EIXO DE EDUCAÇÃO

A dimensão educativa do trabalho da Redes da Maré se faz presente em todos os seus projetos, por meio de iniciativas que promovem múltiplos aprendizados entre moradores, tecedores e demais agentes que integram o cotidiano da Maré. O desafio maior de promover o desenvolvimento territorial da região torna a educação um eixo fundamental a ser trabalhado, devido ao seu caráter estruturante de outras áreas da vida. Nesse sentido, atuamos nos campos formal e informal da educação.

Desde o seu surgimento, a Redes da Maré desenvolve projetos que buscam ampliar o tempo de estudo dos moradores da Maré, por meio do incentivo e preparo para os exames das principais universidades públicas do país. Com o passar do tempo, complexificamos a atuação nessa área, através da execução de outros projetos de ampliação do acesso e da qualidade do ensino. Compreendemos, assim, que a promoção de novas e mais diversas oportunidades educativas aos moradores da Maré, passa pela necessidade de interferir nas políticas públicas educacionais com ações que interfiram nos níveis individual e coletivo.

PROJETOS

Complementação Escolar

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Conectando

Projeto Conectando

Alunos do curso de informática básica Foto: Elisângela Leite

Com o objetivo de ampliar as condições de acesso a equipamentos e à tecnologia, o projeto Conectando oferece cursos básicos de informática, como Windows, Word, Excel, Power Point e Internet, e curso de Montagem e Manutenção de Computadores. Voltado para moradores da Maré, são abertas 80 novas vagas de quatro em quatro meses, formando 10 turmas.

Além da parte técnica, o Conectando oferece ainda palestras sobre segurança na internet e como utilizar as ferramentas do curso para inserção no mercado de trabalho, ou até mesmo como desenvolver atividades que gerem renda a partir das aulas.

Equipe

Coordenação: Patricia Vianna

Educadores: Gabriel Santos e Leandro Queiroz

Contato

Telefone: 3105-5531

E-mail: redes@redesdamare.org.br

Apoiadores

Recode

Starfish Foundation

Curso de Formação Profissional em Drywall

O que é?

O Curso de formação profissional em Drywall faz parte do eixo de Educação da Redes da Maré, sendo uma iniciativa pensada a partir da necessidade de  jovens da região que buscam se qualificar no intuito de garantir  seu próprio sustento e, com isso, contribuir na renda familiar. Objetiva, também, promover a formação profissional desses jovens na atividade de instalação em Drywal, a fim de melhor qualificá-los para o mercado de trabalho. O Drywall – que significa, em português, “parede seca”, é uma tecnologia que substitui as vedações internas convencionais (paredes, tetos e revestimentos) de edifícios de quaisquer tipos por placas de gesso aparafusadas em estruturas de perfis de aço galvanizado, tendo chegado ao Brasil há mais ou menos 20 anos e tem pouquíssimos profissionais qualificados para trabalhar nesta área. Sendo assim, o Curso abre muitas possibilidades e oportunidades para que os jovens intessados em se tornar profissionais desta tecnologia tenham uma boa formação, especialmente porque as aulas são ministradas por uma instituição muito reconhecida e qualificada, que é o Senai. Neste ano, foram inseridos no Projeto de formação profissional em Drywall 34 jovens, selecionados entre as 16 favelas da Maré.

Como funciona?

Em 2016, o Curso de Instaladores de Drywall chega ao quarto ano de vida, e já capacitou mais de 100 moradores da Maré. É voltado para homens e mulheres com idade entre 18 e 30 anos, moradores da Maré e que tenham o Ensino Fundamental completo. O Curso é fruto de uma parceria entre a Redes da Maré, Ireso, Knauf do Brasil, Senai e da Empresa Fischer Brasil. Tem a duração de seis meses, sendo que, durante os quatro meses iniciais, o Senai trabalha a parte teórica e prática (300 horas), com aulas intercaladas  da Ireso (40 horas) e da Redes da Maré (40 horas).

Aulas campo e Prática assistida

Durante o Curso, os alunos visitam a fábrica da Knauf do Brasil, em Queimados, participam de uma formação na Empresa Fischer do Brasil e, nos dois últimos meses do Curso, vivenciam aulas práticas assistidas (150 horas).

Equipe

A equipe do Projeto de formação profissional (Curso de Instaladores de Drywall) é composta por uma coordenadora-geral, uma supervisora, um assistente de coordenação e dois educadores (um do Senai, um da Redes da Maré).

Coordenação e Supervisão

Patrícia Vianna (Coordenação-Geral)

Anna Katharina Lenz (Supervisão)

Douglas Viana (Assistente de Coordenação)

Educadores

Redes da Maré – Ernani A. Alcides

Senai –  Avenir Vicente de Oliveira

Histórico de Aprovações

De 2013 a 2016, foram 117 alunos formados no Curso.

Apoio e Parcerias

O Projeto tem a parceria da Ireso, Knauf, Fischer Brasil e Senai.

Contatos

Secretaria da Redes da Maré

redes@redesdamare.org.br

55 (21) 3105-5531

55(21) 3105-1568

Coordenação-Geral: Patrícia Vianna

patricia@redesdamare.org.br

Curso Pré-Vestibular

Foto: Elisângela Leite

O que é?

O Curso Pré-Vestibular Rede de Saberes (CPV) é um proposta de formação, cujo objetivo principal é contribuir para que moradores, prioritariamente do bairro Maré, tenham acesso ao ensino de terceiro grau em Instituições de excelência. Além disso, possibilita à ampliação da escolarização de todos os inseridos no projeto e o desenvolvimento da consciência crítica que incentive atitudes de mudança e ações transformadoras, visando o estabelecimento de condições para que uma sociedade mais justa e democrática seja possível.

Neste sentido, a abordagem crítica dos conteúdos programáticos, dentro ou fora de sala de aula, não esgota a finalidade do processo educacional, mas se defini como meios e processos que permitem aproximações problematizadoras dos conflitos, contradições e desafios sócio-políticos, cuja compreensão e entendimento constituem condições essenciais para efetivação de mudanças, em nível local ou em escala mais ampliada, do contexto de produção da cidade.

Assim, o projeto se insere no campo da educação popular e se afirma como alternativa de formação que valoriza a bagagem sócio-cultural, tanto dos alunos quanto dos educadores, durante todo o ano letivo, no desenvolvimento das atividades e ações.

 

Como Funciona?

O CPV funciona em período noturno, sendo três turmas em Nova Holanda, na Sede da Redes da Maré, e uma  quarta turma na Associação de Moradores da Vila do João.

São oferecidas 240 vagas no total e garantida uma carga horária semanal de 20 horas/aula, 4 horas por dia, de segunda a sexta de 18:30h até 22:45h.

As disciplinas oferecidas são aquelas requeridas nas provas do ENEM, exames de qualificação e provas discursivas da UERJ.

Alem das aulas noturnas, eventualmente, são oferecidas aulas aos sábados para resolução de exercícios, eventuais necessidades de reforço em alguma disciplina e aulas multidisciplinares.

Atividades Extraclasse

Aulas Campo

As Aulas Campo têm como objetivo fundamental a ampliação do acesso aos bens culturais da nossa cidade e estado, sempre focalizando temas e questões atuais e relevantes, fundamentais para o desenvolvimento do pensamento crítico e produção de atitudes questionadoras frente aos problemas e conflitos que caracterizam a tensa relação entre os espaços populares e a produção da cidade.

ATIVIDADES REALIZADAS EM 2016

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Em 03 de abril foi organizada a Aula-campo da Maré, em que os alunos com professores de história, geografia e biologia percorreram algumas favelas do bairro Maré observando semelhanças e diferenças, sobretudo em relação às condições sócio-materiais.

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Em 22 de maio foi realizada a Aula-campo do Rio Antigo – Morro da Conceição e Cais do Valongo. Uma comparação das duas grandes reformas urbanísticas ocorridas na cidade do Rio de Janeiro: a do Prefeito Pereira Passos, no início do Séc. XX, e a que foi realizada, recentemente, pelo Prefeito Eduardo Paes.

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Em 26 de junho, foi realizada a Aula-campo Serra do Mendanha no Maciço do Gericinó – Abordagem multidisciplinar sobre crescimento urbano, a tensão constante entre o progresso e a necessidade de preservação do que ainda resta da Mata Atlântica e relação capital-trabalho no processo de desenvolvimento e expansão urbana que promove a ocupação desordenada de regiões da Cidade que deveriam ser preservadas.

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Em 23 de Outubro – Aula Campo de Petrópolis, com visitação à Casa do Colono, O Quitandinha, Casa de Santos Dumont, Museu Imperial e à Catedral São Pedro de Alcântara. O evento caracterizou-se por uma abordagem multidisciplinar, envolvendo História, Geografia e Biologia.

Petrópolis, também chamada de Cidade Imperial, é uma cidade de grande importância histórico-cultural, em razão do conjunto arquitetônico e pela sua importância política, pois D. Pedro II governou durante 49 anos, tendo exercido o poder imperial por, pelo menos, 40 verões daquela cidade, que fica localizada na região serrana do Rio de Janeiro, cuja topografia e fauna favorecem a referida abordagem multidisciplinar.

Palestras, debates, exibição de filmes e documentários:

Todas as atividades são construídas coletivamente, levando em conta os Parâmetros Curriculares Nacionais em relação ao desenvolvimento das competências e habilidades que valorizem a afirmação da cidadania, o respeito às diferenças e o reconhecimento da diversidade étnico-cultural  como algo positivo de nossa cultura, que precisa ser reforçado e levado em conta, na medida em que é necessário educar para democracia se a perspectiva é uma sociedade mais democrática.

Essas alternativas permitem a produção de conhecimento e massa crítica de informação sobre temas e questões cruciais da atualidade, complementando as atividades didáticas desenvolvidas em sala de aula.

ATIVIDADES REALIZADAS EM 2016

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No dia 01 de março, foi realizado o encontro entre os alunos aprovados em 2015 com os alunos das turmas do CPV de 2016, para que os alunos aprovados possam contar suas estratégias e formas de estudo (individuais e coletivas), compartilhar suas dificuldades e, também, a felicidade e a emoção da conquista realizada.  Esse encontro tem caráter motivador.

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Em 17 de março, promovemos a exibição do filme “Numa Escola Em Havana”, seguida de roda de conversa sobre educação, escola pública de qualidade, democracia e desafios para o desenvolvimento de uma educação crítica e questionadora, em que o educador, como defendia Paulo Freire, se esforça para conhecer o contexto social do educando … “Educação como prática da liberdade”

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Em 08 de abril foi organizado um encontro com o Filósofo Prof. Charles Feitosa (UNIRIO) – Seminário Utopia – Um diálogo sobre crença na possibilidade de mudança, transformação e condição de sujeito histórico.

O encontro teve um caráter formador para todos os participantes e constituiu-se em uma oportunidade de reflexão sobre ação coletiva e possibilidades de experiências transformadoras. O mundo pode ser melhor para se viver e devemos participar dessa construção.

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Em 16 de maio, foi realizado debate sobre “Democracia e atual conjuntura política brasileira”, com participação do Prof. Chico Alencar – História/UFRJ. Uma reflexão sobre o projeto republicano, a democracia, o significado do impedimento da Presidente eleita Dilma Rousseff e a crise política atual.

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Em 21 de julho – Exibição do filme Favela Gay, seguido de roda de conversa sobre liberdade de escolha, respeito às diferenças e garantia do direito a autodeterminação.  Foi um bom debate com centralidade na importância e necessidade da afirmação da condição de direitos e das estratégias de combate a todas as formas de homofobia.

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Em 26 de julho  – Seminário Tereza de Benguela – Na Luta Pela Igualdade – Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha no Centro de Artes da Maré. Uma boa roda de conversa sobre desigualdade de gênero, feminicídio, condição da mulher negra na sociedade brasileira e no contexto mais ampliado da América latina. O debate reafirmou a necessidade de se criar condições para garantia da autodeterminação feminina como condição necessária para construção da igualdade entre homens e mulheres, independentemente de diferenças étnicas.

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Em 02 de Setembro – Sarau do CPV foi um evento cultural construído coletivamente entre alunos e professores, cuja programação se desenvolveu com performances, recital de poesias de autores consagrados e de autoria dos próprios alunos e professores, além da leitura de textos e manifestos. Foi uma experiência estética formidável.

A Equipe:

Coordenação Pedagógica:

Ernani Alcides

Coordenação Executiva:

Claudia Santos

Assistente de Coordenação:

Levi Germano

Assistente Social:

Leonardo Fragoso

Secretárias:

Izabel (Nova Holanda)

Patrícia Martinez (Vila do João)

Motorista:

Fagner França

Educadores:

Ana Cristina, Bruna Coutinho, Bruno Barros, Caiett Genial, Daniel Martins, Érika Silva, Ernani Alcides, Evaristo Neto, Kim Ramos, Marcos Melo, Rafael Carneiro, Taís Campos, Teresa da Cruz, Tiago Carvalhal, Viviane Fernandes, Wagner Andrade

Histórico de Aprovações:

Entre os anos de 2012 e 2015, foram 167 aprovações, das quais 153 para Instituições Públicas de Ensino Superior

Apoio e Parcerias:

Ireso

Doadores individuais

Contato:

Secretaria da Redes da Maré

redes@redesdamare.org.br

(21) 3105-5531

Coordenação:

Ernani Alcides: ernani@redesdamare.org.br

Claudia Santos: claudiasantos@redesdamare.org.br

Nenhum a Menos

Fotos: Douglas Lopes

O que é?

 

O Projeto Nenhum a Menos contribui para a melhoria das aprendizagens formais de crianças que enfrentam dificuldades de leitura, escrita e são oriundas de famílias que, por diversas razões, precisam do apoio de uma rede sócio pedagógica para alcançarem autonomia no acompanhamento escolar de seus filhos. Em muitos casos, há crianças fora da escola e é necessário orientações para a matrícula. Assim, o projeto desenvolve ações específicas de busca ativa dessas crianças, promovendo a inserção no projeto e encaminhamento para escola.

Nesse sentido, o Nenhum a Menos desenvolve uma alternativa local que busca entender e atuar sobre as razões que levam essas crianças e adolescentes a abandonarem a escola, criando possibilidades para auxiliar os órgãos públicos na criação de uma rede de proteção a esse contingente e seus familiares.

 

Para cumprir estas intenções, o projeto trabalha com princípios teóricos e metodológicos que consideram a equipe, as crianças, suas famílias e a rede de apoio social como sujeitos históricos capazes de ampliar a consciência sobre si mesmos e suas relações de interdependência na comunidade bem como sua função na sociedade.

A metodologia cria condições para o contato dos participantes com suas necessidades, potencialidades e desejos, sensibilizando diversos aspectos pessoais e sociais referentes a um cotidiano de violações de direitos. As relações das famílias com equipes dos serviços locais é comumente marcada pela  precariedade de condições de trabalho dos equipamentos nos territórios populares. Este trabalho propõe uma perspectiva de transformação, de formação dos participantes para um protagonismo potente que envolve outras possibilidades de se relacionar a partir do diálogo e da construção de bases para uma organização coletiva resiliente. Temas relativos à vida de qualidade da criança, adolescente, mulheres, diversidade sexual e étnica, segurança pública, moradia, trabalho, saúde e mobilidade urbana, estão entre os direitos que mais interessam e mobilizam a participação nas aulas e reuniões do projeto.

 

Como funciona?

 

O projeto, atualmente, é formado uma turma na Lona Cultural Herbert Vianna, na favela Nova Maré, área de Índice de Desenvolvimento Humano mais baixo da Maré e próxima de diversas outras favelas como Baixa do Sapateiro, Morro do Timbau e Vila Pinheiro. Oferecemos 50 vagas para crianças e alguns adolescentes.

A turma tem uma carga horária de três horas de aula de segundas à sextas feiras com atividades de alfabetização e letramento, música e robótica e funciona após o horário de aula das escolas, no período entre 15h e 19h. O trabalho pedagógico valoriza o saber de cada participante, proporcionando trocas de visões de mundo, curiosidade e o desejo de descobrir outras possibilidades através da arte-educação, com ênfase na cultura popular e de projetos cooperativos de estudo.

Assim, o planejamento das aulas é construído a partir dos temas que mobilizam os alunos. Com estes temas são realizadas atividades que lhes permitam sentir, refletir, dialogar e produzir conhecimentos. Neste processo de aprendizagens há espaço para desenvolver o conhecimento social, na medida em que os participantes descobrem juntos como lidar com os conflitos e se expressar de forma menos violenta quando surgem as divergências de modos de sentir e pensar sobre a realidade. A construção de conhecimentos sociais, éticos e morais proporcionam condições para que todos percebam as diferenças entre os aspectos saudáveis da agressividade e os atos violentos, muito frequentes nas relações deste grupo de crianças e suas famílias. Este ponto do trabalho é fundamental para a formação do respeito ao outro, aos direitos humanos, a construção de relações consistentes, democráticas e o fortalecimento da cidadania.

Compõe esta prática pedagógica uma série de atividades e parcerias, tais como:

  • Aulas passeios:

Estas aulas são planejadas e realizadas de acordo com os eventos que ocorrem nos espaços culturais existentes na Maré como Centro de Artes da Maré, Galpão Bela Maré, Biblioteca Maria Clara Machado, Sala Futura, Vila Olímpica da Maré e demais espaços da cidade, como cinemas, teatros, parques, centros culturais. São parceiros constantes a Caixa Cultural, o Instituto Cervantes, as Universidades Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense e a UNIRIO.  

  • Palestras, campanhas e rodas de conversas:

Através de parcerias com as instituições que trabalham na rede de apoio social na Maré e, na cidade como um todo, são organizados encontros para conversar sobre temas apontados pelas crianças, familiares e equipe. Alguns convidados frequentes são as unidades básicas de saúde tratando de piolho, saúde bucal, planejamento familiar, sexualidade, drogas, gênero, Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s); Coletivo Meninas Black Power; Núcleo de Memória da Maré; Instituto ProMundo; e Redeh abordando etnia e gênero. As campanhas Jovem Negro Vivo; Somos da Maré, temos direitos; e Quem ama Abraça são trabalhadas com frequência por abordarem as questões da violência doméstica e de segurança pública,  entre outros temas ligados a  sociedade e cidadania.

  • Cineclube:

De acordo com as temáticas trabalhadas são exibidos vídeos, filmes e documentários que favoreçam as reflexões sobre acontecimentos, relatos históricos, problemas sociais e socioeconômicos, visando à compreensão da natureza dos fatos e gerando diálogo;

  • Arte-educação:

Como o foco do projeto é a ampliação das aprendizagens no campo das linguagens, são oferecidas diversas atividades de ação-reflexão-ação a partir da literatura infanto juvenil, contação de histórias, jogos cooperativos e dramáticos, vivências artísticas no campo da música, das artes visuais e da produção de áudio visual. As crianças se interessam pela produção de pequenos vídeos e animações e a cada ano produzem algum material bem bacana. Estas aprendizagens se destacam por muito contribuir no despertar do prazer com a escrita, a leitura, a convivência e a capacidade de agir junto respeitando a diversidade humana e social. Além da participação nas atividades realizadas em parceria com a Lona Cultural Herbert Vianna, na qual são oferecidas diversas oficinas de contação de histórias, artes circenses, teatro, música e festas populares.

  • Robótica:

A atividade desenvolvida a partir dos jogos pedagógicos da Fischer Tecnick permite aos participantes o contato com jogos de construção, conceitos de robótica e o fortalecimento do raciocínio infra lógico e lógico-matemático. Este trabalho acompanha a metodologia do projeto proporcionando relações das operações matemáticas com outros conceitos de cidadania. As aulas ocorrem uma vez por semana.

  • Rede sócio pedagógica:  

– Relações com as famílias: A equipe divulga o projeto, identifica as situações familiares de poucos vínculos com a aprendizagem formal e realiza a busca ativa das crianças e adolescentes fora da escola. A partir deste momento, a equipe realiza diversas ações que interferem na construção do significado da educação como valor na dinâmica de vida e direito humano. São realizadas visitas domiciliares, rodas de conversa, reuniões, eventos culturais, entre outras atividades que constroem um espaço de acolhimento, confiança e acompanhamento em rede. Deste modo, se constroem condições para que a família se inclua na defesa de seus direitos e se responsabilize pelo acompanhamento escolar do participante. Em alguns casos, pode ser necessário estender a ação para a rede de vizinhança e instituições que se relacionem com este núcleo.   

– Relações com as escolas: Há um contato com as equipes pedagógicas para a identificação das crianças com maiores dificuldades de aprendizagem e frequência, além daquelas que abandonaram a escola. Nestes momentos ocorrem trocas de experiências sobre as ações que já foram realizadas com a criança, as indicações, perspectivas e desafios vivenciados pela equipe escolar no acompanhamento de cada situação.

A continuidade do acompanhamento vem ocorrendo através do protagonismo da família e, nos casos mais complexos, são realizados encontros de estudo de caso, trocas com as equipes pedagógicas e com a rede de apoio social.

– Projeto Integração Maré: trata-se da articulação sistemática de instituições que atuam na Maré iniciada em 2016 para estudar e acompanhar os casos mais complexos. Com esta ação, houve maior interação de esforços de cada ator social potencializando e complementando a ação do outro, principalmente o trabalho de apoio psicológico e social, pois há insuficiência de profissionais nestas áreas. O Nenhum a Menos vem conseguindo acelerar o acompanhamento de alguns casos graças à possibilidade do atendimento psicossocial realizado em parceria com o Integração Maré. Neste, crianças, adolescentes, famílias e equipes podem compreender melhor as trajetórias biográficas, refletir sobre suas subjetividades, desejos, pensar em como lidar com cada situação, criar e receber o suporte para as transformações necessárias.

As crianças recebem diariamente um lanche produzido em parceria com o projeto Maré de Sabores, buffet que faz parte da Casa das Mulheres da Maré, ação de desenvolvimento territorial com foco na cidadania de mulheres em situação de violação de direitos, muitas são parentes das crianças do Nenhum a Menos.

Assim, o projeto, como um espaço de formação humana em rede que considera os níveis do conhecimento ético, estético e cognitivo de todos os envolvidos, é capaz de contribuir para a transformação da vida dos estudantes, suas famílias e das equipes de apoio social. Cada turma traz consigo novas relações, oportunidades de aprofundamento do trabalho, de avanços para todos na Maré, e este é o principal impacto desta ação na transformação da população local. Por isso, o trabalho desenvolvido no projeto defende o direito ao acesso de alunos das classes populares a uma educação de qualidade, que atenda as necessidades da comunidade e sensibilize os participantes para o valor de uma formação crítica a partir da ação, do sentido de pertencimento, da valorização do bem comum e das ações coletivas que valorizam a cultura local, suas relações com outros espaços da cidade e produza transformações que beneficiem a própria comunidade.

 

A equipe

 

A equipe do projeto é formada por uma coordenadora, um assistente social, uma estagiária de Serviço Social, dois educadores e uma monitora para apoio pedagógico. Há um esforço de formação de profissionais do próprio território, valorizando e potencializando a construção de quadros que possam continuar a desenvolver ações locais. Segue a formação da equipe:

 

Coordenação Geral:

Inês Cristina Di Mare Salles

Assistente Social:

Leonardo Fragoso

Estagiária:

Edvania Coelho Sousa

Educadores:

Dayana Sabani e Roberto França

Apoio Pedagógico:

Luanna Sena

 

Principais Atividades/Realizações em 2016

 

Chegança – Pátio de brincadeiras: Atividades realizadas no mês de janeiro. O foco do trabalho é o contato entre as crianças, a integração de crianças novas, construção de acordos de convivência e a experimentação de jogos e brincadeiras inclusivas e cooperativas. A equipe vem avaliando que o trabalho dos primeiros meses impacta as relações durante todo o ano e, com estas atividades, as questões que inquietam as crianças do ponto de vista das possibilidades de diálogo; a noção de corresponsabilidade por si mesmas, pelo grupo, suas famílias e pelo ambiente são identificadas e podem ser trabalhadas no planejamento durante o ano.

 

Cultura Popular – manifestações do Carnaval e Dia Internacional da Mulher: Em 2016 houve um trabalho com ritmos afrodescendentes e um trabalho de música inicial sobre os blocos de carnaval. Houve uma participação da turma em atividades de carnaval da Lona Cultural e um interesse especial pelo samba Sonho Meu da compositora Dona Ivone Lara. Este trabalho foi continuado e se transformou em estudo sobre a obra da compositora e uma apresentação montada com as crianças sobre Os sonhos das Mulheres em uma Roda de Conversa com mães da turma e outras mulheres dos projetos da Lona Cultural na semana de comemorações pelo Dia Internacional da Mulher no mês de março.

 

Exibição de episódios da série Sítio do Pica Pau Amarelo: Os episódios escolhidos mostravam as relações na família dos personagens, seus medos, preconceitos, e, principalmente, as brincadeiras de pátio e as diversas tradições da cultura brasileira descritas na obra de Monteiro Lobato. Estas exibições surgiram pelas pesquisas que as crianças fizeram de brincadeiras em suas famílias nos meses de janeiro e fevereiro e continuaram em função de um evento especial que ocorreu na Redes da Maré no mês de abril.

 

Aniversário de Cervantes e Monteiro Lobato e apresentação no Instituto Cervantes: Através do curso de espanhol oferecido na Redes da Maré, foi realizada uma atividade em comemoração ao aniversário de 500 anos de Cervantes, maior escritor espanhol,  cuja data coincidia com o aniversário de Monteiro Lobato e o Dia Nacional do Livro Infantil. O projeto participou juntamente com outros projetos da Redes da Maré de uma comemoração na Praça da Nova Holanda e construíram uma história imaginando uma visita de Dom Quixote à Maré. Prepararam uma apresentação da história em conjunto com as aulas de música produzindo uma trilha sonora que apresentava ritmos populares na Maré e na Espanha. A história e a apresentação foram tão boas que o grupo foi convidado para participar da festa no Instituto Cervantes e se apresentar para os estudantes do Instituto e cônsules dos países de língua espanhola, além de visitar o Instituto e participar de toda a festa.

 

Exibição dos filmes Kiriku I e II: Com a aproximação dos jogos Olímpicos e a necessidade de mudança do espaço para a Vila Olímpica, durante esse período, houve a exibição destes filmes sobre um herói africano que nasce muito pequeno e graças a esta condição considerada estranha por sua comunidade, consegue salvar a tribo. As aventuras do herói criança mostrando a cultura africana, suas músicas, brincadeiras, a capacidade física e a conduta cooperativa foram trabalhadas para situar questões sobre o preconceito étnico nos jogos, a prevalência de atletas negros em determinados esportes, além de preparar as turmas da Lona para a mudança e a rotina de atividades na Vila Olímpica. Neste período, as crianças puderam participar de diversos esportes e o momento de maior emoção foi na paralimpíada. As crianças perceberam a diferença de valores competitivos e cooperativos. O grupo retornou às atividades na Lona Cultural no mês de outubro e assistiram a continuação do filme, a parte II, trabalhando as questões sobre os direitos das crianças, com destaque para a situação da criança preta e as ligações com as comemorações do mês de novembro. As crianças falaram muito sobre seus parentes jovens negros que morreram e dos abusos sofridos por meninas negras.

 

Leitura dos livros Vento no Rosto e Chutando Pedrinhas, projeto literário com o material do Instituto Promundo: A Educadora Dayane Sabani trouxe para o projeto uma parceria com os materiais sobre igualdade de gênero e etnia do Instituto Promundo. Nos meses de outubro e novembro as crianças leram as histórias, conversaram sobre os modos como as crianças são educadas, perceberam a discriminação de gênero em suas próprias biografias e criaram livros com histórias tratando destas questões. Houve histórias falando do desejo das meninas jogarem futebol e dos meninos brincarem com bonecas e dançarem. Também foram produzidos textos falando dos modos como gostariam de ser educados pelos pais e como educariam seus filhos. Nesta fase do ano, a maioria já havia avançado em sua capacidade de produção escrita.   

 

Contação de Histórias com as Griots da Maré e oficina de confecção de bonecas Abayomi: As turmas receberam a Srª. Durvalina, uma das moradoras mais antigas da Maré para conversar sobre a vida da uma mulher negra na Maré através dos anos. Em seguida, aprenderam a fazer bonecas de pano negras sem costura e conversar sobre as transformações sonhadas pela geração atual. O encontro foi um momento emocionante para todos.

 

Festa de encerramento do ano na Lona Cultural e na Biblioteca da Redes: No mês de dezembro, as turmas apresentaram suas produções. A turma de música preparou uma apresentação de abertura para o grupo convidado, Os Pernautas e os registros das aulas de robótica, entre outros materiais, foram colocados em exposição na festa, cuidados e apresentados pelos estudantes das turmas.

 

Apoio e Parcerias

Ireso

Terra dos Homens

Preparatório para o 6º ano

O que é?

O pleno exercício do direito à educação ainda será conquistado no Brasil, segundo o relatório de 2012 do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), que informa que 24,3% de estudantes abandonam a  escola. A passagem do 5º para o 6º ano do ensino fundamental é um dos momentos críticos de evasão. Os problemas socioeconômicos e de segurança pública, a precariedade das redes de ensino e a distância dos conteúdos escolares das questões significativas para os estudantes são algumas causas. Neste contexto, a Redes da Maré vem oferecendo um curso Preparatório para o 6º ano considerando a criança, a família, suas histórias e a comunidade na perspectiva da educação em direitos humanos.

O Preparatório para o 6º ano pretende melhorar a qualidade do aproveitamento escolar das séries iniciais do ensino fundamental; fortalecer a relação das crianças e suas famílias com a continuidade dos estudos a partir do 6º ano e ampliar as condições destas crianças participarem nos processos de seleção para as escolas mais qualificadas do município do Rio de Janeiro.

Para este grupo de crianças do Preparatório, alfabetizadas, mas que, por diversas questões, acumularam defasagens das aprendizagens escolares nos primeiros anos de ensino fundamental, o curso representa uma oportunidade importante.

Os princípios teóricos e metodológicos destas turmas de Preparatório estão voltados para a formação significativa e cidadã das crianças e suas famílias, considerando as temáticas de interesse no planejamento, proporcionando a ampliação das visões de mundo e da capacidade de dialogar, a arte-educação, cultura popular, construção de projetos cooperativos e o sentido da continuidade dos estudos, todos elementos presentes no currículo, seus materiais, recursos didáticos e dinâmicas das aulas.

Através deste trabalho a Redes da Maré contribui para o fortalecimento dos direitos humanos, os valores democráticos com as famílias e as crianças, sobretudo em relação ao acesso à educação de qualidade e possibilidades de transformação na realidade da comunidade.

Como funciona?

As aulas acontecem quatro vezes por semana, de segunda à quinta-feira, com duas horas de aula após o horário de aula das escolas, no período entre 14h e 19h. Às sextas-feiras ocorrem as reuniões com as famílias e encontros de formação da equipe do projeto.

Além das atividades que são realizadas já apresentadas como: aulas passeio, palestras, campanhas, rodas de conversa, cineclube, atividades de arte-educação com produção de jogos dramáticos e audiovisuais, também acontecem as parcerias com a Biblioteca Maria Clara Machado e Lima Barreto, Centro de Artes da Maré, Galpão Bela Maré, Luta pela Paz, Instituto Cervantes, Caixa Cultural, Sesc, entre outras. O curso Preparatório tem uma estrutura de aulas de Português e Matemática com projetos pedagógicos específicos para crianças, construindo as melhores condições de alcançar as intenções do projeto. Vale destacar em cada área alguns aspectos.

Português

Comumente, as crianças chegam apresentando uma escrita pouco elaborada, preocupados com aspectos instrumentais e pouca disponibilidade para usar a escrita como expressão de sua subjetividade ou contribuição para o coletivo. A metodologia sensibiliza as turmas para os diversos gêneros textuais, apresentando a leitura e a escrita de forma significativa.

No que se refere à escrita, o trabalho foca os usos da língua e as reflexões sobre estes usos, o processo de apropriação da língua, chamado de nível metalinguístico. Para trabalhar esta ampliação de significados da produção gráfica, são realizadas diversas atividades em que os estudantes podem escrever livremente, montar textos a partir de jogos coletivos de palavras, produção de textos, reescrita destes e publicação em espaços significativos.

Matemática

O Preparatório busca trazer esta disciplina para a vida das crianças e suas famílias. As aulas são organizadas em dois momentos. Começam em um Círculo de Cultura onde se conversa sobre as situações importantes para o grupo, a partir daí a professora inicia a construção dos conceitos matemáticos, relacionando com o contexto das turmas. Esta etapa de construção conceitual se aprofunda a cada aula até as turmas terem experimentado os materiais e aplicado os conceitos em diversas situações.

Os materiais utilizados são as embalagens dos lanches e de produtos do cotidiano, frutas, material dourado, réguas Cuisenáire, Tangran, quadro de valor e lugar, linhas de tempo, sólidos, construções de plantas e cubos, murais, entre outros. Na segunda parte das aulas ocorre o registro da compreensão do conceito, o exercício e a aplicação em outras situações, chegando aos algoritmos.

Durante o primeiro semestre eles conhecem as provas, experimentam exercícios em que é preciso preencher cartões de respostas e no segundo realizam provas simuladas, fazem as correções e percebem os pontos que precisam estudar mais no segundo semestre.

A transversalidade dos aspectos de cidadania estão presentes em diversas atividades de matemática, por exemplo, quando as turmas visitam exposições Travessias, além da mediação artística que os sensibiliza sobre as obras de cada artista, surgem curiosidades sobre o bairro. Conforme estas curiosidades surgem estudos, já construíram uma maquete de algumas ruas da Nova Holanda, do prédio da Redes da Maré e para isso trabalharam diversos conceitos de espaço, cálculo de medidas como área, perímetro, sólidos, perspectivas…

Nas festas juninas criaram jogos de Bola na Lata em que os participantes acumulavam pontos e tinham que realizar algumas operações para saber que equipe venceu a prova. Na comemoração de aniversário de Cervantes e Monteiro Lobato criaram um jogo de tabuleiro inspirado em desafios matemáticos envolvendo os conceitos de número, unidade, dezena, centena, e tempo, século, milênio; tipos de algarismos e operações.

Nas eleições fizeram contagens de diversas questões, por exemplo: dinheiro gasto em campanha, em boca de urna, valor pago para as pessoas trabalharem nas campanhas, as questões éticas nestas situações e o aspecto ecológico. A criação de jogos com os materiais de campanha, enfim há um envolvimento das crianças com os conceitos e com o que as sensibiliza na vida.

Acompanhamento Social

Há um encontro quinzenal com as famílias com o intuito de aprofundar as relações com o processo de acompanhamento pedagógico das crianças; compreensão do projeto político pedagógico das aulas, principalmente a aprendizagem significativa, o valor e tempo necessário para a leitura na dinâmica familiar; levantamento de temas que lhes interessam tratar do ponto de vista da formação cidadã. Destacam-se as informações relativas à continuidade dos estudos, indicação de serviços da rede de apoio social, apresentação destes serviços e as orientações sobre inscrição nos editais de seleção para o 6º ano, apoio no processo de inscrições e acompanhamento dos resultados.

Em relação aos temas de interesse, há encontros sobre temas que as próprias crianças solicitam que se converse com as famílias, entre eles, os principais são: sexualidade, violências de gênero e etnia, violência doméstica e crack. Esta proximidade com as famílias possibilita muitas mudanças nas perspectivas de suporte familiar para que a criança tenha condições de estudo em casa, assim como sensibiliza os responsáveis para inúmeras transformações em seu cotidiano, inclusive o retorno de alguns para os estudos.

Equipe

Coordenação Geral:

Inês Cristina Di Mare Salles

Assistente Social:

Leonardo Fragoso

Estagiárias:

Alexandra Gonçalves Dias

Edvania Coelho Sousa

Kátia Maria Pereira Bezerra

Educadores:

Português: Lucília Santos

Matemática: Bruna Coutinho

Parceiros

Action Aid

Ireso

Contatos

Secretaria da Redes da Maré

redes@redesdamare.org.br

+ 55 (21) 3105-5531

Coordenação Geral

Kelly Marques

kelly@redesdamare.org.br

Inscrições 2017

Em 2017 será oferecida uma turma com 20 vagas. As aulas acontecerão de segunda à quinta-feira, de 15:30h às 17:30h. Para participar do curso, o/a candidato/a deverá estar cursando o 5° ano do Ensino Fundamental em 2017.

As inscrições serão realizadas na secretaria da Redes da Maré até o dia 31 de janeiro de 2017. No momento da inscrição deverá ser preenchida uma ficha e entregue os seguintes documentos: 1 foto 3×4, cópia da identidade, cópia do CPF, cópia do comprovante de residência e comprovante de escolaridade.

Preparatório para o Ensino Médio

O que é?

O Curso Preparatório para o Ensino Médio é voltado a jovens estudantes do 9º ano do ensino fundamental das escolas públicas das comunidades integrantes do bairro Maré, que, por uma série de razões, não possuem as condições de se prepararem de forma adequada para o desafio dos concursos de admissão ao Ensino Médio nos centros públicos de excelência educacional. O Curso assume uma função de suma importância: reforça e complementa o ensino recebido nas escolas, contribuindo para que os alunos continuem frequentando a escola regular e ajuda a evitar os altos índices de evasão escolar.

O projeto proporciona um aprofundamento dos conhecimentos científicos ao lado de uma preocupação constante com as questões que perpassam a cidadania, os direitos humanos, a formação para o trabalho e o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente. Como complemento, existe o investimento na ampliação do universo cultural dos alunos. Para tanto, são realizadas atividades extracurriculares, como: visitas a museus, teatros, cinemas, realização de palestras e visitas às instituições de ensino para as quais os alunos prestarão concurso. Dessa forma, no cotidiano dos alunos estarão presentes atividades que auxiliem no bom desenvolvimento do trabalho articulado em sala de aula e contribuam para a concretização do objetivo último do projeto: a democratização do acesso ao ensino médio público e de qualidade e, posteriormente, ao ensino superior público para a consequente transformação de sua realidade.

Como Funciona?

O projeto inclui duas turmas com 35 alunos cada. A carga horária semanal é de 15 horas/aula, 3h por dia, de segunda à sexta-feira, distribuídas entre os conteúdos: Português e Produção Textual, Matemática, Geografia, História, Biologia, Física, Química e Formação em Cidadania.

O espaço de Formação em Cidadania busca a construção de uma conscientização social e política através da cultura popular e periférica, do uso de dinâmicas, vídeos, textos, conversas, palestras e debates. O planejamento inclui aulas-campo, cineclube e demais atividades, como consta abaixo:

  • Aula Campo e passeios:

A partir das ferramentas e espaços culturais existentes na Maré e demais espaços da cidade, é trabalhada a apropriação dos espaços e a pluralidade cultural;

  • Palestras e debates:

Através de parcerias com postos de saúde e demais organizações, são debatidos temas como: sexualidade, drogas, gênero, Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), raça, credo e temas ligados à saúde, sociedade e cidadania;

  • Cineclube:

Exibição de vídeos, filmes e documentários: são promovidos debates sobre acontecimentos, relatos históricos, problemas sociais e socioeconômicos, visando a compreensão da natureza dos fatos e gerando diálogo;

  • Dinâmicas:

Atividade corporal, jogos teatrais, rodas, brincadeiras, artesanato e jogos interdisciplinares. As dinâmicas promovem a horizontalidade do ensino, a circularidade, a singularidade/pluralidade, o respeito, a empatia e outras características que visam promover uma maior cumplicidade dos estudantes, de forma a trazer o entendimento da importância da coletividade.

Além disso, os alunos que não forem aprovados nos concursos públicos poderão ser encaminhados aos Programas de Vocação Científica da FIOCRUZ ou PETROBRAS para participarem de uma experiência de formação que os incentive a seguirem carreiras científicas. Seu objetivo principal é proporcionar aos alunos de ensino médio a vivência em ambientes de pesquisa e desenvolvimento de projetos tecnológicos, propiciando-lhes a experiência de aprender ciência fazendo ciência. 

Assim, o projeto, como um espaço de produção do conhecimento, é capaz de contribuir para a transformação da vida dos estudantes fora dos muros da escola, e este é o principal impacto desta ação na transformação da população local. Por isso, o trabalho desenvolvido no curso compreende que o acesso de alunos das classes populares na educação, em todos os seus níveis, deve-se dar pelo viés da formação crítica a partir da ação e do resgate da identidade individual e coletiva, a partir da revalorização das práticas culturais vivenciadas no seio da própria comunidade em benefício dela mesma.

A equipe

A equipe do projeto é formada por uma coordenadora geral, um coordenador pedagógico, um assistente social e oito educadores, como consta abaixo:

Coordenação Geral:

Kelly Marques

Coordenação Pedagógica:

Ernani Alcides

Assistente Social:

Leonardo Fragoso

Educadores:

Camila Mendes, Daniel Martins, Ernani Alcides, Evaristo Neto, Letícia Souza, Roberto Magno e Taís Campos.

Principais Atividades/Realizações em 2016

  • 6 Grupos de Pais/Responsáveis: Apresentação das informações básicas das escolas para as quais os filhos realizarão concurso. Diante do fato de que muitos desses responsáveis não têm nenhum conhecimento das unidades escolares, buscamos informá-los sobre os procedimentos dos editais, documentos exigidos para processo de isenção da taxa de inscrição, sistema de cotas, informações sobre as provas de acordo com cada escola. Tais informações são relevantes, visto que os adolescentes do curso nunca tiveram contato com os concursos e dessa forma se faz necessário orientar os responsáveis da dinâmica de cada escola.  Também foram realizados encontros com discussões inerentes ao cotidiano dos alunos, como Sexualidade, Segurança Pública, etc.
  • Apresentação do projeto no Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais;
  • Atividade com o atleta paralímpico de ping pong;
  • Atividade de Confraternização;
  • Atividade em parceria com o Núcleo de Memória e Identidade da Maré (NUMIN) sobre herança africana;
  • Aula-campo Maré: Com o objetivo de fortalecer a identidade territorial e aproximar os alunos da realidade do espaço, realizou-se uma aula onde os alunos puderam transitar entre as comunidades da Maré e aprender um pouco mais sobre sua história de formação;
  • Aula-campo Petrópolis: Dando continuidade a aula-campo Rio Antigo, será realizada uma visita à cidade Imperial de Petrópolis. Os alunos conhecerão a história e espaços como a Casa de Santos Dumont, o Museu Imperial, O Palácio Quitandinha, a Casa do Colono. Neste dia também foi realizado um lanche coletivo com os alunos (um piquenique);
  • Aula-campo Rio Antigo: Com o objetivo de ampliar o conhecimento dos alunos acerca do seu espaço e cidade, será realizada uma aula-campo com a história de colonização da cidade percorrendo os principais pontos relacionados ao tema, como a Praça XV, o Palácio Tiradentes, o Largo da Carioca, dentre outros;
  • Cine Clube com exibição do filme As Sufragistas: Discussão sobre os direitos da mulher a partir da vivência de um grupo de mulheres que resistia à opressão de forma passiva, sendo ridicularizadas e ignoradas pelos homens;
  • Cine Clube com exibição do filme Juno: Discussão sobre Gênero e Sexualidade. Neste dia os alunos participaram de oficina de Educação Sexual com a educadora de Biologia, Taís Campos;
  • Cine Clube com exibição do filme Numa Escola em Havana: Discussão sobre a relação entre educador e aluno e questões sociais que permeiam a educação;
  • Cine Clube com exibição do filme Quando o pobre vai à praia: Debate sobre a democratização e apropriação dos espaços e a segregação social entre os moradores do subúrbio e aqueles que se sentiam “invadidos” por sua presença;
  • Discussão sobre segurança pública e apresentação da campanha “Somos da Maré e Temos Direitos”.
  • Festa Julina;
  • Participação na Jornada de Iniciação Científica PROVOC;
  • Participação na peça teatral “Domínio no Escuro”: Participação em peça teatral realizada na Lona Cultural da Maré com a temática LGBT.;
  • Participação no debate com os candidatos a Prefeito;
  • Visita à Biblioteca Parque Estadual: Neste dia dos alunos conheceram a Biblioteca Parque Estadual, localizada no Centro do Rio. A visita guiadas pelas instalações teve como temática Acessibilidade à Cidade e História em Quadrinhos;
  • Visita à Caixa Cultural;
  • Visita à Casa da Descoberta: Localizada em Niterói, a Casa da Descoberta, da Faculdade de Física da Universidade Federal Fluminense, conta com experiências de química, física e astronomia, aproximando os adolescentes das disciplinas estudadas de forma prática e divertida;
  • Visita ao Colégio Pedro II: A partir da solicitação de uma visita guiada ao Colégio Pedro II, pela coordenação do Curso Preparatório para Ensino Médio pela instituição, o Colégio Pedro II criou o projeto de extensão chamado “Vivenciar”. O Curso Preparatório da Redes foi o primeiro a participar em 2014. O objetivo da visita a unidade é possibilitar uma vivência dos alunos e aproximá-los das instituições de ensino as quais almejam ingressar, destacando que a visita também tem o cunho de estimular os alunos a se dedicarem cada vez mais aos estudos;
  • Visita do Sociólogo Francês Benjamin Moinard: Visita do sociólogo Benjamin Moinard, Diretor do Observatório da Educação e Prevenção, da Université Paris Est-Créteil, com seu grupo de pesquisa (estudantes de pós graduação). Sua pesquisa é ligada à relação entre escola e território comparativamente entre Paris e Rio de Janeiro, considerando as variáveis do clima e fracasso escolares, evasão e infrequência.

Histórico de Aprovações

Entre os anos de 2007 e 2015, foram 139 aprovações, das quais 61 nos últimos três anos, nos processos seletivos das Escolas Técnicas e de Excelência no Estado do Rio de Janeiro e em Programas de Vocação Científica da Fundação Oswaldo Cruz e Petrobras.

Confira o histórico de aprovações

Apoio e Parcerias

O projeto é apoiado pela Brazil Foundation e tem como parceiro o Programa de Vocação Científica (PROVOC), pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/FIOCRUZ) e o  Instituto Credit Suisse Hedging-Griffo.

Contato

Secretaria da Redes da Maré

redes@redesdamare.org.br

+ 55 (21) 3105-5531

Coordenação Geral

Kelly Marques

kelly@redesdamare.org.br

Inscrições 2017

Em 2017 serão oferecidas duas turmas com 35 alunos, totalizando 70 vagas. As aulas acontecerão de segunda à sexta-feira, de 15:30h às 18:10h. Para participar do curso, o/a candidato/a deverá estar cursando o 9° ano do Ensino Fundamental em 2017.

As inscrições serão realizadas na secretaria da Redes da Maré até o dia 31 de janeiro de 2017. No momento da inscrição deverá ser preenchida uma ficha e entregue os seguintes documentos: 1 foto 3×4, cópia da identidade, cópia do CPF, cópia do comprovante de residência e comprovante de escolaridade.

No dia 03 de fevereiro será realizada uma reunião com os candidatos e seus pais/responsáveis, na qual o curso será apresentado, bem como entrevistas serão agendadas.

No dia 10 de fevereiro sairá o resultado final e no dia 13 as aulas serão iniciadas.

Para mais informações, ligue para 3105-5531.

Atividades realizadas em 2016

ATIVIDADE DESCRIÇÃO
Aula-campo Maré Com o objetivo de fortalecer a identidade territorial e aproximar os alunos da realidade do espaço, realizou-se uma aula onde os alunos puderam transitar entre as comunidades da Maré e aprender um pouco mais sobre sua história de formação.
Participação na Peça Teatral “Domínio no Escuro” Participação em peça teatral realizada na Lona Cultural da Maré com a temática LGBT.
Visita do Sociólogo Francês Benjamin Moinard Visita do sociólogo Benjamin Moinard, Diretor do Observatório da Educação e Prevenção, da Université Paris Est-Créteil, com seu grupo de pesquisa (estudantes de pós graduação). Sua pesquisa é ligada à relação entre escola e território comparativamente entre Paris e Rio de Janeiro, considerando as variáveis do clima e fracasso escolares, evasão e infrequência.
Visita à Biblioteca Parque Estadual Neste dia dos alunos conheceram a Biblioteca Parque Estadual, localizada no Centro do Rio. A visita guiadas pelas instalações teve como temática Acessibilidade à Cidade e História em Quadrinhos.
Visita à Casa da Descoberta Localizada em Niterói, a Casa da Descoberta, da Faculdade de Física da Universidade Federal Fluminense, conta com experiências de química, física e astronomia, aproximando os adolescentes das disciplinas estudadas de forma prática e divertida.
Visita ao Colégio Pedro II A partir da solicitação de uma visita guiada ao Colégio Pedro II, pela coordenação do Curso Preparatório para Ensino Médio pela instituição, o Colégio Pedro II criou o projeto de extensão chamado “Vivenciar”. O Curso Preparatório da Redes foi o primeiro a participar em 2014. O objetivo da visita a unidade é possibilitar uma vivência dos alunos e aproximá-los das instituições de ensino as quais almejam ingressar, destacando que a visita também tem o cunho de estimular os alunos a se dedicarem cada vez mais aos estudos.
Realização de aula-campo Rio Antigo com duração de 8h; Com o objetivo de ampliar o conhecimento dos alunos acerca do seu espaço e cidade, foi realizada uma aula-campo com a História de colonização da do país, percorrendo os principais pontos relacionados ao tema, como a Praça XV, o Palácio Tiradentes, o Largo da Carioca, dentre outros.
Realização de aula-campo a cidade de Petrópolis com duração de 8h; Dando continuidade a aula-campo Rio Antigo, foi realizada uma visita à cidade Imperial de Petrópolis. Os alunos conheceram a história e espaços como a Casa de Santos Dumont, o Museu Imperial, O Palácio Quitandinha, a Casa do Colono. Neste dia também foi realizado um lanche coletivo com os alunos (um piquenique).
Realização de 1 atividade de formação sobre Herança Negra em parceria com o Núcleo de Memória e Identidade da Maré, com duração de 2h; Atividade complementar a formação cidadã dos adolescentes: realizada uma oficina de confecção e bonecas Abayomi.
Realização de 1 atividade de formação sobre Educação, com o objetivo de levantar propostas aos candidatos a prefeito da cidade do Rio de Janeiro; Atividade complementar a formação cidadã dos adolescentes: realizada discussão sobre aspectos da escola atual e o que os adolescentes gostariam como mudança.
Participação no debate com os candidatos à prefeito da cidade do Rio de Janeiro; No dia 15 de setembro foi realizado, no Centro de Artes da Maré, um debate com alguns dos candidatos a prefeito do Rio de Janeiro. Dando continuidade a formação política dos adolescentes, os mesmos foram incentivados a participar do evento.
Realização de encontros mensais de pais/responsáveis com duração de 2h; O projeto conta com um assistente social para o acompanhamento dos alunos. O Serviço Social no projeto tem como atribuição realizar acompanhamento social dos estudantes e suas famílias, buscando identificar e intervir nas questões sociais que interfiram diretamente no processo de aprendizagem destes estudantes. Dessa maneira, entende-se que o trabalho desenvolvido coletivamente com os responsáveis não se resume apenas em orientá-los sobre os editais públicos, mas sim viabilizar uma reflexão sobre temas que estão no cotidiano destes adolescentes, e que em muitos casos eles não conseguem discutir com seus pais, por medo ou vergonha. No período de julho a outubro, foram realizados 2 grupos de pais. Vale destacar que no período de agosto, os alunos estiveram em recesso escolar e, consequentemente, recesso no projeto.
Participação e aprovação no processo seletivo para o Programa de Vocação Científica – PROVOC. A partir de uma parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venancio, da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/FIOCRUZ), os alunos que ao final do ano não obtiverem aprovação em nenhum dos processos seletivos poderão ser encaminhados ao Programa de Vocação Científica existentes nessas instituições. O Programa de Vocação Científica é uma proposta formal e abrangente de Iniciação Científica na Educação Básica no Brasil que recebe jovens estudantes nos laboratórios de pesquisa, visando incentivá-los a seguirem carreiras científicas. Seu objetivo principal é proporcionar aos alunos de ensino médio a vivência em ambientes de pesquisa e desenvolvimento de projetos tecnológicos, propiciando-lhes a experiência de aprender ciência fazendo ciência. O processo seletivo teve início em abril do ano corrente, a partir da divulgação e contato com os ex-alunos do Curso Preparatório para o Ensino Médio da instituição do ano de 2015. Dos 04 alunos encaminhados, 02 foram aprovados:Stefany Raquel Pereira da Silva e Romulo Antonio Moura Batista.
Apresentação do projeto no Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais Como forma de publicizar as atividades, foi escrito e apresentado um artigo sobre o projeto para o Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais, realizado em Olinda/Pernambuco, entre os dias 05 e 09 de setembro.
Intercâmbio Cultural através de troca de cartas A partir de contato realizado por uma professora da Escola Estadual Barão de Rio Branco, da cidade de Itajubá, Minas Gerais, foi iniciado uma troca de cartas entre alunos da escola e alunos do Preparatório para o Ensino Médio.

Programa Petrobras Jovem Aprendiz

Jovens fazem prova para ingressar no Programa Jovem Aprendiz. Foto: Rosilene Miliotti.

Jovens fazem prova para ingressar no Programa Jovem Aprendiz.
Foto: Rosilene Miliotti.

O PROGRAMA PETROBRAS JOVEM APRENDIZ – PPJA é uma parceria entre a PETROBRAS – CENPES, REDES e SENAI em atendimento a lei 10.097/00 que determina a toda empresa de médio e grande porte dispor de uma quota de aprendizagem de 5% a 15%, para adolescentes e jovens de 14 a 24 anos, sobre o total de empregados cuja função demande formação profissional.

O programa de aprendizagem dialoga com dois eixos estruturantes de atuação da Redes, Educação e Desenvolvimento Territorial. Em sua 4ª edição na Maré, atende 32 jovens moradores da Maré, em situação de vulnerabilidade social, com idade entre 17 e 21 anos. Durante dois anos, esses jovens são contratados pela REDES, com Carteira de Trabalho e Previdência Social assinada, remuneração de um salário mínimo mensal, ticket refeição, e demais direitos trabalhistas assegurados por lei.

O PPJA realizado em três etapas: formação básica; qualificação profissional; vivência profissional; tem como objetivo desenvolver um programa educacional de inclusão social para jovens por meio de qualificação pessoal e profissional visando contribuir para sua melhor inserção no mercado de trabalho, e atua em três vertentes:

Qualificar o jovem para o mundo do trabalho, desenvolvendo nele, além de comunicação e escrita, habilidades básicas, específicas e de gestão requeridas pelo mercado de trabalho, além da comunicação e escrita, na perspectiva de uma formação cidadã;

Formar jovens para enfrentar o mercado de trabalho, com conhecimentos de direitos trabalhistas e sociais, segurança e saúde, organização sindical, entre outros;

Possibilitar o acesso à educação, a cidadania e ao pleno exercício de direitos, com informações sobre qualidade de vida, meio ambiente, questões de gênero, e etnia, direitos humanos, entre outras.

Equipe

Diretora: Andreia Martins

Coordenadora e assistente social: Nubia Alves

Gestora de projeto: Claudia Bezerril

Secretária: Adriana Lourenço

Contato

E-mail: jovemaprendiz@redesdamare.org.br

Telefone: 3105-5531

Parceiros

Petrobras CENPES

Senai – Unidade Vicente de Carvalho

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Sistema de Vínculos Solidários

O que é?

O Sistema de Vínculos Solidários (SVS) é a principal forma de captação de recursos da ActionAid, para financiar projetos sociais que ela apoia em todos os países onde atua. A Associação Redes de Desenvolvimento da Maré e a ActionAid Brasil estabeleceram uma parceria que já perdura há sete anos.  Por meio desta parceria, tem sido possível desenvolver projetos sociais estruturantes que buscam melhorias na condição de vida da população das 17 favelas da Maré. Ambas as instituições atuam no campo dos direitos humanos e têm suas premissas alinhadas ao combate à desigualdade social.

Como Funciona?

No Sistema de Vínculos Solidários (SVS) são cadastradas crianças moradoras do Complexo da Maré da faixa etária de três a dez anos de idade. A inscrição é realizada pelo preenchimento de uma ficha cadastral que contém a autorização do responsável e uma fotografia da criança. Com uma mensagem, carta escrita e um desenho, cada criança cadastrada se corresponde com um financiador individual dos projetos gestados pela Redes da Maré. Por meio da gestão da ActionAid, o financiador individual se vincula de forma espontânea a uma criança da Maré e contribui para a implementação e o desenvolvimento dos projetos da  Redes da Maré.

Para que os projetos sociais sejam sustentados, o Sistema de Vínculos Solidários precisa ser mantido. É pela confecção de duas mensagens anuais elaboradas pela criança e enviadas ao financiador que fazemos a manutenção desse vínculo. Além disso, a cada dois anos, a fotografia de cada criança é atualizada e enviada à pessoa vinculada à criança. As crianças cadastradas fazem parte dos projetos, cursos e oficinas da Redes da Maré ou poderão vir a fazer parte das ações da Redes, incluindo todos os componentes de suas famílias.

Histórico:

A parceria entre a Redes da Maré e ActionAid teve início em setembro de 2009. Naquele momento começaram as inscrições das crianças residentes das 17 favelas da Maré e participantes dos projetos ofertados pela  Redes. Em 2010, ano em que a Redes da Maré mais cadastrou crianças no SVS, cerca de 780 inscrições foram efetuadas, e em 2011 tivemos o  maior número total de cadastros, com 1.702 inscrições. A manutenção das crianças nos vínculos, isto é, com duas coletas de mensagens anuais de cada criança inscrita, permanece nesse formato desde 2010. Atualmente, o Sistema de Vínculos Solidários na Maré conta com 1.189 crianças.

Em 2013, foi lançado o livro Tecer Vínculos Solidários, que apresenta os resultados do processo de avaliação e monitoramento do Sistema de Vínculos Solidários na Maré (SVS), desenvolvido pela Redes  em parceria com a ActionAid Brasil. Nele, as duas instituições parceiras apresentam suas diretrizes, e é esclarecido o Sistema de Vínculos Solidários, bem como a importância da implantação e sua permanência  na Maré, além da exposição dos resultados do mapeamento do perfil das crianças e de suas famílias. Com a utilização das fichas de inscrição referentes aos cadastros realizados no período de 2009 a 2012, realizou-se uma pesquisa estruturada nas metodologias do IBGE.

Em relação à cor declarada pela família no ato da inscrição, 49,3% se declararam da cor parda; 37,5% branca; 13% negra, 0,2% amarela e não houve criança declarada como indígena. Verificou-se que a composição do grupo inscrito no projeto SVS, segundo a cor/raça declarada, é muito semelhante, em valores percentuais, à composição da população da Maré na faixa etária de três a onze anos, conforme revelam os resultados do Censo Demográfico de 2010, realizado pelo IBGE: 51,5% parda; 38,5% branca; 9,2% preta; e 0,8% amarela. (Conforme livro Tecer Vínculos Solidários na Maré, p. 51).

Em termos de alfabetização, os dados indicaram que as crianças ingressadas no projeto SVS apresentam um perfil educacional mais vulnerável que o da média das crianças com a mesma idade em toda a Maré. (Ver livro Tecer Vínculos Solidários na Maré, p. 55).

Quanto à qualidade do acesso a direitos, serviços públicos e políticas sociais, a maioria das crianças inscritas nesse sistema mora em casa com saneamento básico, com acesso à água, à rede de esgoto e coleta de lixo. Também tem acesso a postos de saúde. Mais da metade das famílias dessas crianças possui vínculos com programas sociais, especialmente o Bolsa Família e o Cartão Família Carioca, ou com organizações da sociedade civil, como a Redes da Maré e Igrejas. O livro Tecer Vínculos Solidário na Maré apresenta, com detalhes, o perfil dessas crianças, estando disponível para consulta no prédio central da Redes da Maré e na internet (veja o livro).

No decorrer dos anos desta parceria, foi verificada a participação das crianças do SVS nos Preparatórios para o 6º ano e para o Ensino Médio, na Oficina de Arte sob Azulejo, em cursos de línguas estrangeiras, e outros projetos, como grafite, cordas dedilhadas, Mão na Lata, balé, dança, teatro, projeto Nenhum a Menos, Maré sem Fronteiras, Xô Dengue, Conectando e Biblioteca Infantil Maria Clara Machado, além do atendimento social às famílias.

A equipe:

A equipe é formada por seis pessoas: uma coordenadora, uma assistente de coordenação e quatro monitoras, que realizam a busca ativa das crianças com perfil para inserção no Sistema de Vínculos, explicam o trabalho para as famílias, inscrevem as crianças e passam a acompanhá-las a fim de ofertar atividades na Redes da Maré e intermediar os contatos com os doadores via mensagens escritas e desenhos.

Coordenação:

Ana Claudia Britto

Assistente de Coordenação:

Zeneida Duarte

Monitoras:

Doralice Soares

Edilene Rodrigues

Lilian Teodósio

Sirlene Correa

Dinâmica do projeto em 2016:

Em 2016, foi realizada a manutenção de cada criança inscrita no Sistema de Vínculos Solidários por meio de duas coletas de mensagens: uma aconteceu no primeiro semestre de 2016 e outra no segundo semestre desse mesmo ano.

Histórias de algumas crianças participantes do Sistema de Vínculos Solidários:

1) Superação dos irmãos RSF (10 anos) e AS (5 anos), inscritos no Sistema de Vínculos Solidários e participantes do projeto “Nenhum a Menos”, moradores da comunidade Baixa do Sapateiro.

  1. chegou ao Projeto Nenhum a Menos com um quadro de crise convulsiva e dificuldades motoras. Fazia acompanhamento pediátrico, mas não tinha um diagnóstico. Em termos de aprendizagens formais, chegou ao Projeto em fase inicial de alfabetização, e só escrevia o próprio nome. Ao se inserir no Nenhum a Menos, R. foi encaminhado pelo assistente social da Redes da Maré para avaliação multiprofissional no CAPSi (Centro de Atendimento Psicossocial Infantil) Visconde Sabugosa.

A., irmão de R., mesmo não estando com a idade para se inserir no Projeto, sempre acompanhava o irmão nas atividades do Nenhum a Menos, pois a sua família não tinha com quem deixá-lo. Apesar do quadro de oscilação de frequência nas atividades do Projeto, decorrente das diversas dificuldades enfrentadas por essas crianças e sua família, os dois irmãos melhoraram sua aprendizagem, com destaque para R., que conseguiu se alfabetizar e passou a gostar de ler. Conquistou o controle emocional se desenvolvendo tanto nas atividades do Projeto Nenhum a Menos, como também na escola de ensino regular.

Atualmente, é o próprio R. quem escreve as cartas ao colaborador dos projetos da Redes da Maré no Sistema de Vínculos Solidários.

2) Entrevista com criança que faz parte do Teatro no Centro de Artes da Maré (CAM) e do Preparatório para o 6° ano na Redes da Maré.

IJO tem 10 anos, mora na comunidade da Nova Holanda com a sua mãe, DJ, que tem 29 anos. Nesse ano de 2016, IJO está participando do Curso preparatório para o 6º ano na Redes da Maré e da Oficina de Teatro no CAM. Ela falou em entrevista sobre a importância dos cursos e oficinas da Redes da Maré, porque têm proporcionado muitas oportunidades para todas as crianças da região, além da chance de fazer novos amigos. Para IJO, na comunidade aonde mora não há alternativas de divertimento por ter muita violência e o trânsito de motos e carros é frequente nas ruas das comunidades, impedindo a circulação de crianças.

IJO explica que, no Curso de Teatro, os alunos são levados para assistir algumas peças fora da Maré e outras são trazidas para o CAM. Ela revela que se não fosse a Redes da Maré com as oficinas de teatro e os cursos oferecidos, com aulas-campo e passeios, ela não teria muitos divertimentos e nem oportunidades, pois a sua mãe trabalha e não tem muito tempo para sair com ela. Em relação ao Curso preparatório, ela diz que aprende muito, assim, colabora significativamente com o entendimento das matérias de sua escola, além de alimentar o sonho de ir para uma escola pública de qualidade.

IJO fala da importância de fazer parte do Sistema de Vínculos Solidários. Ela diz que gosta de fazer as mensagens para o colaborador da Redes da Maré, porque é interessante escrever para alguém que não se conhece e, ao mesmo tempo, essa pessoa contribuir com os projetos oferecidos pela instituição. Ela diz que além de ter composto as mensagens do Sistema de Vínculos Solidários, ela também recebeu correspondências de uma colaboradora, o que a deixou muito contente.

3) Entrevista com adolescente que fez parte do Preparatório para o Ensino Médio.

VCAC (ou apenas V.), 16 anos, mora na comunidade do Parque Maré com a sua mãe, dois irmãos (de 18 e 21 anos) e avó materna.

Em 2014, VCAC se inscreveu no Curso Preparatório para o Ensino Médio da Redes da Maré, dedicando-se o ano inteiro à escola regular e ao Curso. Obteve aprovação no Colégio Pedro II, localizado em São Cristóvão. V. é filha caçula da família e cresceu sem a presença do pai, pois o mesmo se recusou a reconhecê-la como filha, embora morassem muito próximos um do outro. Atualmente, V. se lamenta sobre tal situação, mas a mãe a estimula a levantar a cabeça e seguir em frente.

Em relação à aprovação no Concurso, V. relata que hoje ela se sente satisfeita consigo mesma, pois superou as dificuldades. Disse que o Curso da Redes da Maré foi determinante para que ela obtivesse aprovação numa escola pública de qualidade, além de levá-la a perceber a favela de outro modo. Passou a ver os problemas sociais da favela, bem como a discriminação e o preconceito que os moradores sofrem. Percebeu de forma mais clara a violência presente neste lugar e o quanto as pessoas a naturalizam. Por outro lado, passou a identificar as coisas boas presentes na favela, as amizades e instituições a Redes da Maré. V. diz que as pessoas a olham de modo diferente quando ela está passando na rua com o uniforme do Colégio Pedro II. Ela acredita ser um exemplo bom e se orgulha muito disso.

O sonho de VCAC é terminar o Ensino Médio, fazer o pré-vestibular na Redes da Maré para fazer o ENEM e cursar Medicina. Depois de formada, quer conhecer o mundo, em especial Atenas, na Grécia. Além disso, sonha em ajudar financeiramente a família, pois ela reconhece a luta de sua mãe para criar os filhos.

Apoio e parceria:

A ActionAid Brasil é um movimento global de pessoas que trabalham juntas para promover os direitos humanos e superar a pobreza e é a parceira institucional que vem apoiando a Redes da Maré há oito anos, por meio da arrecadação de fundos e de outras formas de colaboração, a fim de estudar e atender às reais demandas existentes no Complexo da Maré.

Contatos:

Secretaria da Redes da Maré

redes@redesdamare.org.br

+55 (21) 3105-5531

Ana Claudia Britto (Coordenação)

anaclaudia@redesdamare.org.br.

Xô Dengue

O que é?

O projeto tem como objetivo contribuir para o fortalecimento das estratégias de conscientização e combate a Dengue, através de ações de educação continuada em saúde. A Dengue é um grave problema de saúde pública que depende de vários serviços para ser combatida, dentre os quais se incluem saneamento básico, habitação, acesso à água, retirada de lixo e educação. Com isso observa-se que devem ser realizadas ações educativas e investimentos nas políticas sociais para que a mesma seja combatida de forma mais eficaz.

Assim, jovens entre 13 e 18 anos estão responsáveis por uma tarefa de gente grande: diminuir a incidência de dengue nas 16 comunidades que formam o Complexo da Maré. Eles utilizam a informação como principal ferramenta para alcançar este objetivo.

O motivo da aposta na conscientização é um só: a dengue é uma doença que pode ser prevenida caso os focos do mosquito causador da doença sejam erradicados. Mas para que isto ocorra, toda a população do local precisa estar engajada neste combate: não adianta uma pessoa seguir todas as recomendações se o quintal do vizinho estiver infestado com o mosquito.

A Maré tem índices elevados de infestação do mosquito transmissor, responsável pela transmissão da dengue, se comparados a outras áreas da cidade. Além disso, a falta de conhecimento e a dificuldade de acesso ao sistema de saúde podem comprometer o reconhecimento da doença e mesmo a percepção de que formas mais graves de contaminação foram desenvolvidas. Com base nisso, os adolescentes visitam os domicílios da Maré e conscientizam os moradores sobre as principais informações sobre a Dengue.

Como Funciona?

Para que o projeto seja realizado os adolescentes realizam uma série de atividades de capacitação, tais como:

  • Capacitação por alunos e professores do Laboratório de Microbiologia da UFRJ sobre a questão biológica da doença. Outro ponto importante do projeto é a possibilidade de contato e troca com a universidade, ajudando os jovens da Maré a refletir sobre as condições de vida e a ocorrência de doenças na comunidade, além de gerar soluções para estas questões.;
  • Visitas domiciliares: entre 2014 e 2016, 3.174 domicílios visitados para divulgação da campanha 10 minutos contra a Dengue da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Os alunos do projeto visitam casa a casa dos moradores da Maré e alertam sobre os perigos da Dengue através de informações sobre sua prevenção;
  • Balcão de informações: exposição periódica de materiais de divulgação para maior conhecimento acerca do mosquito Aedes Aegypti em espaços públicos. Nessas atividades os moradores podem visualizar o mosquito através de um microscópio e demais instrumentos que ilustram o vírus, o DNA e etc;
  • Formação cidadã a partir da discussão sobre os determinantes sociais que facilitam a proliferação do mosquito e, consequentemente, o aumento da epidemia.

A equipe

O projeto é formado por coordenação geral, técnicos de campo e educadores da UFRJ.

Coordenação Geral:

Kelly Marques

Técnicos de Campo:

Fábio Barglini

Joelma Souza

Professora:

Renata Campos (professora do Instituto de Microbiologia da UFRJ)

Principais Atividades/Realizações em 2016

  • Apresentação de esquete teatral na Lona Cultural Hebert Viana;
  • Realização do Balcão de Informações;
  • Capacitação dos novos alunos sobre a temática do projeto;
  • Discussão sobre os determinantes sociais do processo saúde-doença com o objetivo de desenvolver a capacidade crítica dos adolescentes sobre a realidade do território onde vivem;
  • Formação continuada dos adolescentes através de aulas expositivas e práticas no laboratório de microbiologia da UFRJ;
  • Visita aos domicílios para divulgação da campanha “10 minutos contra a Dengue”;
  • Apresentação do projeto no Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais, realizado em Pernambuco;
  • Aprovação do projeto para apresentação na modalidade pôster EXPOEPI, que será realizada em 2017, em Brasília;
  • Formatura de 2 alunos do projeto no módulo Básico do Programa de Iniciação Científica da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venancio/FIOCRUZ;
  • Apresentação do projeto na Semana de Integração Acadêmica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Apoiadores

Rotary Club do Rio de Janeiro

Ireso E.V

Contato

Secretaria da Redes da Maré

redes@redesdamare.org.br

(21) 3105-5531

Kelly Marques (Coordenação Geral)

kelly@redesdamare.org.br