Convivências na cena da Flávia Farnese 500 – Redes da Maré

Convivências na cena da Flávia Farnese 500

Desenvolvimento Territorial


Em 2015, uma equipe multidisciplinar da Redes da Maré começou a se aproximar de uma cena de uso de drogas na Rua Flávia Farnese número 500, Parque Maré. A partir de 2013, cerca de cem pessoas haviam começado a frequentar e a morar ali, tornando-se parte do cotidiano da Maré. A proposta do projeto-pesquisa era entender aquele grupo de pessoas que usam drogas e em situação de rua. Outro ponto importante era e continua sendo ampliar o debate sobre drogas na região. Hoje, o projeto atua na cena da Flávia Farnese 500 e na Avenida Brasil, entre as passarelas 9 e 10, onde há cenas móveis de uso de drogas.

O objetivo é pautar uma agenda positiva envolvendo diferentes setores da sociedade no debate sobre práticas de redução de danos e políticas de atendimento a pessoas que usam crack, álcool e outras drogas. Tudo isso numa interface com a Segurança Pública e com o direito territorial à cidade, estimulando também diálogos e narrativas alternativas para denunciar os efeitos da guerra às drogas.

Principais realizações:

• Diagnóstico social dos usuários de drogas da Flávia Farnese a partir de 60 entrevistas, que deram origem ao artigo “Meu nome não é Cracudo” (2016);

• Atividades culturais para os moradores da Flávia Farnese, tais como Cineminha na Cena com projeção de filmes, além de encontros fotográficos que resultaram na exposição Anotações de uma aproximação (2015) e a intervenção com fotografias lambe-lambe “Você me vê quando me olha?", na Avenida Brasil (2016);

• Articulação territorial a partir da criação Fórum de Atenção e Cuidado a pessoas que usam Álcool e outras Drogas na Maré, que reúne mensalmente profissionais de saúde, assistência social e representantes de outras instituições que atuam na Maré. A iniciativa deu origem, em junho de 2017, ao Atenda, polo de atenção integrada na Avenida Brasil;

• Grupos de estudos e encontros para produção de conhecimento sobre políticas de cuidado e atenção a pessoas que usam drogas, com reflexão sobre práticas de redução de danos em contextos de violência.

• Construção de um banheiro na cena da Flavia Farnese 500, junto com os moradores locais, numa ação de prática de redução de danos;

Equipe:

Coordenação Geral e pesquisa: Maïra Gabriel Anhorn

Pesquisadores: Henrique Gomes, Rodrigo Nascimento, Ana Clara Telles

Assistente Social: Jaqueline Andrade

Estagiária equipe social: Luana Silveira

Supervisão do Grupo de estudo: Miriam Guindani

Fotógrafa: Tatiana Altberg

Mobilizador: Nelson Teixeira – Associação de Moradores do Parque Maré

Patrocínio:

Open Society Foundations

Parcerias:

Associação de Moradores do Parque Maré

Núcleo Interdisciplinar de Ações para Cidadania (NIAC/UFRJ)

Centro de Estudos sobre Segurança e Cidadania (CESeC)

CAPSad III Miriam Makeba

Cineminha na Cena: Bhega Silva – Cineminha no Beco

SMASDH/CASDH

SMASDH/4ª CDS

Consultório na Rua de Manguinhos

CREAS Nelson Carneiro

CREAS Stella Maris

Centro Municipal de Saúde Samora Machel

NASF

CNDDH – Conselho Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e dos catadores de Materiais Recicláveis / RJ Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e Defensoria Pública da União

Movimentos

Programa Crack, Álcool e outras drogas - Fiocruz

Plataforma Brasileira de Política de Drogas – PBPD


Principais realizações

Publicações

Meu nome não é cracudo

Em 2015 a Redes da Maré desenvolveu um processo de aproximação à cena aberta de consumo de drogas da rua Flávia Farnese, na Maré, atípica no Rio de Janeiro por sua estabilidade geográfica e demográfica. Combinando observação participante, criação de vínculos, intervenção, articulação institucional e entrevistas semiabertas com 59 dos cerca de 80 moradores da cena, buscou-se traçar o perfil e identificar as demandas dos moradores, entender as dinâmicas incidentes no espaço que ocupam e mapear as políticas de atendimento que ali atuam. Ponto de convergência de problemas sociais urbanos e contexto marcado por diversas violências, discriminações e trajetórias de marginalização, o estudo da “cracolândia” revela a urgente necessidade de políticas públicas integradas, capazes, inclusive, de ampliar as práticas de redução de danos para além das relacionadas diretamente ao uso de drogas. Revela também a importância da mediação de uma organização da sociedade civil integrada no território para articular demanda e oferta de políticas públicas, e facilitar a formulação de estratégias sustentáveis de atendimento aos usuários de drogas em situação de rua.

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