teve como característica a construção fragmentada. Os galpões – pequenos, coloridos e desconfortáveis, tinham apenas um banheiro para cada 25 famílias – foram logo apelidados de Kinder Ovo, em uma referência ao chocolate de embalagem colorida em moda na época. Hoje, esse espaço não existe mais. A penúltima fase, construída atrás da Associação de Moradores, seria um desligamento, que receberia o nome de Vila Pasqualini, algo não aprovado pelos moradores. E por fim, atrás do Ciep Ministro Gustavo Capanema, surgiu uma nova construção que recebeu moradores remanescentes de enchentes, e que não foram agraciados com residências em outras comunidades. Essas casas foram batizadas popularmente como Marrocos. Contudo, ambas são assistidas pela Associação de Moradores da Vila do Pinheiro. Já a Vila do Pinheiro, pela grande extensão, tem uma divisão na Via B/1, onde é assistida também pela Associação de Moradores do Parque Ecológico.

Associação de Moradores da Vila do Pinheiro – Jhonata Marques – Telefone: 3109-2576.

Associação de Moradores do Parque Ecológico – presidente Cláudia Santana – Telefones: 3104-8950 e 3109-2576.

CONJUNTO PINHEIRO

O Conjunto Habitacional Pinheiros, também erguido em 1989 pelo Projeto Rio, do Governo Federal, é constituído por grandes blocos de prédios multifamiliares de formas retas e modernistas. O Conjunto Pinheiro é a comunidade da Maré que permanece mais próxima dos traços retos e racionais do projeto original, apesar da construção de garagens dentro do terreno. Alguns desses puxadinhos foram transformados em biroscas para qualquer tipo de comércio gerador de renda.

Em 1999, os 34 prédios passaram por reformas custeadas pela Companhia Estadual de Habitação (CEHAB). A reforma consistiu na recuperação do revestimento externo, pintura externa das esquadrias, impermeabilização das caixa d’águas, reforma dos telhados e dos esgotos. Em 2011, a segunda obra também foi realizada pela CEHAB, com recuperação do revestimento, pintura externa, e reforma dos telhados. As reformas não mudaram a estética inicial.

Seus prédios margeiam a Avenida Bento Ribeiro Dantas, junto à ciclovia da comunidade.

Associação de Moradores – presidente Eunice Cunha – Telefone: 3104-7183.

CONJUNTO BENTO RIBEIRO DANTAS

Foi erguido em frente ao Conjunto Pinheiro, na década de 1990. Ocupa área onde existiu, no passado, a praia e o Porto de Inhaúma. No início, foi popularmente apelidado de “Fogo Cruzado”, uma vez que se encontrava na linha de tiro entre duas comunidades.

Inaugurado em 1992, o seu projeto é de inspiração pós-modernista, utilizando o tijolo e o concreto aparentes, que lhe dá uma estética própria, bem diferente dos prédios modernistas do Conjunto Pinheiro. Esse modelo seria repetido no Conjunto Nova Maré.

Os seus moradores vieram de outras favelas, consideradas de risco pelos técnicos da Prefeitura, por meio do Programa Morar Sem Risco e que não podiam ser urbanizadas pelo Programa Favela-Bairro, implantado a partir de 1994.

Associação de Moradores – presidente Raquel Lellis – No momento sem telefone.

CONJUNTO NOVA MARÉ

Conjunto habitacional inaugurado pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro em 1996 com o fim de assentar moradores removidos de palafitas da Parque Roquete Pinto. Situado em área de aterro vizinha à Baixa do Sapateiro, decorrente da construção da Linha Vermelha, o seu projeto tem o mesmo perfil que o Conjunto Bento Ribeiro Dantas.

Hoje a comunidade é beneficiada por um espaço de lazer próximo, a Vila Olímpica da Maré.

Associação de Moradores – presidente Alexandre Ribeiro – Telefone: 2270-1274.

CONJUNTO NOVO PINHEIRO (SALSA E MERENGUE)

Meses após inaugurar os galpões do Kinder Ovo, a Prefeitura precisou construir um novo Conjunto habitacional. Essa unidade foi inaugurada no ano 2000, com o nome oficial de Novo Pinheiro. Embora tenha história e características próprias, não conta ainda com uma Associação de Moradores, sendo incluído tradicionalmente na Vila do Pinheiro. O seu nome popular é uma alusão à novela televisiva Salsa e Merengue, devido ao colorido das casas. Foi criado com o fim de assentar moradores removidos da comunidade conhecida como Kinder Ovo e em torno do rio Faria Timbó. Está situada próxima à Vila do Pinheiro e ao Canal do Cunha.

Associação de Moradores da Vila do Pinheiro – Jhonata Marques – Telefone: 3109-2576.

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