Espaço de referência sobre drogas chega à Maré!

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POETA, DOUTOR EM PSICOLOGIA PELA UFRJ E ATUALMENTE COORDENA A ARTICULAÇÃO INSTITUCIONAL DA CASA NORMAL

Maré de Notícias #84 – abril de 2018

Rodrigo Bodão

POETA, DOUTOR EM PSICOLOGIA PELA UFRJ E ATUALMENTE COORDENA A ARTICULAÇÃO INSTITUCIONAL DA CASA NORMAL

Em abril de 2018, a Casa Normal – Espaço de Referência sobre Drogas abre na Maré. O trabalho é fruto de três anos de ações e pesquisas realizadas em áreas abertas de consumo de crack, álcool e outras drogas, especificamente na cena localizada na rua Flávia Farnese 500. Esse trabalho acontece, desde 2015, a partir da aproximação de pesquisadores, assistentes sociais, mediadores comunitários e educadores com a população de 100 frequentadores da cena.  Desde então, o projeto se constituiu em torno de três frentes prioritárias de atuação:  a produção de conhecimento sobre o contexto das drogas na Maré e os efeitos na vida cotidiana dos moradores; a criação de alternativas  no campo da Redução de Danos para pessoas que usam crack, álcool e outras drogas na Maré; e a articulação institucional e territorial em torno de uma agenda local para acesso a direitos para enfrentamento das violências decorrentes da lógica imposta pelos grupos armados e pela atuação da polícia. O Espaço de Referência sobre Drogas na Maré surge como um ponto de convergência desses três eixos.

O intuito maior foi conhecer quem eram os frequentadores da cena da Flávia Farnese 500, entender como se relacionavam entre eles, com os moradores da Maré e, também, com instituições do poder público e comunitárias. Além disso, procuramos mapear os serviços existentes para esse público e as reais possibilidades de atendimento às suas principais demandas. Foram pensadas possibilidades de trabalho comum e novas experiências que contribuíssem para a ampliação das vivências naquele espaço em particular, assim como novas práticas de cuidado.

Podemos apontar diversas formas de atuação direta nas cenas: a construção de um banheiro,  que  buscou garantir  um mínimo de dignidade, higiene pessoal e cuidado para as pessoas que moram e frequentam a cena da Flávia Farnese; a realização de encontros fotográficos, sessões de cinema (Cineminha na Cena); a estruturação do Entre Fluxos, conjunto de atividades socioculturais realizadas dentro e fora da Maré, com a oferta de oficinas e passeios, como forma de aproximação, criação de vínculos e confiança para circulação na cidade e a criação do Fórum de Cuidado aos Usuários de Crack, Álcool e outras Drogas na Maré. Este espaço visa articular e potencializar as diversas ações realizadas no território para o cuidado e a proteção social de pessoas em situação de rua que usam drogas. Como decorrência desse espaço, tornou-se possível o surgimento do ATENDA – Espaço de Atendimento Integrado – iniciativa que reúne o conjunto de serviços públicos e organizações da sociedade civil, e consiste na  realização semanal de oficinas socioculturais, acompanhada de ações específicas das equipes de Saúde e Assistência Social da Prefeitura do Rio, como forma de realizar um atendimento integrado e articulado aos frequentadores das cenas existentes na Avenida Brasil, na altura da Passarela 10.

Com a criação da Casa Normal, cujo nome é uma homenagem a uma liderança local da cena da Flávia Farnese 500, morto no contexto dos enfrentamentos entre grupos armados, em janeiro de 2018, pretendemos produzir um espaço de referência, reflexão, formação, mediação, articulação institucional e convivência para pessoas que usam drogas na Maré e arredores, na interação com profissionais, familiares e moradores de modo geral.

 A Casa Normal ficará aberta, num primeiro momento, das 14h às 18h, de segunda a sexta-feira, com espaços para higiene pessoal e repouso, sala de livre acesso a computador, internet, livros e jogos e a realização de oficinas culturais, além de rodas de conversa sobre drogas e outros temas. Por lá também haverá atendimento sociojurídico e a oferta de um banco de horas com oportunidades de trabalho. Como bem disse o poeta: “De perto ninguém é normal”. Mas acreditamos que é de perto que a gente pode se entender, avançar, caminhar e se desenvolver juntos e misturados!

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