MARÉ DE NOTÍCIAS #52
24 de abril de 2014
Favelas e cracolândias que ninguém vê
7 de junho de 2014

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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[toggle title=”Pioneiro do Parque União”]

Por Beatriz Lindolfo

Em tempos de ocupação, o Capitão Brasil pode ser confundido com um militar, mas ele é morador das antigas e um patriota que chama a atenção por onde passa.

Antônio Fernandes de Freitas, mais conhecido como Capitão Brasil, tem 83 anos e mora no Parque União há 50. Nasceu em Guarabira, município localizado no estado da Paraíba, e resolveu vir para o Rio de Janeiro trabalhar na construção do estádio do Maracanã. Assim que chegou, sua função era preparar a comida para os operários da obra. Inicialmente, morou em Laranjeiras e depois veio para cá. Assim que chegou já existiam algumas casas de taipa (barro) e alvenaria. A comunidade era coberta por barro e não havia saneamento básico.

“Escolhi morar no Parque União porque quando passei pela Av. Brasil e vi que do outro lado já existiam casas, resolvi fazer a minha por aqui também”, conta ele. Pioneiro por aqui, ele deu nome a diversas ruas do P.U (sigla usada pelos moradores para se referir à comunidade).

Um fato curioso do Capitão é estar sempre de terno, carregando a bandeira do Brasil. Em tem pos de ocupação da Maré pelas Forças Armadas, algum desavisado pode confundi-lo com militar, o que ele não é. Ele é, de fato, um patriota. “Essa bandeira não tem preço, ela é de todos os bravos guerreiros do nosso amado Brasil”, exalta.

À frente da seleção de 1994

 Uma situação divertida lembrada por muitos vem da Copa de 1994, quando o ônibus que transportava os jogadores vitoriosos da seleção brasileira passava pela Av. Brasil. O Capitão fez uma escolta à frente do cortejo, com a sua bicicleta e seu capacete personalizados. Quem assistiu a essa cena não se esquece. Hoje em dia, em função da idade, ele não anda mais de “magrela”.

Ele fala emocionado de sua vontade de ter participado da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Porém, segundo ele, não foi possível por ter nascido apenas com dois dedos em cada mão. Assim, ele se tornou um pesquisador da Segunda Guerra. Além disso, criou a associação brasileira dos direitos sociais dos deficientes.

Sua esposa Maria Auxiliadora, com quem é casado há 48 anos, quer levá-lo para morar em Campos, no norte do estado do Rio, mas Capitão diz que vai morrer na comunidade que está marcada em sua vida e principalmente em seu coração. Ele segue com a ideia de viver até o seu último segundo no seu tão amado Parque União.

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[toggle title=”É devagar, devagarinho…”]

Por Beatriz Lindolfo

Cariocas estão gastando o dobro do tempo para se locomover por causa das obras na cidade

 O trânsito no Rio de Janeiro não está fácil para ninguém. O Maré de Notícias foi até os pontos de ônibus e de vans localizados próximos à passarela 10 da Av. Brasil, nos dois sentidos. Ouvimos a opinião dos cariocas sobre as obras que estão ocorrendo e sobre o tempo gasto ultimamente nos deslocamentos pela cidade. Todos os entrevistados relataram que estão gastando no trânsito, no mínimo, o dobro do tempo do que levavam há um ano.

Intervenções como a Transcarioca e o Porto Maravilha, além da derrubada do elevado da Perimetral, estão sendo experimentadas pela população como obras de “imobilidade” urbana. A proibição pela prefeitura da circulação de vans ligando as zonas norte e sul já tinha piorado o cotidiano das pessoas.

Luana Galvão é moradora da Nova Holanda e trabalha em Botafogo. É obrigada a pegar duas conduções para chegar ao trabalho. Antes, o tempo gasto até seu destino ficava entre 1h e 1h30; hoje, com as obras, passou para três horas. Luana considera a ida pior, pois de manhã o trânsito é mais intenso. “Está atrapalhando todo mundo, espero que na conclusão aconteça uma melhora nesses engarrafamentos”, afirma Luana, que não perdeu o otimismo.

Cariocas descrentes sobre futuro

 Para muitas pessoas essas obras nem deveriam estar acontecendo. A opinião é de que há outras prioridades que deveriam estar à frente de investimentos de bilhões de reais em mudanças associadas aos megaeventos Copa e Olimpíada.  Amanda Wolf, moradora de Campo Grande, trabalha na Barra da Tijuca. Foi encontrada por nós aguardando condução na Av. Brasil. Antes das obras, ela gastava 30 minutos para chegar ao trabalho e hoje leva o dobro do tempo. “Essas obras são gastos desnecessários, são melhorias só para certos eventos. Deveriam investir em educação, saúde, em segurança nas ruas e nos transportes públicos”, ressalta.

André Luiz, motorista da van 818, que faz o trajeto Av. Brasil x NorteShopping, contou que gastava 40 minutos para completar seu itinerário, mas agora está levando entre 1h30 e 2h. “Para nós moradores da Maré está muito ruim esse trânsito, vai melhorar para quem trabalha na Barra”, opina. Antes, ele costumava fazer em um dia até 12 voltas. Este número caiu para sete, no máximo. O motorista mudou até o seu horário devido aos engarrafamentos, deixando de trabalhar na parte da manhã e preferindo tarde e noite, quando a situação é menos pior.

Glauber Nascimento, morador da Maré, trabalha em Del Castilho e para chegar ao seu destino está demorando uma hora, antes o tempo era de 30 minutos. “Para mim essas obras são só aparência”, diz. As maiores dificuldades para ele são a lotação e o tempo que fica dentro do ônibus.

Outra mudança sentida pelos entrevistados refere-se aos fins de semana. Os dias de sábado e domingo já foram mais tranqüilos, sem o incômodo dos engarrafamentos. Hoje em dia não se pode dizer o mesmo.

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, a cidade viverá intervenções com impacto no trânsito até os Jogos Olímpicos de 2016. A Transcarioca, ao menos, estará pronta em breve, antes da Copa.

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[toggle title=”Agora vai, CEDAE?”]

Por: Silvia Noronha

Cedae anuncia de novo o início das obras no sistema de esgoto

 A Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae), do governo do estado, voltou a anunciar investimentos na Maré, que deveriam ter sido iniciados em março do ano passado. O presidente da Cedae, Wagner Victer, informou que serão investidos quase R$ 450 milhões no sistema integrado de tratamento final de esgoto da Maré e de todas as comunidades que têm rejeitos lançados no Rio Faria Timbó e na Baía de Guanabara, pela Sub-Bacia do Canal do Cunha.

A licitação CN 44/2013 está em andamento, porém a companhia aguarda o ok final do Tribunal de Contas da União para receber as propostas. Uma parcela dos recursos é do governo do estado e outra um empréstimo da Caixa.

Estão previstos a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Alegria, no Caju, para onde serão levados os rejeitos orgânicos da região; a implantação de troncos coletores; e também a revisão da rede existente na Maré.

Questionado se a situação atual vai melhorar para os moradores e não apenas para a qualidade das águas da Baía de Guanabara, Victer garantiu que sim. “Claro que vai melhorar porque na realidade aquelas seis elevatórias muito antigas da Maré, que são as principais razões dos problemas, serão desativadas e colocada uma grande elevatória moderna”, afirmou ele, após se reunir com os dirigentes das Associações de Moradores, em 5 de maio, na Baixa do Sapateiro.

Victer garantiu ainda que haverá melhoria da rede coletora de esgoto. “Muitas redes que estiverem assoreadas ou abatidas (quebradas) vão sofrer intervenções. Eventualmente se tiver abatido pode abrir (a rua) ou botar um equipamento que a gente tem, que importamos dos Estados Unidos agora, chamado Topeirinha, que entra e desobstrui a rede”, explicou ele.

Segundo anunciado na reunião, os trabalhadores da futura obra serão contratados na própria comunidade. Em breve será feita uma campanha educativa para que moradores e comerciantes não joguem objetos na rede de esgoto, como lixo e entulho. Outra ação a ser avaliada em breve é o recadastramento dos imóveis, em função dos problemas já detectados na entrega da conta nas comunidades onde há cobrança de tarifa social da Cedae.

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[toggle title=”Dia de São Jorge é dia de…Feijoada!”]

Por: Rosilene Miliotti

Evento promovido pelo Boca de Siri já se tornou tradicional e este ano reuniu 400 pessoas

 “Vou acender velas para São Jorge / A ele eu quero agradecer / E vou plantar comigo-ninguém-pode / Para que o mal não possa então vencer” (trecho da música Pra São Jorge, composição de Pecê Ribeiro, interpretada por Zeca Pagodinho). Para todo bom devoto de São Jorge, 23 de abril é dia de passar pela igreja – ou pelo terreiro – pela manhã; rezar, agradecer, pedir e depois saudar o santo com feijoada e samba no pé. Não foi diferente no Parque Roquete Pinto, na Maré. Pelo quarto ano, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Boca de Siri promoveu uma feijoada em homenagem ao santo.

O evento reuniu cerca de 400 pessoas, a maior parte de fora da comunidade. Eufrasio Gomes Junior, tesoureiro da agremiação, aproveita para convidar os moradores para os próximos eventos. “Infelizmente a comunidade ainda não aderiu. A comunidade comparece para desfilar, mas todos os eventos feitos por nós têm muito mais pessoas de fora do que moradores do entorno”, lamenta ele. Devoto de São Jorge, Eufrasio diz que a feijoada foi criada após a escolha do enredo que homenageava o santo.

O evento tem o objetivo de arrecadar fundos para ajudar no desfile da agremiação. Com o feijão bem temperado e samba do bom, os participantes não se limitam a um prato apenas. Na feijoada do Boca de Siri você come o quanto quiser. São cerca de 40 quilos de carnes e 15 quilos de feijão.

O artesão Ubirajara Cardoso de Moura, o Bira, conta que conheceu o Boca ainda quando era bloco. “Ajudo a escola doando meus artesanatos para sorteios”, diz. Para ele, o fato de os moradores não aderirem aos eventos da escola não é exclusividade do Boca de Siri. “Na Mangueira têm moradores que não participam de nada que a Escola promove, mas aparecem para desfilar na ala da comunidade. Aqui a cerveja custa R$ 3, mais barato que no bar. Comprem pelo menos a cerveja aqui para ajudar”, brinca.

Fé e feijoada

 A devoção ao santo acontece no mundo inteiro. Padroeiro de Portugal, Inglaterra e da Catalunha, dos soldados, militares, ferramenteiros e ferroviários, São Jorge enfrentou e venceu seus inimigos e dragões, que hoje, fazendo um paralelo, poderiam ser nossos problemas.

No Brasil, a devoção cresceu pelos escravos que, proibidos de adorar seus Orixás, passaram então a fazer seus pedidos, cultos e rituais fora das igrejas, associando a imagem de São Jorge a Ogum. Ogum é o Orixá da guerra, do fogo e da tecnologia.

E por que feijoada? Na cozinha afrodescendente há pratos que chegaram dos terreiros e foram para as mesas das casas, feiras e restaurantes. Isso aconteceu com a feijoada gorda. Já na feijoada à baiana, base para a de Ogum /São Jorge, o feijão torna-se sagrado e integra-se ao calendário das festas em muitos terreiros. Comer este prato é uma forma de manter o sentido religioso da festa.

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