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Por falta de dragagem, o valão que fica na comunidade Rubens Vaz acumula lixo que vai direto para a Baía de Guanabara | Foto: Elisângela Leite

Maré de Notícias #88 – maio de 2018

Depois de seis anos, obras importantes para a população não saíram do papel

Hélio Euclides

Um dia, os moradores abriram o Jornal e lá estava uma boa notícia: a Maré teria uma grande obra de esgoto. Mas a promessa não saiu do papel. No Maré de Notícias, Edição nº 35, de novembro de 2012, o diretor de Distribuição e Comercialização Metropolitana da CEDAE – Companhia Estadual de Águas e Esgoto, Marcelo Motta, assegurava que a estatal realizaria obras para a melhoraria da rede de esgoto e iniciaria o tratamento dos resíduos na Estação da Alegria, no Caju. Já na Edição nº 44, de agosto de 2013, o Jornal tornava público um questionamento sobre o início das obras no sistema de esgoto. E, por fim, um ano depois da primeira promessa, na Edição nº 47, o então presidente da CEDAE, Wagner Victer, informava que as obras de esgotamento sanitário começariam em breve.

 O tempo passou e….

De lá para cá, cinco anos se passaram e a situação piorou. “No passado, tivemos o Marcello Motta na reunião do Coletivo Maré que Queremos. Foi prometido um atendimento semanal nas comunidades. A empresa precisava avançar na parte funcional e de estrutura, com novos equipamentos. Sobre a obra, até agora, só promessa”, reclama Pedro Francisco, presidente da Associação de Moradores do Conjunto Esperança. A Empresa tem uma base local. “A CEDAE Maré faz o máximo, pois não tem estrutura e condição de trabalho”, declara Luciano Aragão, vice-presidente da Associação de Moradores de Marcílio Dias.

Para Vilmar Gomes, o Magá, presidente da Associação de Moradores do Rubens Vaz, “a obra que foi prometida nem saiu do papel. Hoje enxugamos gelo, desentope num dia e entope no outro. Tem de trocar o encanamento, que são manilhas esfareladas”, esclarece. Ele entende que é necessário um investimento na CEDAE Maré. “O caminhão desentupidor diminuiu para três dias o atendimento na Maré, não é suficiente. São duas equipes de serviço referentes à água, e outras duas de esgoto. É pouco. Esses profissionais ainda desentopem usando tubos de PVC”.

Em frente ao Bloco Oito, no Conjunto Pinheiro, existe um esgoto entupido. Para piorar, um bolsão de água da chuva se forma próximo ao campo de futebol Toca da Raposa; o resultado é a mistura de esgoto com água da chuva, o que pode acarretar doenças. “Tem de ter projeto de reformulação do esgoto. As caixas estão todas cheias e já está minando por baixo do prédio”, reclama Francisco Fábio, morador do local.

 “Tudo que envolve essa estatal acaba assim, promessas, muitos milhões de reais investidos, resultados ambientais pífios. Infelizmente, o que era para ser uma Empresa estratégica tanto do ponto de vista de saúde pública como ambiental, é o que é. Em tudo que essa Empresa está envolvida, tal como Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), Programa de Saneamento Ambiental (PSAM) e Cena Limpa, com algumas honrosas exceções, simplesmente não dá em nada”, avalia o biólogo Mário Moscatelli.

 Uma Maré de promessas

Na Edição nº 35 do Maré de Notícias, Marcelo Motta revelou que o investimento seria de R$ 35 milhões somente na Maré, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2. Um conjunto de intervenções, como o novo tronco-coletor do Faria Timbó. Na Maré, as obras contemplariam boa parte das comunidades, indo do Parque União até o Conjunto Esperança. O início das obras foi previsto para março de 2013, com prazo de 720 dias para a construção de seis elevatórias de pequeno porte. A obra seria de ligação domiciliar, com novas redes coletoras de esgoto.

Já na Edição nº 47, Wagner Victer prometera que as obras de esgotamento sanitário começariam em março de 2014. A obra traria benefícios para a Baía de Guanabara, ligando Marcílio Dias, Praia de Ramos e Roquete Pinto à Estação de Tratamento da Penha, e o restante da Maré à Estação da Alegria. Por fim, criaria um cinturão nas galerias para o fim do esgoto que cai clandestinamente nos canais.

Procurada, a CEDAE respondeu que na Maré, devido à ocupação desordenada do solo, é necessário readequar a rede. Para isso, a Companhia está finalizando ajustes no projeto que visa adaptar a rede existente e implantar novas redes para direcionar o esgoto da região à ETE Alegria.

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