EIXO DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL

O conceito de Desenvolvimento Territorial defendido pela REDES da Maré tem a ver com a ideia de aumento dos índices de qualidade de vida e bem-estar da população da Maré. Isso significa o acesso a bens e serviços públicos e privados com qualidade, além da garantia de direitos básicos, tais como: saúde, educação, arte e cultura, segurança, informação e comunicação. Para tanto é necessário um esforço conjunto dos próprios moradores, das instituições comunitárias e dos agentes públicos e privados que atuam no território. A articulação de esforços para que a Maré se desenvolva nos planos econômico, social. ambiental,cultural, dentre outros, deve, assim, envolver a criação de políticas públicas que levem em consideração as especificidades da região, as demandas e protagonismo de seus habitantes.

PROJETOS

Casa das Mulheres da Maré

Construção de quatro andares no Parque União vai reunir

Construção de quatro andares no Parque União vai reunir projetos para elas

A partir de agosto, um edifício de quatro andares com um total de 360 metros quadrados, na Rua da Paz, no Parque União, será o ponto de encontro e de reflexão das mulheres que vivem na Maré. Batizada de a Casa das Mulheres da Maré, a construção ainda em obras vai sediar uma série de projetos da Redes da Maré voltados para as mulheres: a começar pelo bem-sucedido Maré de Sabores, incluindo as oficinas de gastronomia e o bufê, além de serviços de assistência psicológica, jurídica e social. O novo espaço também estimulará debates sobre a temática de gênero, tendo ainda a proposta da abertura de cursos na área de estética, entre outros.

A Casa das Mulheres é uma resposta concreta ao poder que moradoras da Maré conquistaram nas últimas décadas, ao tornarem-se protagonistas de movimentos sociais ou de lutas ligadas à infraestrutura da região. Mas a construção nasce também com a vocação de incentivar mais mulheres da favela a refletirem sobre sua condição ainda frágil diante do machismo reinante na sociedade. Um local que pretende estimular, através de encontros, simpósios, trocas de experiências e até mesmo assistência direta, novas pistas para que o machismo, tão comum nas relações do dia a dia, não seja naturalizado. Um espaço que sonha em pautar novos pensamentos e ações contra a desigualdade entre gêneros, congregando mulheres e homens de todas as idades.


Integrantes da Chapa Rosa, vencedora das eleições da Associação de Moradores da Nova Holanda em 1984

Integrantes da Chapa Rosa, vencedora das eleições da Associação de Moradores da Nova Holanda em 1984

Historicamente, desde fins dos anos 1970, mulheres moradoras da Nova Holanda começaram a se organizar para criar aquela que seria a primeira creche da região. Foi um movimento espontâneo, nascido da necessidade de muitas de ter onde deixar os filhos enquanto trabalhavam fora. Elas revezavam-se entre si para poder olhar as crianças. A partir daí, descobriram a força da união, o que foi demonstrado mais uma vez na prática, quando, em 1984, a Chapa Rosa, encabeçada por mulheres, ganhou a primeira eleição direta para Associação de Moradores de Nova Holanda. Eliana Sousa Silva, hoje diretora da Redes da Maré, foi a primeira presidente mulher jovem de favela de uma associação de moradores no Rio de Janeiro.

A partir daí, as mulheres da região perceberam que tinham voz e se engajaram nas diferentes lutas para a melhoria das condições de vida na favela. Diretora da Redes da Maré, a mineira Helena Edir Vicente lembra claramente como a energia e a união feminina foram fundamentais para muitas transformações positivas nos últimos 30 anos:

Eliana Sousa Silva ao assumir a presidência da Associação de Moradores da Nova Holanda

Eliana Sousa Silva ao assumir a presidência da Associação de Moradores da Nova Holanda

“A eleição em que as mulheres saíram vitoriosas deu muita força para todos. Saímos à luta porque precisávamos de tudo, de água, luz, saneamento, calçamento, tudo. Costumávamos nos reunir semanalmente na Escola Nova Holanda e as mulheres eram maioria naqueles encontros que tinham 200, 300 pessoas, todos interessados em melhorar nossas condições de vida. Como os maridos normalmente iam trabalhar fora, as mulheres tinham mais tempo de se engajar e realmente se uniram. Íamos até a Prefeitura, à Light e onde fosse necessário para lutar por nossos direitos”, conta Helena, ela também incansável em seu engajamento desde que chegou à Maré, em 1979, vinda do interior do Rio.


Maré de Sabores vai ocupar dois andares da casa

Integrantes do "Maré de Sabores"

Integrantes do “Maré de Sabores”

Pela planta da Casa das Mulheres, o Maré de Sabores vai ocupar o primeiro e parte do segundo andar, comprovando a dimensão conquistada pelo projeto desde a sua criação em 2010. Nesses seis anos, mais de 300 mulheres moradoras da Maré fizeram a formação básica em gastronomia, com duração de quatro meses, incluindo módulos de panificação, confeitaria e massa, num total de cinco horas semanais. Outras cerca de 60 mulheres passaram por uma etapa avançada, quando técnicas culinárias mais sofisticadas são ensinadas, como preparação de caldos e carnes menos usuais, como avestruz e codorna. Todas ainda participaram dos encontros semanais sobre gênero, mediados por Shirley Villela, que será a coordenadora da Casa das Mulheres. As discussões de gênero se tornaram um espaço fundamental de trocas e reflexões entre as mulheres da favela, responsáveis, em muitos casos, por verdadeiras transformações no âmbito pessoal e social.

Não por um acaso, um dos planos de Shirley para a Casa das Mulheres é no futuro abrir turmas mistas, tanto no Maré de Sabores, como nas aulas sobre gênero.

"É importante criar novas dinâmicas para estimular a reflexão sobre a lógica de uma sociedade que é estruturada em cima de racismo e machismo. Daí a importância de pensar em propostas que possam incluir homens, sobretudo os jovens, como as aulas de gênero e de gastronomia, mas também projetos de apoio a homens agressores. Estudos mostram que homens que agrediram suas mulheres ou familiares mas depois receberam apoio para pensarem sobre seus atos acabam tendo muito menos reincidência", afirma Shirley.

Simultaneamente às oficinas, um segundo braço do Maré de Sabores também foi ganhando corpo ao longo dos anos até se transformar num negócio autossustentável. O bufê – nascido praticamente ao mesmo tempo que as primeiras turmas de gastronomia, quando as aulas ainda aconteciam no Ciep Vicente Mariano, primeiro espaço ocupado pelo projeto – hoje atende a pedidos de toda a cidade, com um vasto cardápio baseado em alimentos preparados de forma artesanal pela própria equipe. Um trabalho exemplar de geração de renda dentro da favela.

O Maré do Sabores foi idealizado a partir da demanda de mães do Programa Criança Petrobras na Maré, que reivindicavam um espaço específico para elas, curso ou atividade, uma vez que seus filhos já participavam de oficinas extracurriculares. Junte-se a isso, a proposta da Redes da Maré de criar um projeto específico para as mulheres da favela e, ainda, a vontade da gastrônoma Mariana Aleixo, criada na Maré, de voltar ao seu local de origem para dividir seu saber após ter cursado a faculdade de gastronomia. E logo no primeiro ano, ficou claro o alto potencial do projeto. Assim, ainda em 2010, em busca do crescimento tanto das oficinas como do bufê, o Maré de Sabores se mudou para o espaço da Lona Cultural Herbert Vianna, cuja administração passara a acontecer através da parceria da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro com a Redes da Maré.

“No primeiro momento, a ideia de oferecer aulas de culinária para as mulheres era muito coerente com a proposta do programa para as crianças, que sempre apostou no processo de formação delas. As oficinas visavam a reeducação alimentar das mulheres e de seus filhos, introduzindo ingredientes que não eram tão comuns ali, como por exemplo, pães artesanais com farinha integral. Ao comer melhor, acreditávamos que as crianças iriam aprender melhor. Mas logo a demanda foi bem além das mães do Programa Criança, acelerando o crescimento do projeto. De repente, cem mulheres de diferentes partes da Maré queriam fazer as aulas”, conta Mariana Aleixo, desde então coordenadora pedagógica do Maré de Sabores, responsável também pelas aulas ao lado de Karolyne Lobão, ex-aluna do projeto que também se formou em gastronomia.


Um histórico de conquistas

Michele Nogueira Gandra do Bufê Maré de Sabores

Michele Nogueira Gandra do Bufê Maré de Sabores

Mais antiga aluna da oficina do Maré de Sabores em ação na cozinha do projeto, Michele Nogueira Gandra, de 41 anos, lembra que, ao chegarem ao espaço da cantina da Lona, havia apenas um fogão e três panelas doadas para dar conta tanto das aulas como para o serviço de bufê. Hoje, cinco anos depois, o rosto iluminado de Michele ao falar com orgulho do crescimento do Maré de Sabores ilustra também as transformações na sua própria vida desde então. Dona de casa que até 2010 ocupava-se somente das tarefas do lar e do dia a dia de seu marido e dos três filhos, Michele viu na oficina de gastronomia a chance de cozinhar melhor para família. Entrou para a primeira turma ainda no Vicente Mariano e, já no mesmo ano de 2010, estava às voltas com a produção de um primeiro serviço de bufê, um almoço durante um seminário sobre educação organizado pela Redes da Maré. As delícias preparadas pela turma do Maré de Sabores logo, literalmente, caíram na boca do povo e as encomendas não pararam mais. Ali, sem saber, começava um novo ciclo na vida de Michele:

“De repente, me vi trabalhando 15 dias seguidos e gostando do que estava fazendo. Era tudo muito novo para mim e para a minha família que, de uma hora para outra, começou a sentir falta da minha presença. Com a ajuda das aulas de gênero, fui percebendo meu fortalecimento como mulher. Se antes eu ficava em casa mas estava sempre estressada e reclamando, passei a valorizar cada momento ao lado do meu marido e dos meus filhos”, conta Michele, que, com o dinheiro do trabalho, viu a vida financeira da família ficar mais confortável, estimulando passeios e viagens antes impensadas, como idas ao cinema e temporadas em Rio das Ostras. Desde que começou no Maré de Sabores ela ainda pôde comemorar a entrada de dois de seus filhos na faculdade: a garota de 21 anos faz Psicologia no Ibmec e o rapaz de 19 anos cursa Administração na UFRJ.

Lívia Santos Barros do Maré de Sabores prepara o lanche de estudantes

Lívia Santos Barros do Maré de Sabores prepara o lanche de estudantes

Michele é uma das profissionais fixas do bufê Maré de Sabores, num grupo que, dependendo da época do ano e das demandas, vai de seis a 12 mulheres. Ao seu lado estão as fiéis escudeiras Dara Ângela, de 19 anos, que sonha em cursar uma faculdade de gastronomia, e Lívia Santos Barros, de 30 anos, responsável, entre outras tarefas, pelos lanches diários das crianças que participam de um outro projeto da Redes da Maré, o Nenhum a Menos. Entre outros quitutes, Michele prepara sozinha pães e bolos variados.

“O Maré de Sabores trouxe independência à minha vida”, afirma Lívia. “A estabilidade financeira que conquistei me deu a chance de morar sozinha e não depender mais do meu pai e da minha irmã. Também sempre fui muito calada, não abria a boca. Aqui conheci muitas pessoas, aprendi a gostar do que eu faço, sou de verdade uma outra pessoa”.

As histórias de Michele e Lívia são um belo retrato da revolução que o Maré de Sabores tem feito entre as mulheres de diferentes comunidades da Maré. Se muitas abriram seus próprios negócios ligados à gastronomia, como venda de bolos e restaurantes, outras seguiram caminhos ainda mais distintos.

“As aulas mostraram que elas tinham poder para ir à luta no mercado de trabalho. Muitas que se sentiam velhas para começar viram que não há idade para partir para uma outra vida. E tem ainda as jovens que resolveram fazer faculdade de gastronomia”, conta Michele.


Cardápio com influência nordestina

O cardápio do bufê Maré de Sabores é extenso, com muita influência do Nordeste, uma vez que 60% dos moradores da Maré são nordestinos ou descendentes deles. Nestes anos, a turma de chefs acabou criando iguarias que se transformaram em marcas da cozinha da Maré, como o canapé de suflê de bacalhau, o dadinho de tapioca com queijo coalho servido com melaço e o pudim de tapioca. Os pães fabricados artesanalmente também são outro sucesso: há pão de milho, aipim, de ervas, australiano, sem glúten, entre muitos outros. Quitutes que vêm fazendo a boa fama do bufê ao redor da cidade, como conta Mariana Aleixo:

“Sempre priorizamos a qualidade do produto, porque trata-se de uma forma de levar a Maré para outras partes do Rio, rompendo com o estigma negativo que ronda a favela. Sempre fizemos bonito. Se vamos servir um bobó de amarão, não vamos fazer da forma usual mas, sim, inovando e o servindo com um caldo para ser saboreado num copinho. E assim vamos surpreendendo quem prova da nossa cozinha”, explica Mariana, acrescentando que o sucesso também pode ser medido pelas premiações ao longo da história do projeto, como o Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, coordenado pela Secretaria Geral da Presidência da República, em 2011.

Os já famosos pratos e quitutes do Maré de Sabores serão preparados a partir de agosto na cozinha com cerca de 60 metros quadrados, prevista para o térreo da Casa das Mulheres. Ali funcionará também a recepção, e, muito provavelmente, um espaço para servir refeições, gerando mais renda para o projeto e incentivando o surgimentos de outros de interesse das mulheres. Já as oficinas do Maré de Sabores vão acontecer no segundo andar, que abrigará também outras salas de aula e de acolhimento às mulheres. No terceiro andar, a proposta é que funcionem os demais cursos. E, finalmente, o terraço do quarto andar terá hortas e, se tudo der certo, placas de energia solar para baratear a conta de luz.

Em 2016, o projeto Maré de Sabores recebe apoio, para realização do seu plano de trabalho do ano, da empresa L’Oréal, do Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal e do Instituto Lojas Renner.

Já a construção da Casa das Mulheres da Maré vem sendo possível pelas contribuições da Action Aid, que realizou campanha junto a doadores individuais, em 2013; do Instituto Lojas Renner, através de edital púbico, em 2014; e, ainda, pela parceria institucional entre a Redes da Maré e a Fundação alemã Ireso.

Turma do "Maré de Sabores"

Turma do “Maré de Sabores”

Censo Maré

Censo Maré 2012

Mais do que um simples diagnóstico, o Censo da Maré é o primeiro passo para a realização de ações concretas que impactarão na realidade de todos. Mas, para isto, é importante tirar um retrato atual da comunidade. Uma foto em que cabem todos os moradores da Maré.

O Censo Maré já está nas ruas. Com o objetivo de construir um diagnóstico completo sobre a realidade dos moradores, instituições e empresas do bairro, o Censo vai determinar o número de habitantes da Maré e sua origem geográfica, a composição das famílias, a distribuição da população por faixa etária, a formação étnica, os níveis de escolaridade e renda, trabalho e as redes de inserção social.

Mas não é só: a intenção é levantar as condições de habitação da comunidade, investigar a incidência de doenças para determinar taxas de mortalidade, identificar as diferentes práticas religiosas, culturais e de lazer da população, mapear os serviços públicos disponíveis e as atividades econômicas existentes, apontando os potenciais de crescimento, além de identificar situações de violência nas comunidades e seus impactos nas famílias e organização social do território.

Ou seja, o Censo – uma iniciativa da Redes da Maré em parceria com o Observatório de Favelas, Fundação Ford e Petrobras, patrocínio da Action Aid e apoio do Instituto Pereira Passos (IPP) – se propõe a fazer um verdadeiro retrato do que é a Maré hoje, sempre com o foco na apresentação de alternativas e soluções que representem efetivas melhoras para as condições de vida dos moradores.

O resultado subsidiará ainda a formulação, execução e avaliação do Projeto Integrado de Desenvolvimento Local (PIDL), cujo objetivo é fazer com que os governos definam as políticas públicas para o bairro respeitando as características locais, mas com os mesmos parâmetros utilizados para outros bairros do Rio de Janeiro.

A primeira ação concreta já foi realizada: existe hoje um levantamento completo de todas as ruas da Maré, com nomes e localização, que vai gerar – no futuro – um guia de ruas de todo o território. Para esta atualização da base cartográfica do bairro um profissional especializado (cartógrafo) foi contratado e o resultado do trabalho foi entregue ao Instituto Pereira Passos, que agora conta com um detalhamento da cartografia das 16 comunidades, o que não é comum nas áreas de favelas do Rio de Janeiro. Além disso, vem sendo discutida a apresentação de um projeto na Câmara Municipal de Vereadores com o objetivo de oficializar todas as ruas da Maré.

Duas etapas

Como todo Censo, este também conta com pesquisadores batendo de porta em porta, realizando questionários e ouvindo detalhes da realidade da Maré diretamente dos moradores e comerciantes. Na primeira etapa foram entrevistados os donos de empreendimentos comerciais com o objetivo é fazer um levantamento completo da rede de comércio e serviços existente na Maré, bem como o número de empregos gerados e o potencial econômico da comunidade.

A partir deste levantamento, estão sendo mapeadas as necessidades existentes que servirão de base para a realização de programas de capacitação e qualificação profissional – visado a melhoria do atendimento e dos serviços prestados na comunidade – e a publicação de um guia de comércio e serviços da Maré. A publicação do estabelecimento no guia deverá receber autorização expressa do responsável pelo comércio.

A segunda etapa é a aplicação dos questionários entre os moradores, com recenseadores treinados que estão visitando todas as residências da Maré para fazer o levantamento detalhado da realidade da comunidade. Todas as instituições públicas e não-governamentais do bairro também serão entrevistadas e incluídas no resultado do trabalho.

Equipe

Ana Nascimento
Dalcio Gonçalves
Everton da Silva
João Lipke
Jonathan Nunn
Laís de Oliveira

Contato

Telefone: 3105-5531

Publicações

Censo de empreendimentos da Maré

O objetivo da publicação é apresentar o perfil econômico da Maré, feito a partir do primeiro Censo de Empreendimentos Econômicos da Maré. Durante 21 meses, 25 entrevistadores reuniram dados sobre 92,8% dos empreendimentos (2.953) — compostos por comércio (66%), serviços (33,3%) e indústrias (0,7%). Destes, apenas 24% dos negócios são formalizados.

Baixe aqui. 

Guia de ruas da Maré

O Guia é resultado do Censo Maré, uma iniciativa da Redes da Maré e do Observatório de Favelas, com o apoio do Instituto Pereira Passos (IPP), e foi produzido em parceria com as 16 associações de moradores da região e outras organizações.

Baixe aqui.

O mapa do comércio no Complexo da Maré - Jornal Futura - Canal Futura
Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social / 2015 | Censo Maré - Cartografia, demografia e atividades econômicas

Convivências na cena da Flávia Farnese

Convivências na Flávia Farnese : reflexões sobre a politica de drogas a partir da perspectiva da Maré

O projeto de pesquisa-ação iniciou suas atividades em 2015 a partir da aproximação da Redes da Maré com a cena da Rua Flávia Farnese 500 no Parque Maré, um espaço onde convivem, desde 2013, um grupo heterogêneo de aproximadamente 100 pessoas que compartilham o fato de estar em situação de rua e o uso de drogas.

O projeto tem como objetivo pautar uma agenda positiva para pensar as condições das pessoas em situação de rua e promover uma reflexão sobre práticas de redução de danos e politicas de cuidado para pessoas que usam álcool e outras drogas que inclua uma interface com o direito à segurança pública. Esta iniciativa promove também o surgimento de novas formas de convivência a partir do fortalecimento de vínculos pessoais e institucionais e da articulação territorial.

Finalmente, esta experiência é a oportunidade de estimular “Diálogos sobre Drogas” na Maré para debater a lógica de enfrentamento promovida pelo Estado, a chamada “guerra às drogas” e permitir o surgimento de narrativas, práticas e políticas alternativas.Foto: Fagner França

As principais realizações do projeto são: 1) o diagnóstico social através da realização de 60 entrevistas que resultou no artigo “Meu nome não é Cracudo” (2016); 2) atividades culturais na cena, o Entre Fluxos, como o Cineminha na Cena ou os encontros fotográficos que resultaram na exposição de fotografia “Anotações de uma aproximação” (2015) e na ação de Lambe Lambe “Você me vê quando me olha?” na Avenida Brasil (2016) 3) a articulação territorial através do Fórum de Atenção e Cuidado a Usuários de Álcool e outras Drogas na Maré, iniciativa que reúne mensalmente profissionais da saúde, da assistência social e insti
tuições que atuam na Maré 4) a realização de um grupo de estudo para produção de conhecimento sobre políticas de cuidado e atenção à usuários de drogas e a reflexão sobre práticas de redução de danos em contextos de violência. 5) a construção participativa de um banheiro como ação de mobilização e prática de redução de danos 6) a promoção de debates e diálogos sobre as políticas de drogas a partir da perspectiva dos espaços populares através de grupos focais e mobilização comunitária.

Para maiores informações:

Baixar aqui o artigo “Meu nome não é Cracudo”  em português.

Baixar aqui o artigo em inglês.

# Parceiros

Open Society Foundations

Associação de Moradores do Parque Maré

Núcleo Interdisciplinar de Ações para Cidadania (NIAC/UFRJ)

Centro de Estudos sobre Segurança e Cidadania (CESeC)

# Equipe e contato

Coordenação Geral: Eliana Sousa Silva

Coordenação de campo e pesquisa: Maïra Gabriel Anhorn, Lidiane Malanquini

Pesquisadores: Henrique Gomes, Rodrigo Nascimento, Ana Clara Telles

Assistente Social: Jaqueline Andrade

Supervisão do Grupo de estudo: Miriam Guindani

Fotógrafa: Tatiana Altberg

Mobilizador : Nelson Texeira – Associação de Moradores do Parque Maré

Parceria para o Cineminha na Cena: Bhega – Cineminha no Beco (https://www.facebook.com/cineminhanobeco/?fref=ts)

Contato: maira@redesdamare.org.br

# Notícias relacionadas

Maré de Sabores

O projeto Maré de Sabores foi criado em 2010, a partir da demanda de mães de alunos de outros projetos desenvolvidos pela Redes, interessadas em trabalhar com culinária. A oficina de Gastronomia oferece módulos de confeitaria, massas, chocolates e entradas e qualifica suas participantes a trabalhar como cozinheiras ou abrir seus próprios negócios, de forma individual ou coletiva, promovendo o aumento de sua renda.

Com duração de seis meses, o curso oferece, além das aulas de gastronomia, oficinas de Gênero e Cidadania, em que as alunas são encorajadas a refletir sobre autonomia, autoestima e o papel que ocupam na sociedade.

Ao longo de cinco anos, o Maré de Sabores já formou mais de 300 mulheres de todas as comunidades da Maré e possibilitou a entrada de várias delas no mercado de trabalho.

Buffet

A partir da organização das mulheres formadas pelo projeto, formou-se um grupo que oferece serviços de buffet para diferentes públicos – de festas particulares a eventos em universidades e empresas. Por meio da articulação com parceiros institucionais, o Buffet Maré de Sabores vem conseguindo espaço para produzir e oferecer seus produtos e puderam ampliar o alcance de seus serviços.

Equipe

Coordenação Geral: Shirley Villela

Coordenação de Gastronomia: Mariana Aleixo

Produção: Michelle Barros

Cozinha:

Dara Pereira

Michele Gandra

Joyce Helene

Livia Barros

Lucia Helena Laprovita

Buffet

Acesse nossas sugestões de cardápio no site do Maré de Sabores.

Parceiros

Fundo Socioambiental da Caixa

L’oréal Paris

Afonso França Engenharia

Instituto Lojas Renner

Consulado das Mulheres

ActionAid Brasil

Muda Maré

Rede Ecológica do Rio de Janeiro

Feira Agroecológica da UFRJ 

Prêmios

2012 – Prêmio Objetivos do Milênio, oferecido pela Secretaria-Geral da Presidência da República, em parceria com o Programa Nacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)

Certificação do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2011

Contato

Formulário de contato

E-mail: maredesabores@redesdamare.org.br

facebook.com/MaredeSabores

Telefone: 3105-6815

Gastronomia & Gênero

Gastronomia 

A oficina de gastronomia é dividida em três módulos centrais – Panificação, Confeitaria e Massas. Além de ensinar receitas clássicas como pão integral e massa fresca, as aulas, que pretendem resgatar a cultura alimentar da Maré, integra receitas e ingredientes tradicionais na alimentação dos moradores aos três módulos.

A partir da oficina, as alunas são provocadas a refletir sobre sua própria alimentação e, consequentemente, sobre a de suas famílias, gerando novos hábitos alimentares nos participantes. As aulas abordam temas como alimentos orgânicos, alimentação saudável e aproveitamento total dos alimentos.

Desde 2015, também são oferecidas oficinas do módulo avançado de Gastronomia, voltadas para as técnicas básicas da cozinha profissional.

Gênero

A oficina de Gênero e Cidadania tem o objetivo de provocar uma reflexão nas mulheres que participam do projeto. A ideia é debater com as mulheres temas de interesse que contribuam para sua formação cidadã, buscando criar nelas uma consciência crítica, política e emancipadora.

Desde a criação do projeto Maré de Sabores, ficou claro que era preciso não só qualificar as mulheres profissionalmente, mas também promover seu empoderamento, sua autonomia, aumentar sua autoestima e lhes oferecer a consciência do papel da mulher em nossa sociedade.

A dinâmica desses encontros semanais é trazer informações, dados e/ou imagens relevantes sobre os temas escolhidos e promover um debate entre as mulheres sobre o exposto. Em geral, as discussões são muito produtivas e levam as mulheres a pensar questões que, muitas vezes, passam despercebidas no cotidiano, como violência contra as mulheres, Lei Maria da Penha e seus mecanismos, racismo, mercado de trabalho, direitos das mulheres, saúde e sexualidade, mulheres na mídia, segurança pública, entre outros.

Maré que Queremos

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O nome já diz muito sobre este projeto que é, antes de tudo, fruto do desejo coletivo dos moradores da Maré. Quais são as principais necessidades e reivindicações das comunidades que compõem esse conjunto de favelas, o maior do Rio de Janeiro em população? Apenas o “básico” é suficiente? Diversão, arte, cultura, auto-estima e respeito à diversidade são importantes também? Qual a Maré que queremos?

Com estes questionamentos em mente, representantes das 16 favelas da Maré iniciaram em fevereiro de 2010  diversos  encontros para construir uma pauta comum de reivindicações e desejos. A lista de prioridades, transformada no documento denominado “Maré que queremos”, engloba as áreas de saúde, educação, artes e cultura, esporte e lazer, segurança pública, meio ambiente, infra-estrutura, trabalho e geração de renda, transportes, habitação e comunicação. As reivindicações estão sendo apresentadas às diferentes autoridades públicas responsáveis pela execução das ações.

Ao unificar todas as favelas que formam a Maré em torno de necessidades e objetivos em comum, o projeto resgata uma importante característica da região: a história de lutas e ações conjuntas de seus moradores, desde o início da Maré, nos anos 40.

A ideia é juntar forças mais uma vez, para que novas ações sejam desenvolvidas e gerem um projeto estruturante que possa transformar a Maré em um bairro de fato – com a infraestrutura necessária para ganhar este status, igualando-se a outras áreas urbanas da cidade.

A partir da construção de um espaço unificado de discussão, debate e reflexões das comunidades da Maré, espera-se criar um fórum permanente que agregue novas instituições comprometidas com o desenvimento do bairro. O objetivo é encontrar respostas para alguns problemas estruturais da região, que estão há tempos sem solução – repensando inclusive o papel do poder público na Maré.

A primeira parte do projeto consistiu em reunir os dirigentes de todas as associações de moradores em encontros periódicos, que provocaram a reflexão do grupo a respeito dos principais problemas que afetam a vida dos moradores da Maré. Uma das principais conclusões destas discussões foi que, apesar de uma favela ser diferente da outra, há vários problemas em comum.

Na lista de reinvindicações, os representantes das 16 favelas da Maré elencaram tanto a necessidade de ampliar e melhorar serviços públicos já oferecidos quanto de criar novos equipamentos para os moradores do bairro nas mais diferentes áreas e espaços de convivência e cidadania.

A segunda etapa do projeto prevê reuniões com os governos municipal, estadual e federal para apresentar as propostas desenvolvidas pelo grupo e garantir que se tornem ações concretas na definição do Plano de Desenvolvimento Local para o bairro da Maré. O objetivo é elaborar uma agenda de trabalho que atenda as prioridades da comunidade, cobrando a realização das ações por parte dos poderes públicos. Neste sentido, vem se mantendo reuniões mensais com pautas específicas de interesse dos moradores, além das reuniões com os órgãos públicos para acompanhamento das ações a serem implementadas no bairro.

Conheça o documento “A Maré que Queremos”

A partir de uma atuação abrangente, que reúne diversas instituições – associações de moradores, escolas públicas, órgãos públicos, empresas estatais e privadas, além de indivíduos -, a Redes trabalha para construir uma agenda positiva para a Maré. Os projetos que fazem parte desse eixo buscam produzir conhecimento e gerar dados precisos sobre a realidade da Maré.

Território Inventivo da Maré

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