Espaço Normal – Redes da Maré

Espaço Normal – espaço de referência sobre drogas na Maré

Desenvolvimento Territorial


Fruto de três anos de pesquisa e intervenção junto com as cenas de uso de crack e outras drogas localizadas na Flávia Farnese e na Avenida Brasil, a Redes da Maré inaugurou, em maio de 2018, o primeiro espaço de referência sobre drogas em um território de favela.

O principal objetivo é pautar uma agenda positiva sobre práticas de redução de danos e políticas de cuidado a pessoas que usam crack, álcool e outras drogas, a partir da convivência e da articulação de uma ampla rede de cuidado no território, estimulando a criação de vínculos, diálogos e narrativas alternativas para denunciar os efeitos da guerra às drogas.

O Espaço Normal articula três frentes de atuação : (1) criação de alternativas para pessoas com uso prejudicial de drogas e familiares; (2) articulação institucional e territorial para construção de uma agenda local de redução de danos, e (3) sensibilização e produção de conhecimento sobre práticas de redução de danos em contextos de violência.

Horário de atendimento portas abertas:

Espaço de convivência: de segunda à sexta das 14h às 18h

Atendimento sócio-jurídico: quartas e sextas das 14h à 18h

Endereço : Rua das Rosas 54 – Nova Holanda

Telefone : 31054767

Email: espaconormal@redesdamare.org.br

Principais realizações:

• Diagnóstico social dos usuários de drogas da Flávia Farnese a partir de 60 entrevistas, que deram origem ao artigo “Meu nome não é Cracudo” (2016);

• Pesquisa e produção de conhecimento: publicação de 03 artigos : “Meu nome não é Cracudo” (2016); “Meu nome não é Cracudo” (2016); “Isto não é um banheiro: o que a construção participativa de um banheiro em uma cena aberta de crack revela sobre práticas de redução de danos no Rio de Janeiro?” (2017); “E preciso estar atendo e forte – contribuições para o cuidado a usuários de crack, álcool e outras drogas a partir da cena da Rua Flávia Farnese 500, Maré, Rio de Janeiro” (2017).

• Atividades culturais para os moradores da Flávia Farnese, tais como Cineminha na Cena com projeção de filmes, além de encontros fotográficos que resultaram na exposição Anotações de uma aproximação (2015) e a intervenção com fotografias lambe-lambe “Você me vê quando me olha?", na Avenida Brasil (2016); vídeo documentário sobre o Normal, quem deu o nome ao espaço (2017).

• Articulação territorial a partir da criação Fórum de Atenção e Cuidado a pessoas que usam Álcool e outras Drogas na Maré, que reúne mensalmente profissionais de saúde, assistência social e representantes de outras instituições que atuam na Maré. A iniciativa deu origem, em junho de 2017, ao Atenda, polo de atenção integrada na Avenida Brasil; criação do Fórum territorial Politicas de drogas, Saúde e Violência que reúne atores e instituições da Maré, Manguinhos, Jacarezinho e Complexo do Alemão.

• Construção de um banheiro na cena da Flavia Farnese 500, junto com os moradores locais, numa perspectiva de redução de danos;

• Inauguração do Espaço de convivência no Espaço Normal (maio de 2018) que funciona de portas abertas e oferece banho, cozinha, roupas, roda de conversa e encontros coletivos, atendimento sócio-jurídico.

• Diálogos sobre Drogas em parceria com o Movimentos

Equipe de redutores de danos:

Coordenação Geral: Maïra Gabriel Anhorn

Coordenação do Espaço Normal : Luna Arouca

Articulador territorial: Henrique Gomes, André Galdino

Articulador institucional : Rodrigo Nascimento

Assistente social : Dayana Gusmão

Advogada: Aline Pancieri

Apoio: Paulo Ricardo Santos de Azevedo

Mobilizador: Nelson Teixeira – Associação de Moradores do Parque Maré; Lilian Leonel

Apoio financeiro:

Open Society Foundations

Parcerias:

Associação de Moradores do Parque Maré

Núcleo Interdisciplinar de Ações para Cidadania (NIAC/UFRJ)

Centro de Estudos sobre Segurança e Cidadania (CESeC)

CAPSad III Miriam Makeba

SMASDH/CASDH

SMASDH/4ª CDS

Consultório na Rua Manguinhos

CREAS Nelson Carneiro

CRAF Tom Jobim

Hotel Solidário Profeta Gentileza

Clinica da Família Jeremias Moraes da Silva

NASF

CNDDH – Conselho Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e dos catadores de Materiais Recicláveis / RJ Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e Defensoria Pública da União

Movimentos

Escola Estadual Professor Joao Borges

Escola Municipal Bahia

Programa Crack, Álcool e outras drogas - Fiocruz

Plataforma Brasileira de Política de Drogas – PBPD

Defensoria Publica do Estado do RJ (NUPEM E NUDEDH)

Cineminha na Cena: Bhega Silva – Cineminha no Beco


Publicações

Populações em situação de rua

O presente artigo sistematiza os resultados das pesquisas7 bibliográficas realizadas pelas equipes do Núcleo de Pesquisa sobre Políticas de Prevenção da Violência e Acesso à Justiça e Educação em Direitos Humanos (NUPPVAJ) da UFRJ que buscaram, entre 2013 a 2017, aprofundar o fenômeno das populações em situação de rua. Neste processo, além de diversas questões de ordem ético-política implicadas, foram identificados desafios metodológicos e teóricos relevantes. Particularmente, uma discussão conceitual se apresentou a partir das explorações de um paradoxo constitutivo das populações estudadas: o contato das populações em situação de rua com o poder público demonstrava ocorrer mais caracteristicamente mediado por agentes da Segurança pública em detrimento da assistência social e demais agentes garantidores de direitos.

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Meu nome não é cracudo

Em 2015 a Redes da Maré desenvolveu um processo de aproximação à cena aberta de consumo de drogas da rua Flávia Farnese, na Maré, atípica no Rio de Janeiro por sua estabilidade geográfica e demográfica. Combinando observação participante, criação de vínculos, intervenção, articulação institucional e entrevistas semiabertas com 59 dos cerca de 80 moradores da cena, buscou-se traçar o perfil e identificar as demandas dos moradores, entender as dinâmicas incidentes no espaço que ocupam e mapear as políticas de atendimento que ali atuam. Ponto de convergência de problemas sociais urbanos e contexto marcado por diversas violências, discriminações e trajetórias de marginalização, o estudo da “cracolândia” revela a urgente necessidade de políticas públicas integradas, capazes, inclusive, de ampliar as práticas de redução de danos para além das relacionadas diretamente ao uso de drogas. Revela também a importância da mediação de uma organização da sociedade civil integrada no território para articular demanda e oferta de políticas públicas, e facilitar a formulação de estratégias sustentáveis de atendimento aos usuários de drogas em situação de rua.

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