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Espaço Normal comemora um ano da inauguração de centro de convivência

Por Andréa Blum, da Redes da Maré

Espaço Normal comemora um ano da inauguração de centro de convivência Projeto referência de redução de danos dentro do território de favela apresenta trabalho em conferência internacional em Porto e consolida, no seu 5º ano de existência, metodologia e resultados

 

Rio de Janeiro, 07 de maio de 2019. No Dia Internacional da Redução de Danos, o Espaço Normal, projeto desenvolvido pela Redes da Maré, espaço de referência sobre drogas, comemora um ano da inauguração do seu centro de convivência, criado como uma das frentes do projeto que dá nome à casa, de desenvolvimento de uma metodologia de trabalho com populações em território de favela que usam drogas, muitas em situação de rua – que já alcança o quinto ano de atuação.

A proposta inovadora foi construída a partir das necessidades do território de criar alternativas, estratégias de cuidado, e consolidar a rede de proteção para pessoas que fazem uso prejudicial de drogas e que estão em situação de rua. “O projeto é orientado pelo fortalecimento dos vínculos sociais através da convivência, do acolhimento, da articulação em rede e da sensibilização com e para a comunidade para a promoção de práticas de cuidados pautadas na construção de políticas de drogas garantidoras de direitos”, afirma a coordenadora geral, Maïra Gabriel Anhorn.

O Espaço Normal constrói em articulação uma agenda positiva sobre as práticas de redução de danos e oferecer a criação conjunta - com as lideranças do território, órgãos públicos e demais organizações parceiras - de políticas e ferramentas de cuidado e diálogo com as pessoas, fomentando a criação de vínculos e narrativas alternativas para denunciar os efeitos da guerra às drogas. “A redução de danos é uma estratégia que trabalha muito com o que a pessoa, em determinado momento, pode, consegue e quer fazer em relação às drogas, e respeita a decisão de cada um”, afirma Luna Arouca, coordenadora do Espaço Normal da Redes da Maré.

Fruto de anos de pesquisa e intervenção junto às cenas de uso de crack e outras drogas localizadas na Flávia Farnese e na Avenida Brasil, na Maré, o trabalho se desenvolve em três frentes de atuação: criação de alternativas para pessoas com uso prejudicial de drogas e familiares; articulação institucional e territorial para a construção de uma agenda local de redução de danos; sensibilização e produção de conhecimento sobre práticas de redução de danos em contextos de violência.

A partir do espaço físico da casa são desenvolvidas atividades – conduzidas por uma equipe interdisciplinar, composta por assistentes sociais, articuladores territoriais, advogados, mobilizadores locais e psicólogos - de apoio a pessoas com uso prejudicial de drogas nas ruas, de orientação a familiares e interlocução constante com serviços públicos de saúde, assistência e segurança, além de moradores, comerciantes da Maré e instituições locais. “Aqui nos tratam como seres humanos, diferente de lá fora, que somos vistos como monstros, doentes ou pessoas que vão roubar.

Quando estou aqui, me sinto calmo e não penso em usar drogas”, diz P.C., um dos frequentadores da casa.

Parcerias

A experiência – construída nos últimos cinco anos pela Redes da Maré – já é referência também dentro da organização parceira Open Society Foundations, que trabalha com redução de danos em mais de 20 países, dentro da sua frente de Saúde Pública.

“Estive no Brasil há cerca de sete anos em busca de grupos locais que trabalhassem com redução de danos na linha que entende que as pessoas que usam drogas merecem ser tratadas com dignidade e respeito e ter acesso à saúde e direitos humanos. Entendia que precisávamos criar um serviço que, de fato, atendesse essa população, pois mesmo os serviços feitos para esse público criam regras que os tornam inacessíveis.

Foi quando conheci a Eliana (Sousa Silva) e construímos – junto com a Redes da Maré – este programa, que dialoga com as necessidades de pessoas que usam drogas e em situação de rua e vulnerabilidade social, excluídos dos acessos a serviços públicos”, conta Sarah Evans, gerente do Programa de Redução de Danos da Open Society Foundations, organização global que financia grupos civis da área de direitos humanos pelo mundo.

“A idéia de inclusão social para pessoas que usam drogas em situação de rua e em território de conflito armado fazia todo sentido. Começamos então a desenhar um programa que entrasse de verdade em contato com a população da rua que usa drogas a partir de uma de nossas qualidades, que é o processo de articulação territorial”, conta Eliana Sousa Silva, uma das diretoras da Redes da Maré. Desta forma, o projeto gera impacto na vida das pessoas e no território. “É um espaço que todos, independente de como são, podem vir e pertencer”, reforça D., outro membro da casa Espaço Normal.

Leia mais em http://www.mareonline.com.br/direitos-humanos/reducao-de-danos-avancos-retrocessos-e-perspectivas/

Conferência Internacional de Redução de Danos de Porto

A equipe do Espaço Normal – projeto inovador de redução de danos dentro da favela –apresentou o trabalho na 26ª edição da Conferência Internacional de Redução de Danos, realizada em Portugal, na cidade do Porto, no final de abril de 2019, e se juntou à delegação brasileira para pedir o apoio da comunidade internacional para assegurar a manutenção das políticas de redução de danos no Brasil e as conquistas que essas políticas produziram ao longo dos últimos 30 anos. Saiba mais em https://www.hri.global/hr19conference