A Reunião foi classificada como urgente entre a Redes da Maré e representantes de comunidades da Maré. Foto: Silvia Noronha

Reunião entre o comandante do 22º BPM, tenente coronel Rodrigo Sanglard, a Redes da Maré e representantes de comunidades da Maré. Foto: Silvia Noronha

 

Representantes de dez comunidades da Maré e da Redes de Desenvolvimento da Maré se reuniram na quinta-feira, 18 de abril, com o comandante do 22° Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente coronel Rodrigo Sanglard, para relatar a insegurança vivenciada por moradores e trabalhadores locais desde que as incursões policiais voltaram a fazer parte da rotina da favela.

As ações afetam também o funcionamento de escolas, creches e postos de saúde, que vêm sendo fechados a cada operação da polícia.

O encontro com o comandante foi solicitado de forma emergencial quando presidentes das associações de moradores locais, que estavam reunidos na parte da manhã na Nova Holanda, foram informados sobre a entrada do blindado do batalhão no Ciep Operário Vicente Mariano.

O chamado “caveirão” entrou na escola por volta das 8h30 e ficou no local por cerca de duas horas. Não havia estudantes na escola porque as aulas do dia haviam sido suspensas, justamente por causa das últimas operações policiais.

Informado sobre o impacto das ações, sobretudo para o funcionamento das escolas, creches e postos de saúde, Sanglard se comprometeu a levar o problema até o comando da Polícia Militar. Uma reunião com o chefe do Estado-Maior Operacional da PM, coronel Pinheiro Neto, ficou de ser marcada com os líderes comunitários.

Desde início de março, a Maré voltou a conviver com confrontos que já provocaram mortes. O dia a dia das pessoas mudou. Crianças ficam sem aula, idosos sem atendimento médico e, de modo geral, moradores e trabalhadores vêm sendo surpreendidos com as ações, muitas vezes no horário de entrada das crianças na escola.

Mensalmente, os presidentes das associações de moradores locais se reúnem no coletivo A Maré que Queremos para debater políticas públicas que venham a gerar mudanças estruturais, de modo a melhorar a qualidade de vida nas comunidades. Era justamente num desses encontros que os líderes comunitários estavam antes de se reunir com o comandante do 22º BPM.

Para o relações públicas da Associação de Moradores do Parque União, Carlos Alberto, a forma como as operações policiais têm ocorrido provocam uma inversão de valores. “Em vez de a comunidade se sentir segura com a polícia, ela está com medo”, afirma.

Saiba mais sobre a Maré pré-UPP:

Clima de apreensão na maior favela do Rio – Artigo da diretora da Redes da Maré Eliana Sousa Silva

A segurança com a qual sonhamos – Artigo do diretor-executivo da Anistia Internacional Brasil Átila Roque 

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