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NOTA SOBRE A OPERAÇÃO POLICIAL DE 18/02/2020

Desde as cinco horas da manhã, a polícia militar do Estado Rio de Janeiro realizou operações em algumas das 16 favelas da Maré.

Como na maioria das vezes, essas operações repetem o padrão de violência e de violações de direitos dos moradores descumprindo a constituição brasileira e deixando de fazer o que a Justiça determinou a partir da Ação Civil Pública da Maré, de 2016. Nessa determinação, dentre outras, todas as operações policiais devem ser acompanhadas por uma ambulância para ficar de plantão. Isso tem a ver com o histórico de feridos e mortos que as ações policiais costumam deixar.

Mas hoje, como em outras vezes, não havia ambulância e, novamente, houve mortos e feridos.

A equipe do Eixo de Segurança Pública e Acesso à Justiça da Redes da Maré acompanhou as operações policiais e realizou atendimentos à população local. São diversos os relatos de abusos e desvio de conduta por parte dos agentes policiais: agressões físicas e verbais, invasão de domicílio e tortura. Todas as denúncias serão encaminhadas à Justiça.

A própria equipe da Redes da Maré foi alvo de intimidação e truculência por parte de alguns policiais quando realizava atendimento aos moradores. Nossos profissionais foram ameaçados e impedidos de acompanhar o trabalho policial e tiveram armas apontadas para seus corpos. Essa é uma situação inadmissível!

O saldo da operação, mais uma vez, envolve mortos e feridos e o fechamento de escolas, postos de saúde e comércio, deixando um rastro de medo e angústia para os moradores da Maré. A verdade é que uma operação policial onde há mortos, feridos, intensos confrontos e casas alvejadas por tiros de fuzil não pode ser considerada de sucesso. Muito pelo contrário!

Mais uma vez, o Estado age nas favelas como se pudesse suspender as leis, ao mesmo tempo em que menospreza a vida dos 140 moradores das 16 favelas da Maré.

Não é com operações policiais desse tipo que serão solucionados os problemas de segurança pública na cidade, em especial nas favelas.

A Redes da Maré se posiciona veementemente contrária os abusos cometidos pelas forças policiais e, mais uma vez, exige do governador do Estado do Rio de Janeiro uma política de segurança que trabalhe com inteligência e que tenha como prioridade a preservação da vida e da paz.

DIREÇÃO REDES DA MARÉ

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