Identidades, Memória e Comunicação

EIXO IDENTIDADES, MEMÓRIA E COMUNICAÇÃO

A Redes da Maré acredita que ações de comunicação dentro da perspectiva participativa, democrática, comunitária e informativa, a partir de diferentes veículos, são instrumentos potentes para o combate a estereótipos e a manifestações de violências nas favelas e periferias. De um lado, o olhar de moradores e daqueles que trabalham e atuam nesses espaços, traz uma nova perspectiva para além do que é, comumente, veiculado na grande imprensa. De outro, é preciso que esses mesmos atores estejam informados sobre fatos e temas atuais, não só da cidade e do país mas do mundo, para que possam refletir sobre os mesmos e suas consequências para o cotidiano do lugar onde vivem, trabalham ou atuam. Nesse sentido, a Comunicação se traduz em um eixo norteador de nossas ações.

PROJETOS

Jornal Maré de Notícias

O jornal mensal Maré de Notícias teve sua primeira edição em dezembro de 2009. Antes da circulação da primeira edição, a Redes da Maré realizou uma pesquisa em todas as comunidades da Maré para saber quais os interesses de leitura dos moradores. Essa pesquisa mostrou a necessidade de um jornal feito na e pela comunidade, já que a maioria das pessoas se disse insatisfeita com o que lê e vê sobre a Maré. Dos 2.300 entrevistados, 98% afirmaram que é importante a existência de um jornal comunitário.

A participação da população se deu até mesmo na escolha do nome do jornal, que puderam sugerir nomes para a publicação. Após mais de 200 nomes, Maré de Notícias foi eleito por uma comissão.

O lançamento do jornal surgiu do desejo da Redes em aumentar o fluxo de informações de qualidade sobre a comunidade e de mostrar a Maré como os moradores a vêem, e não com um olhar estereotipado e preconceituoso, como os espaços populares são comumente apresentados pelos meios de comunicação.

O Maré de Notícias é produzido e distribuído através da parceria com a ActionAid e apoio do Observatório de Favelas, Conexão G, Luta pela Paz e Vida Real.

Confira as últimas edições do jornal:

Núcleo de Memória e Identidade da Maré - NUMIM

DONA OLIZIA 2

Núcleo de Memória e Identidade da Maré 

Preservar a memória das comunidades da Maré e reconstruir a identidade local são missões do Núcleo de Memória e Identidade (NUMIN) da Redes.  Ao contar o passado da Maré a partir dos relatos dos seus próprios moradores, o núcleo oferece um novo repertório de referências e informações para a discussão dos problemas do presente.

O trabalho de pesquisa, registro e divulgação da memória dos moradores vem sendo desenvolvido desde 2010 por um grupo de jovens universitários, moradores da Maré, orientados por pesquisadores. O núcleo vem realizando uma série de entrevistas e pesquisas em acervos particulares e públicos da cidade.

As investigações do núcleo já geraram dois livros: Memória e Identidade da Nova Holanda (2012) e Morro do Timbau e Parque Proletário (2014). As duas obras fazem parte de um projeto ambicioso: contar as memórias de todas as 16 comunidades da Maré, formando assim a coleção “Tecendo Redes de histórias da Maré”.

Para a Redes, o projeto de contar a origem e a evolução das comunidades da Maré não diz respeito apenas ao bairro. Ao investigar uma parte da história do Rio de Janeiro ainda esquecida, ou tocada de forma marginal, o  NUMIN contribui para a melhor compreensão da história da cidade, ajudando a quebrar preconceitos e estereótipos enraizados nas relações estabelecidas entre os cidadãos do Rio de Janeiro.

Equipe

Coordenação Geral

Edson Diniz

Marcelo Belfort

Paula Ribeiro

Coordenação Executiva

Higor Antônio

Pesquisadores

Gilson Jorge

Henrique Gomes

Marcelo Lima

Publicações

Memória e Identidade da Nova Holanda

Um relato do início de vida na região, quando os moradores, quase todos imigrantes de outras cidades, conviviam com a falta de água e luz e as ameaças de remoção.A publicação foi viabilizada por meio do edital “Memória, Patrimônio, Pesquisa e Publicação – Edição 2010″, da Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro e do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

Baixe aqui o PDF.

Morro do Timbau e Parque Proletário

Por ser uma área seca, o Morro do Timbau foi o primeiro a atrair os trabalhadores, especialmente nos anos 1940 com a abertura da Avenida Brasil (então Variante Rio-Petrópolis). A ocupação do Parque Maré teve início no final da mesma década, com casas sob palafitas.

Baixe aqui o PDF.

Depoimentos

MORRO DO TIMBAU

Sobre a antiga paisagem do Morro do Timbau:

“Veio muita gente do Nordeste, muita gente que chegou aqui, foi fazendo barraquinho pra lá, tá entendendo? Aí povoou, ficou o povoamento, porque quando eu era menina, tinha meus dez, 11 anos, eu subia isso aqui (Morro do Timbau) lá em cima onde tem a Assembleia de Deus, e ali tinha pé de caju, pé de coqueiro, Jabuticaba, Jamelão. Eu era menina e você pegava manga ali, andava no mato, era mato que a gente vinha toda arranhada”.

Dona Nicéia Perpétua da Rosa Laurinda, uma das mais antigas moradoras do Morro do Timbau

Sobre a formação do Núcleo da Praia de Inhaúma

“No começo, quando fui morar na Praia de Inhaúma, no pé do Morro do Timbau, ali era tudo mar… O Fundão era três ilhas só: O Bom Jesus, a Ilha das Cabras e outra que eu esqueci o nome agora … O mar era aberto, aí era um santuário de peixes”

“Meus filhos não quiseram ser pescadores… Ninguém quis ser do Mar, Só eu Mesmo”

Expedito Corrêa da Silva, pescador e ex-morador do Timbau, hoje vive em Ramos.

“Se foi uma luta, foi uma dificuldade? Foi! Porque meus pais eram pescador, né? E eu digo meus pais, porque eram meus avós, minha família toda foi pescador, é aquele negócio, sabe que pescador tem que pescar de noite pra trazer o pão, de manhã cedo, pra gente poder ter alimento”.

Dona Nicéia Perpétua da Rosa Laurinda, uma das mais antigas moradoras do Morro do Timbau

“Aí, tinha uma área lá onde era capim. E aí resolvemos invadir aquilo ali, ivadimos aquilo ali… Quase toda noite fazíamos um barraco lá, né? … Eu fiz um barraco de tábua, foi quando eu trouxe minha mulher do Norte”.

“Seu” Pedro Rufino, antigo morador da Praia de Inhaúma

PARQUE PROLETARIO

Sobre a formação do Parque Proletário da Maré:

“Quando a Maré enchia, lavava o assoalho do barraco. É triste…”

“Não tinha barraco nenhum, o primeiro barraco eu que fiz. Fazia de noite e tinha que dormir com a família dentro, porque se não, os guardas derrubavam!”

Bento Alves de Paiva, migrante paraibano que veio viver na Maré em 1949.

“Olha só, eu nasci em um lugar que, procurando no google, não tem no mapa. Parece que ele não foi catalogado no mapa. Tem várias cidades próximas, mas onde eu nasci não existe. Mas com certeza existe, porque fui lá em 1992, foi quando eu voltei, depois que vim pra cá (Maré). Fui lá visitar e por incrível que pareça, a casa é igual como eu me lembrava da minha infância”.

“Eu não dizia:`eu moro em Bonsucesso`. Eu dizia: `Eu moro na Maré, Maré. Eu moro na Maré!”

Severino Edmudo de Aquino, morador do Parque Proletário e migrante do sertão da Paraíba.

Contato

E-mail: edson@redesdamare.org.br

Telefone: 3105-5531