A  Maré é um dos maiores conjuntos de favelas do Rio de Janeiro. É onde vivem  hoje 130 mil pessoas, em comunidades que se estendem entre a avenida Brasil e a Linha Vermelha – duas das mais importantes vias de acesso à cidade.

A localização da Maré às bordas de uma das principais avenidas da cidade não é por acaso. Foi justamente com a criação da avenida Brasil, que as primeiras famílias que ocuparam a Maré construíram suas casas.

A ocupação da Maré começou na década de 1940, com as comunidades de Parque Maré, Morro do Timbau e Baixa do Sapateiro. Na década de 1950 surgiram Parque Rubens Vaz e Parque União, seguidas da Nova Holanda – originada do Centro de Habitação Provisória criado para abrigar temporariamente famílias removidas de outras favelas cariocas,  na década de 1960.

Essas comunidades ocuparam e demarcaram territórios ao longo da Avenida Brasil e se expandiram posteriormente na direção do Canal do Cunha e da Baía de Guanabara – embora já existissem núcleos de pescadores na região desde o final do século 19.

Foi nesta época que os primeiros moradores se estabeleceram no que é hoje o Morro do Timbau – único local seco da Maré, já que toda a área era um imenso manguezal.

As palafitas que serviram de morada para centenas de famílias ainda estão nas lembranças da Maré, assim como as memórias de lutas pela permanência de suas moradas diante das tentativas de remoção por parte do Estado, nos anos 1960 e 1970.

A Maré continua sofrendo transformações durante a ditadura militar e, em 1979, é anunciada a construção de conjuntos habitacionais para transferir famílias que seriam removidas de favelas da cidade. É neste momento que surge a Vila do João, no âmbito do Programa Morar (Pro-Morar), para remoção de famílias residentes em palafitas.

Em 1990 mais dois conjuntos habitacionais são criados em áreas aterradas de manguezal, para abrigar famílias removidas de lugares classificados como “áreas de risco” (encostas de morros, margens inundáveis de rios) e moradores de rua e para famílias que ainda habitavam em palafitas na Maré. Surgem assim comunidades Nova Maré, Bento Ribeiro Dantas e Roquete Pinto.

Embora a Maré tenha sido reconhecida oficialmente como bairro da cidade em 1994, por força de lei municipal, esta nova realidade não significou mudanças profundas na vida dos moradores – seja na relação com os governos nas diferentes esferas, seja com a própria cidade.

A realidade é ainda há muito o que se investir, notadamente em educação (apenas duas escolas da Maré oferecem ensino médio, obrigando os jovens a continuar seus estudos em outros bairros da cidade), mas em muitas outras áreas de atuação do Poder Público.

Por fim, em 2000, é construído o conjunto Salsa e Merengue. Mais uma vez, famílias de lugares distintos e distantes foram levadas para reconstituir sua vida neste complexo arquipélago de favelas.

É nesse contexto que a Maré se consolida como território popular, densamente habitado por grupos sociais de baixos salários (a renda familiar não ultrapassa 2,5 salários mínimos), que precisam inventar suas condições de existência a cada dia.

Hoje são, ao todo, cerca de 40 mil domicílios distribuídos em 16  comunidades com fisionomias distintas, características próprias, diferentes contextos de ocupação e costumes e culturas diversas – realidade que contribuiu decisivamente para a diversidade e riqueza cultural existente na Maré.

A Baixa do Sapateiro se desenvolveu em uma área de baixada, alagadiça, e sua ocupação – com início em 1947 – se deu de forma desorganizada. Suas primeiras residências foram construídas em palafitas de madeira e ficou conhecida como Favelinha do Mangue de Bonsucesso. Para o nome atual, três versões são difundidas: a de que haveria um sapateiro na ocupação inicial da área; de que seria uma alusão à Baixa dos Sapateiros em Salvador-BA; e de que seria uma referência à vegetação de manguezal, em que predominava a espécie Rhizophora mangle (mangue vermelho), conhecida popularmente como sapateiro (usada para a produção de tamancos).

Sua ocupação se deu no início das obras para construção da Avenida Brasil e teve seu primeiro grande aterro no projeto de construção da Cidade Universitária, no entorno da Ilha do Fundão. A região se tornou trânsito obrigatório para quem ia e vinha do Fundão. Na busca por uma maior organização e de defesa de moradia digna, surge em 1957 a Associação de Moradores da Baixa do Sapateiro. Registros indicam que as últimas palafitas foram demolidas na década de 1980, por iniciativa do Projeto Rio, do governo federal.

Associação de Moradores da Baixa do Sapateiro

Telefone: (21) 2290-1092

Erguido no ano de 1992, a comunidade de Bento Ribeiro Dantas ocupa a área onde existiu a praia e o Porto de Inhaúma. Os seus moradores vieram de outras favelas, consideradas de risco pelos técnicos da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, por meio do Programa Morar Sem Risco e que não podiam ser urbanizadas pelo Programa Favela-Bairro, implantado a partir de 1994.

Associação de Moradores Bento Ribeiro Dantas

Telefone: (21) 2005‐5890

Conjunto habitacional erguido em 1982 às margens do Canal do Cunha pelo Projeto Rio, do governo federal, e originalmente com 35 edifícios totalizando 1.400 apartamentos, o Conjunto Esperança recebeu na sua fundação cerca de 7 mil pessoas.

Associação de Moradores do Conjunto Esperança

Telefone:(21) 2573‐5958

Formada na antiga Praia das Moreninhas, entre os terrenos da Casa do Marinheiro e da fábrica Kelson, o Conjunto Habitacional Marcílio Dias iniciou seu processo de ocupação em 1948 com algumas famílias de pescadores que ergueram palafitas. Dentro da comunidade Marcílio Dias outras menores a integram: Mandacaru, Terra Nostra e Kelson.

Associação de Moradores de Marcílio Dias

Telefone: (21) 2584‐2338

O Conjunto Habitacional Nova Maré foi inaugurado pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro em 1996, com o objetivo de assentar moradores removidos de palafitas no Parque Roquete Pinto, também na Maré. No Conjunto Nova Maré está ainda a Vila Olímpica da Maré.

Associação de Moradores da Nova Maré

Telefone: (21) 3105‐4180

Essa comunidade nasceu de um conjunto habitacional inaugurado em 2000, pela Prefeitura Municipal, com o nome oficial de Novo Pinheiro. Foi criado para assentar moradores removidos da comunidade conhecida como “Kinder Ovo” e do entorno do Rio Faria Timbó. Embora tenha história e características próprias, não conta ainda com uma Associação de Moradores, sendo incluído tradicionalmente na Vila do Pinheiro. O seu nome popular é uma alusão a uma telenovela, por conta do colorido das casas.

Associação de moradores Conjunto Pinheiro e Salsa e Merengue

Telefone: (21) 3109-2576

O Conjunto Habitacional Pinheiros foi construído em 1989 pelo Projeto Rio, do governo federal. Em 1999, os 34 prédios passaram por reformas custeadas pela Companhia Estadual de Habitação (CEHAB). A reforma consistiu na recuperação do revestimento externo, pintura externa das esquadrias, impermeabilização das caixa d’águas, reforma dos telhados e saneamento básico.

Associação de Moradores do Conjunto Pinheiros

Telefones: 3109‐04‐26 / 3104‐ 7502

Originalmente uma área seca entre os manguezais e alagadiços à margem da Baía de Guanabara, o Morro do Timbau era um dos poucos pontos de terra firme antes dos aterros realizados na localidade. Sua ocupação se dá em meados da década de 1940, com a abertura da Avenida Brasil.

Em 1954 é fundada sua Associação de Moradores , uma das primeiras em favelas do Rio de Janeiro. Aos poucos a organização comunitária começou a render frutos, tais como a distribuição de água, eletricidade, esgoto, pavimentação e coleta de lixo. Com o Projeto Rio, os moradores da área conseguiram a propriedade da terra.

Associação de Moradores do Morro do Timbau

Telefone:  (21) 3105‐7008

Construída pelo poder público na década de 1960, a Nova Holanda foi concebida como um Centro de Habitação Provisório (CHP) destinado aos moradores de morros do Rio que foram demolidos para a ampliação da cidade. Os seus primeiros moradores chegaram em 1962, oriundos da remoção da Favela do Esqueleto (atual campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro), da Praia do Pinto, do Morro da Formiga, do Morro do Querosene e das margens do Rio Faria Timbó, sob a coordenação da Fundação Leão XIII, que controlava tanto o processo de remoção quanto o gerenciamento dos CHPs.

As casas provisórias de madeira acabaram por se tornar definitivas, e na década de 1970 solidificam-se grupos de apoio à comunidade, como o grupo de mulheres e o grupo de jovens da Igreja Católica. Em 1979 é realizada a primeira Assembleia para a criação da Associação de Moradores da Nova Holanda.

Associação Pró-desenvolvimento da Comunidade Nova Holanda

Telefone: (21) 3105-7148

As primeiras palafitas e barracos foram erguidos no início da década de 1950, na área de mangue, mais próximo à Avenida Brasil. Para a construção de um aterro coletivo, os moradores pediam aos caminhões de entulho que transitavam pela Avenida Brasil que despejassem a sua carga ali. O nome tem origem no fenômeno natural das marés que causava grande sofrimento aos moradores da localidade, a maioria vivendo em palafitas. Sua ocupação consolidou-se após a atuação do Projeto Rio, do governo federal, nas décadas de 1980 e 1990, quando foram demolidas as últimas palafitas e construídas casas de alvenaria.

Associação de Moradores do Parque Maré

Telefones: (21) 3105‐6930 / 3104‐4380

A comunidade surgiu de uma série de aterros realizados pelos próprios moradores, a partir de 1955, no manguezal localizado no final da Rua Ouricuri. O processo de urbanização deu lugar a domicílios de alvenaria. O seu nome é uma homenagem a Edgar Roquette-Pinto, fundador da primeira rádio do Brasil.

Na época da ocupação havia antena e transmissores da Rádio Roquette Pinto no local, algo que funcionou até 1995. A comunidade de Roquete Pinto, apesar da proximidade com o Piscinão de Ramos – que hoje se tornou um ponto turístico -, sofre com a ausência de infraestrutura e de saneamento básico.

Associação de Moradores do Parque Roquete Pinto

Telefone: (21) 3105‐ 9183

A comunidade se formou em 1954, com o nome de Areal por conta da areia que atingia a região, oriunda da drenagem e canalização do canal da Zona Portuária. Também ficou conhecida como Caracol, mesmo nome da passarela que cruza a Avenida Brasil e se localiza próximo da área. A ocupação do Rubens Vaz começou junto ao canal do Rio Ramos, que hoje é uma grande vala, chamada pelos moradores de “valão”. O aterro foi realizado pelos próprios moradores que utilizaram carvão, serragem e entulhos. Um detalhe importante na demarcação do limite dos lotes: o barraco era construído na frente do terreno e o banheiro nos fundos, para aumentar a área do lote. Quando uma família não tinha condições de construir o banheiro, utilizava uma ponte de madeira para usar o banheiro do vizinho. O nome Parque Rubens Vaz foi oficializado em 1965, homenagem ao militar da Força Aérea Brasileira (FAB), o Major Rubens Vaz.

Associação de Moradores do Parque Rubens Vaz

Telefone: (21) 3105‐7146

Formado a partir de um loteamento promovido pelo advogado Margarino Torres, que demarcou lotes e os vendeu por valores acessíveis, o Parque União passou por um processo de aterro realizado por uma empresa particular, quando se deu o início da construção de barracos. As casas eram construídas em madeira e as paredes de alvenaria eram feitas internamente, às escondidas. Segundo a população, o governo proibia essa forma de construção. A madeira só era retirada quando a casa já estava praticamente pronta.

No início da década de 1980, estava planejada uma desocupação da comunidade, organizada pelos militares. Os moradores se organizaram e enviaram uma carta ao então presidente João Figueiredo. Depois de muita resistência por parte dos moradores, a ideia de remoção foi descartada.

Associação de Moradores do Parque União

Telefone: (21) 3882‐5510

A região começou a ser ocupada com uma comunidade de pescadores que surgiu por volta de 1962. Tratava-se da praia mais famosa do subúrbio carioca, conhecida como Mariangú, que na linguagem indígena significa mangue. Esse antigo balneário está poluído e o banho de mar, proibido. Para garantir a utilização de uma das poucas áreas de lazer públicas da região, foi inaugurado em dezembro de 2001 um grande lago artificial, que ficou conhecido como Piscinão de Ramos. Hoje, a área é administrada pela Prefeitura e foi rebatizada de Parque da Vizinhança de Ramos.

Associação de Moradores da Praia de Ramos

Telefones: ( 21) 3109‐0426 / 3104‐ 7502

Conjunto habitacional erguido pelo Projeto Rio, do governo federal, no início da década de 1980 a construção da Vila do João gerou polêmicas porque se limitava a erradicar as áreas alagadas, deixando os cidadãos removidos sem moradia. Segundo levantamento da época, um terço dos habitantes da Maré moravam sobre palafitas, principalmente nas comunidades da Baixa do Sapateiro e Parque Maré. Depois de longa resistência, os moradores começaram a ser transferidos para a Vila do João, primeiro conjunto habitacional do Projeto Rio. O objetivo era acabar com moradias construidas precariamente. As casas pré-fabricadas sobre aterros na Baía de Guanabara caracterizaram a comunidade, que tem em seu nome original uma homenagem ao então Presidente da República, General João Baptista de Oliveira Figueiredo e na creche, batizada de Tia Dulce, uma alusão à primeira-dama Dulce Figueiredo.

Associação de Moradores da Vila do João

Telefone: (21)  3104‐9785

A área da Vila do Pinheiro fez parte da segunda fase do Projeto Rio e destinava-se a reassentar os moradores das palafitas sobre aterros dos manguezais, com financiamento do extinto Banco Nacional de Habitação (BNH). A região genericamente denominada como “Pinheiro” é fruto de um aterro que ligou a Ilha do Pinheiro ao continente e atualmente é um parque ecológico, conhecido como “Mata”. Essa comunidade teve como característica a construção fragmentada. De início, a Vila do Pinheiro foi constituída por conjuntos habitacionais com casas de pequenas dimensões. Nos anos de 1990, a Prefeitura usou outro terreno para abrigar temporariamente 209 famílias removidas de áreas de risco da cidade. A penúltima fase seria um desligamento, que receberia o nome de Vila Pasqualini, algo não aprovado pelos moradores. E por fim, surgiu uma nova ocupação que recebeu moradores remanescentes de enchentes, e que não foram agraciados com residências em outras comunidades. Essas casas foram batizadas popularmente como Marrocos.

Associação de Moradores da Vila do Pinheiro

Telefone: (21) 3109‐2576