Como Atuamos

As instituições da sociedade civil, de maneira geral, como é o caso da Redes da Maré, são organizações que possuem três características básicas que as distinguem de outras empresas e órgãos públicos: orientação de suas ações no sentido de garantir e ampliar direitos a grupos sociais diversos; independência do Estado, embora busquem influenciar políticas públicas; desenvolvimento de projetos sociais sem fins econômicos (lucrativos).

Essas características trazem muitos desafios para o trabalho das instituições da sociedade civil, sobretudo, no campo da sua viabilidade e efetividade, no sentido daquilo que se quer alcançar. No nosso caso, escolhemos atuar no conjunto de favelas mais populoso no Rio de Janeiro, a Maré, onde residem aproximadamente 140 mil pessoas, distribuídas em 16 comunidades, numa área de pouco mais de 4 km².

A Redes da Maré tem como uma das suas peculiaridades o fato de ter sido fundada por pessoas que têm origem na própria Maré e que conseguiram pensar, de maneira crítica, suas trajetórias, buscando transformá-las. Além disso, trabalha uma agenda social voltada para o território da Maré, com mobilização e participação da população, produzindo conhecimento e propondo ações que permitem acompanhar, de maneira sistemática, as mudanças que podem significar melhorias concretas nas vidas dos moradores. Como instituição da sociedade civil, a Redes da Maré tem de desenvolver formas de gestão específicas, governabilidade e sustentabilidade a partir de elementos próprios do campo da sociedade civil.

Nessa perspectiva e no intuito de atingir os objetivos da instituição, temos como atuação estratégica pensar o nosso trabalho a partir de cinco eixos, a saber: (1) educação, (2) comunicação, (3) arte e cultura, (4) desenvolvimento territorial e (5) segurança pública. Essas temáticas foram escolhidas por representarem direitos fundamentais que ainda precisam ser conquistados pela população da Maré. Nosso entendimento é que, atuando a partir dessas áreas, atingiremos em médio e longo prazo demandas estruturais da Maré no campo da garantia de direitos básicos. Isso significa mais qualidade de vida, diminuição das desigualdades, superação das diversas formas de violência presentes no território e maior integração com a cidade.

Todos os eixos de trabalho da Redes da Maré têm como direcionamento estratégico as seguintes linhas de ação: mobilização dos moradores da Maré; fortalecimento das instituições locais, basicamente as 16 Associações de Moradores e das diferentes lideranças que se fazem presentes nas lutas históricas da Maré; parceria com distintas organizações, públicas e privadas, que atuam na região; produção de conhecimentos sobre a região; elaboração de projetos e programas que impactem na melhoria da vida da população; sistematização e difusão do saber produzido e incidência nas políticas públicas para que se alcance em médio e longo prazo a efetivação de direitos em todas as favelas da Maré.

Do ponto de vista metodológico, o trabalho da Redes da Maré acontece a partir de um fluxo que se concretiza pela produção de conhecimento sobre o território; pela formulação de propostas que se materializam em projetos e programas dentro dos eixos temáticos privilegiados; pela captação de recursos e sensibilização de diferentes parceiros a fim de viabilizar ações exemplares que possam incidir nas políticas públicas, para que ganhem escala e possam alcançar o conjunto dos moradores da Maré.

O trabalho acontece, portanto, a partir do atendimento direto à população local, que ocorre nos seguintes espaços dentro da Maré: na sede principal da Redes, no Centro de Artes da Maré, na Biblioteca Lima Barreto e Maria Clara Machado em Nova Holanda, na sede da Associação de Moradores na Vila do João, na Lona Cultural Herbert Vianna em Nova Maré e na Casa das Mulheres da Maré, no Parque União.

Esse conjunto de espaços permite desenvolver as ações que materializam os nossos projetos e programas e ajudam a concretizar os sonhos que animam as pessoas que criaram e trabalham na Redes da Maré. São espaços de interação com a população local, de troca de experiências, de produção de saber e onde se constrói o trabalho cotidiano que sustenta o projeto de uma sociedade mais justa, solidária e igual para todas as pessoas.