Pantera Negra – a cor do sucesso

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Maré de Notícias #87 – abril de 2018

Comunidade negra mundial transformou o filme em campeão de bilheteria

Jorge Melo

O filme Pantera Negra é um sucesso mundial. No Brasil arrecadou, nos dois primeiros fins de semana,  60, 4 milhões de reais, com 3,6 milhões de ingressos vendidos. Tem todos os ingredientes de um filme de super-herói e um vilão, que rouba a cena. A maioria dos atores e da mão de obra que trabalhou no filme é negra, cerca de 90%.

Pantera Negra conta a história de T’Challa, herdeiro do trono de Wakanda, país  rico e desenvolvido, escondido numa montanha africana, que domina uma tecnologia avançada e produz o vibraniu, um metal poderoso e muito valioso. Com medo de perder a paz, Wakanda vive isolado. T’Challa tem a missão de mantê-lo em isolamento. Mas tem um adversário à altura de um super-herói, Killmonger, que é seu primo.

Mulheres no comando

O Rio Grande do Sul tem uma das menores populações negras do País, 16,8% . Um estudo, realizado em 2010, sobre desigualdades sociais no Brasil apresentado pelo PNUD  apontou que a população negra da Região Metropolitana de Porto Alegre teve um dos piores índices de desenvolvimento humano entre as 20 Regiões Metropolitanas do Brasil. Carol Anchieta, de 36 anos, é repórter e apresentadora do Jornal do Almoço da RBS, TV gaúcha afiliada à Rede Globo. Carol considera o filme uma vitória da mulher negra: “nós, mulheres negras, sofremos com as piores condições sociais, passamos a vida objetificadas, hipersexualizadas e nos vemos no filme como guerreiras e mentes participantes de uma revolução e foi isso que provocou lágrimas em rostos negros ao redor do mundo e fez mulheres negras gritarem nas salas de cinema.”.

O super-herói que faltava

Segundo Yuri de Carvalho Lobo, “uma onda em torno de Pantera Negra, pelas redes sociais, começou antes mesmo de o lançamento do filme”. Ele tem 25 anos, é produtor cultural, morador da Maré e lembra que “existia um público que não se sentia representado no cinema, que queria ver personagens negros sem estereótipos ou em posições subalternas”.  Marcos Diniz, ator e escritor, de 31 anos, também morador da Maré, e colecionador de gibis da Marvel, diz que percebeu a importância de o diretor ser negro, nos detalhes:  “o personagem M’Baku, que nos quadrinhos é um homem vestido como gorila, no filme está bem diferente; essa imagem, no cinema, poderia ter uma conotação racista”.  O diretor Ryan Coogler é considerado uma das revelações do cinema americano e por isso foi escolhido para dirigir Pantera Negra.

 A Pantera Negra real

Pantera Negra é baseado em uma história da Marvel, que hoje é um estúdio de cinema do grupo Walter Disney. O personagem foi criado por Stan Lee, que já criou o Homem Aranha, O Incrível Hulk, entre outros. O primeiro número saiu em julho de 1966 nos Estados Unidos. Em outubro do mesmo ano, foi formalizado o partido Panteras Negras, Vanguarda da Revolução. Coincidência? Stan Lee garante que sim!

O rápido crescimento dos Panteras Negras e sua proposta radical de proteger a população negra, aproveitando a legislação americana que permite o porte de arma a qualquer cidadão, assustou o governo. O grupo foi duramente perseguido pelo FBI. Seus principais líderes foram presos ou mortos. Crimes foram forjados pela polícia contra eles. Para sobreviver, os Panteras Negras aderiram ao assistencialismo, mas perderam o discurso ousado. Se autodissolveram em 1982.

Panteras Negras   além do movimento político

A filósofa Angela Davis foi integrante do Partido Pantera Negra. A valorização do homem e da mulher negros estava entre as principais propostas. A estética do black power influenciou jovens do mundo. Existia também a saudação – braço esquerdo erguido, punhos cerrados e luvas negras.

Nos jogos olímpicos do México, em 1968, dois atletas americanos, vencedores dos 200 metros,  Tommie Smith, medalha de ouro; e John Carlos, medalha de bronze fizeram a saudação no pódio, enquanto era executado o Hino americano. O governo dos EUA usou toda a sua influência, mas o Comitê Olímpico manteve as medalhas dos atletas.

Segundo Yuri Carvalho Lobo, o filme segue um movimento mundial, de ocupação de espaço e empoderamento das comunidades negras, conhecido como Afrofuturismo, que trata também “do resgate da história dos negros e as formas de transmitir esses conhecimentos aos que virão.”  Pantera Negra arrecadou apenas na primeira semana de exibição, ao redor do mundo, 520 milhões de dólares, quase dois bilhões de reais. Portanto, mais filmes do Pantera Negra poderão acontecer. O mercado de super-heróis negros se provou viável. E para Hollywood, isso é o que importa. Outros virão.

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